sábado, 25 de abril de 2009

Na Natureza Selvagem





























Irei fazer um esforço descomunal para ser centrado e não divagar sobre dezenas de temas e me perder (como sempre) no assunto, que aqui nunca é central.

Independente de gostar ou não, entender ou não o que escrevi abaixo, espero que todos que caiam aqui, assistam “Na Natureza Selvagem” (Into The Wild).

Eu tenho umas manias, muitas, alguns chamam de hobby. Eu chamo de manias porque hobby é algo que você se dedica, estuda. Como eu gosto de tanta coisa, não posso me dar ao luxo de ter dezenas de hobbies (mas tento). Uma dessas manias é cinema, e principalmente a parte técnica dele, como equipamentos, iluminação e a parte cronológica da produção. Lendo um artigo sobre roteiros que fariam sucesso em Hollywood, vi o projeto do Sean Penn em transformar a vida de um aventureiro em filme. Para isso ele usaria o livro “Na Natureza Selvagem” do escritor Jon Krakauer, que pesquisou e percorreu o mesmo percurso do jovem Christopher McCandless, entrevistando as pessoas que ele conviveu por seus 2 anos de aventuras cortando os Estados Unidos até o Alaska.

Christopher McCandless era um jovem de classe média, seu pai engenheiro da NASA, sua mãe a típica dona de casa do sonho americano. Após graduar-se em história e antropologia, Christopher doou sua poupança de US$ 24 mil para uma instituição de caridade. Esse dinheiro e suas notas eram suficientes para que o rapaz adentrasse na Harvard University.

Convencido de que tudo que existia ao seu redor era uma farsa, um mundo egoísta e autodestrutivo, Christopher embarca em uma aventura pelo autoconhecimento. Influenciado por autores como Tolstói e Thoreau, que pregavam o desapego as coisas materiais. Ele queima dinheiro e rasga cartões de credito, saindo a vagar pelo mundo vivendo apenas do que lhe aparecesse pela frente.

Muitos podem descrever Christopher como um maluco, que assumiu o pseudônimo de Alexander Supertramp, em uma viagem sem finalidade, lógica ou sentido prático. Essas mesmas pessoas comem no McDonalds todos os dias e choram vendo Criança Esperança, mas não deixam de comprar tênis fabricados por crianças asiáticas que trabalham 14 horas por dia, ou ainda vivem no mundo do Gerson, onde o que importa é unicamente uma conta bancária que garanta o poder dos controles remotos (controle do portão eletrônico, da TV de 50”, do ar condicionado, do vibrador, etc.).

Passei meses escutando a trilha desse filme antes de ver o DVD. Todas as músicas são escritas e cantadas pelo senhor Eddie Vedder, o Frank Sinatra do Rock. Eddie chegou a uma maturidade profissional e diria até que idealista, merecedora de aplausos. Diferente do Bono, o Eddie se foca em expor sua visão do mundo em músicas. E TODAS as letras de Into The Wild são um chute bem na boca do estômago da sociedade.

Esse filme entrou na minha lista... Não uma lista qualquer, mas na lista de filmes que fazem sua cabeça rodar. Devo ficar 10 dias com ele martelando no meu crânio, e diferente de Wall-E, que lendo os comentários antes do filme chegar ao cinema, me deixou a impressão que aquilo iria me tocar, Na Natureza Selvagem não me decepcionou, pelo contrário, me rendeu a chance de saber mais sobre Jon Krakauer (E um risco elevado de por uma mochila nas costas e sumir por um tempo).

O roteiro não é linear, tem idas e vindas ao passado do Christopher, como um documentário que tenta explicar o que fez uma pessoa com todos os problemas que qualquer um tem, mas com uma vida estável financeiramente, saúde e educação, se jogar em uma estrada sem laços ou comunicação com todos que ele conviveu durante seus 23 anos de vida.

Uma das coisas marcantes do filme é que ele é subdividido em partes (acredito que isso está no livro também). A primeira é “o meu nascimento”. A ultima parte do filme é chama-se “Sabedoria”, onde Christopher encontra Ron, um velho solitário. (Só em lembrar desse trecho do filme, tive que parar um pouco e me recompor. Poucos são aqueles que sabem valorizar a sabedoria de pessoas de cabelos brancos).

O personagem de si mesmo, Alex Supertramp é amigável durante todo o filme, mas ele age da forma mais grosseira possível com o velho e sábio Ron (Que havia perdido sua mulher e filha em um acidente)

Ron (falando com Alex):
Vou sentir sua falta quando for.

Alex:
Também vou sentir a sua, Ron.
Mas engana-se se acha que a alegria de viver advém principalmente das relações humanas.
Deus colocou-a ao nosso redor.
Está em tudo. Está em tudo que possamos experimentar.
As pessoas apenas precisam mudar a maneira como olham para essas coisas.

Ron:
Pois é, vou ter isso em mente.
Vou mesmo.
Mas queria te dizer uma coisa.
Do pouco que reuni, sabe. O que me contou da tua família, da tua mãe e do teu pai.
E também sei que tem os seus problemas com a igreja.
Mas há um tipo de coisa superior que todos podemos apreciar,
e me parece que não se importa que chame isso de "Deus".
Mas, quando você perdoa, ama. E quando você ama, a luz de Deus brilha em você.

(Como alguém ofendido no seu ponto mais fraco consegue ser tão bondoso e amável? – Eu respondo – Cabelos brancos, por isso esse capitulo do filme se chama “Sabedoria”)


No final, Alex escreve:

A felicidade só é verdadeira quando compartilhada.


Christopher/Alex saiu à procura de suas respostas. Acho que é o ato mais corajoso de um ser, procurar o que lhe parece dar paz. Prefiro acreditar que Christopher quase conseguiu, como todos nos, que iremos sumir um dia sem todas as respostas, e isso me dá uma alegria absurda. Como é bom não ter certezas firmes e imutáveis.

Eddie Vedder - Society


A letra é essa coisa... singela: aqui

Dicas:
Achei dois blogs falando do filme e do livro, merecem ser lidos:
Cleiton Heredia
giseleh.com
José Duarte (Se esse cara não é um poeta, eu não sei mais o que é um)

Aproveite enquanto ainda está lá, o artigo sobre Christopher McCandless na Wikipédia. Deve mudar em breve, porque está desorganizado e com um texto muito livre para um mundo tão matemático. (Irei copiar em arquivo e deixar aqui... Até hoje foi a única coisa que li por inteiro na Wikipédia)

Divagações:
  • Eddie Vedder não é pobre ou um maluco que rasga dinheiro, mas por enquanto, ainda é um gênio, que diferente do Chris Cornell, andou vendendo a alma. Que coisa feia rapaz, alguns milhões de dólares (ou menos que isso) podem fazer as pessoas mudarem ou se revelarem. Meus parabéns aos idealistas e sonhadores, como o Eddie, o Christopher e talvez até o Sean Penn, que de tanto ve-lo inserido em causas humanas tá quase me convencendo que a Madonna merecia as tapas que levou... Hahahaha!
  • Escrevi acompanhado da trilha de Snatch, ótima para estradeiros, ciganos, malucos, etc.  :)

  • Emile Hirsch, vem crescendo e vai deixar sua marca, como um dos melhores atores que já passou por Hollywood.

  • Jena Malone, segue um caminho injusto, ficando com papeis pequenos. No filme ela praticamente não aparece, sendo apenas uma narradora. 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Saia a rua vossa excelência

Tenho tentado ao máximo me manter desinformado. Sonho com o dia que levarei uma queda, baterei com a cabeça e acordarei uma pessoa comum, inserida nesse mundo moderno onde pensar é algo para idiotas que gastam saliva e energia em troca de risos da multidão.

Mas hoje, hoje não!
Hoje eu sozinho vendo TV, no matinal jornal da Rede Globo, sai da minha posição confortável e fiquei de pé e aplaudi. Foram muitas palmas.
Em seguida veio o Alexandre Garcia com seu comentário moderado e a lá “deixa diuço, para com iuço”. Pois bem, apesar de não ser fã de revolucionários, que no fundo são também ditadores, tem horas que me sinto um Che Guevara (Tá bom, Che era gay, mas não me veio outro em mente), e que vontade de colocar uma pá de salafrários no paredão.

O Alexandre Garcia não conseguiu tirar meu prazer em ver a reunião dos homens mais poderosos do judiciário brasileiro ser tumultuada por verdades que poucos tem coragem de falar. Claro que o Supremo Tribunal Federal não deveria ser palco para bate-bocas, mas também não deveria ser presidido por bandido e silencioso as decisões que só beneficiam os poderosos e o governo populista instaurado.

Eu queria dizer ao ministro Joaquim Barbosa, que eu lhe aplaudi de pé em frente a TV.
Queria dizer que fiquei emocionado no dia de sua nomeação, da mesma forma que fiquei com a ministra Ellen Grace ao assumir o cargo. Na verdade, no ato de nomeação dessas duas figuras publicas, eu tinha uma única certeza, tanto Fernando Henrique Cardoso quanto o Lula, estavam usando a imagem da primeira mulher e primeiro negro (que na verdade não foi o primeiro) a fazerem parte do quadro do STF, visando além da popularidade gerada por estarem rompendo preconceitos, teriam dois ministros de rabo preso.
Eis a frase do ministro Joaquim:

Enganaram-se os que pensavam que o STF (Supremo Tribunal Federal) iria ter um negro submisso, subserviente (...)


Se você ainda não sabe o que estou falando... Olha ai a pequena discussão que aconteceu:



Agora, você pobre e inocente brasileiro, que ainda não aprendeu que tudo por aqui é pura desonestidade e é a lei do cada um por si, é bom pensar diferente desses caras que acreditam que revista Veja ou Rede Globo são poderosos suficiente para derrubar um governo aqui no Brasil.

Nosso povo não sabe ler. E os que sabem preferem os sites de fofoca, a alienação e a aceitação pura e simples para tudo que está ai.
Eu só queria falar na língua do povo...

Ministro Joaquim, tu é foda meu irmão!

[Na minha visão Guevariana, Gilmar Mendes e Lula seriam os primeiros no paredão, mas como eu não sou fã de revoluções ditadoras, vou continuar sonhando que um dia teremos alguém em quem votar, um STF limpo e um povo que vai a escola. Por enquanto sei que em 2010 não irei as urnas]


Addendun

Acabo de descobri que Protógenes Queiroz tem um blog, e que lá tem um manifesto em favor dele e de outro sujeito que resolveu peitar a máfia que dirige o país, o juiz Fausto de Sanctis. Sobre o caso do STF Protógenes citou a poesia "O Tocador de Atabaque" de Eduardo Alves da Costa:

“… Bato no atabaque

até estourar os tímpanos fracos

e chamo num grito de gozo

as almas bravias,

para dançarmos juntos,

mordidos pela mentira do mundo,

com os nervos envenenados

e a jugular aos pinotes.”


segunda-feira, 20 de abril de 2009

Vaca é a sua mãe



Enquanto trabalhava no meu PC que levei para casa da minha mãe, já que o som do Funk do meu vizinho me impedia de pensar (coisa como: pega no pau cachorra! eram frases lindas perto de uma melodia que dizia assim:
"Eu vou matar. Eu vou roubar. Vou seqüestrar. Vou fazer as mães sofrerem..."

Como não vejo TV, mas meus ouvidos ainda funcionam. Tudo que vinha da sala me deixava pensativo...

Programa do Sílvio Santos antes das 16:00 horas:

Maisa: - Eu vou trazer uma cesta com cocaína, crack e maconha Silvio. (Maisa é uma pivete dessas que tem um futuro a lá Britney Spears)

Silvio Santos para uma mulher que fazia parte do programa: - Onde você vai prender essa fita?
A mulher: - Na perseguida Silvio

Silvio Santos: - Ah! Você pega um pau diferente a cada dia! (Isso foi repetido várias vezes)

Silvio Santos: - Deu um beliscão onde?



Isso é um programa para a família brasileira.


[Isso foi só para ressaltar, engrossar, encorpar o post anterior]
[Detalhe: Não vi ninguém muito chocado na sala. Me lembrou quando vi uma professora de jardim da infância ensinando música baiana aos pequenos, com direito a caras e bocas e letras com muito dendê]

Para essa porra que eu quero descer!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

So Why So Sad



































Onde diabos tudo isso começou?
Tudo pelo dinheiro? Um carro? Um apartamento em um condomínio classe média?

Alguém pode me responder porque o mundo está desgovernado e ninguém faz nada?

É difícil acreditar que Nietzsche e seu Niilismo estejam realmente, completamente corretos.
Será que Friedrich Nietzsche previa o futuro ou só expôs a total falsidade que é a raça humana com suas regras de conduta e moralidade?

Então vejamos...
Como seria o mundo sem regras ou na base do tudo vale (estamos quase lá)?

Se olharmos para a historia, veremos que tudo é uma roda gigante, onde tudo gira e termina ou começa no mesmo ponto. É o chamado circulo, ou cíclico.

Então, nos, seres inteligentes e astutos, que acreditamos aprender com os erros, sempre repetimos esses mesmo erros. Se eu estivesse mentindo não haveriam ocorrido guerras ou massacres entre países vizinhos ou até mesmo povos irmãos de sangue. Bastaria alguém no meio dos soldados gritar:
-Ei! A dois séculos nossos tataravós se mataram nesse mesmo campo... 50 anos depois nossos avós eram amigos e hoje estamos nos matando pelo que mesmo?

Mas parece que racionalidade é algo que desaparece quando os benefícios gerados por alguns mortos fazem senhores poderosos mais poderosos ainda.

Só para exemplificar mais escandalosamente os erros que repetimos, posso citar os Hippies dos anos 60. Jovens que achavam que viver de drogas, nus e transando sem se importar quem seria pai dono da cria ou certos de que responsabilidades eram algo para pessoas chatas.
Então hoje temos as Raves, festas que deveriam ser legais (e são), mas se formou um grupo de desmiolados que se entopem de LSD e Ecstasy. Uma das coisas comuns em festas de jovens, são meninas que por algumas “balinhas” trocam saliva e algo mais para se sentirem em outra dimensão.
São só 40 anos que separam essas realidades que já mostraram que a maioria não vai usar roupa colorida, andar descalço e usar Ecstasy. Então, a sociedade terminou por reprimir esses “fora da lei”.

Sodoma e Gomorra
Falar de Sodoma e Gomorra é meio estranho, já que não sou evangélico e nem moralista (por favor... Não ser moralista não quer dizer que sou da putaria geral, também não sou santo), mas segundo a Biblia (isso é bom para quem acredita nela), eram cidades que foram destruídas por Deus já que lá o pessoal havia perdido por completo qualquer senso de moralidade, e regras sobre sexo se baseava em algo simples: “Ninguém é de ninguém e vamos a carne!”

O pouco valor que se dá hoje em dia a relações estáveis, o índice de homossexualidade crescente e a prostituição como maquina de enriquecimento (como diversão eu nunca fui contra, já que é algo que é impossível de imaginar o mundo sem), vem tornando o mundo um parque de diversões a lá Sodoma.

A flexibilidade do mundo atual em aceitar tudo, permitir tudo, vem gerando situações intrigantes, como a citada no texto do José Teles, onde uma banda de forró grita ao público: Tem rapariga ai?
A multidão vai ao delírio, como se a presença do governador e sua mulher no palco fossem algo invisível.

Se eu acordasse todos os dias, caminhasse pelas ruas e observasse a felicidade estampada na face das pessoas, eu simplesmente aceitaria tudo isso.
Se o numero de mulheres espancadas e violentadas diminuísse a cada elevação do índice de promiscuidade e degradação moral, eu daria aplausos e colaria um pôster da Gretchen na minha sala. Mas não vejo a liberdade do mundo moderno trazer nenhum beneficio.

Am-ram!
Tínhamos que chegar neles... Os americanos malditos!
Segundo boa parte dos socialistas, teatrólogos e bichos-grilos a culpa de tudo de ruim no universo vem da América. Essa crise mundial deu uma forcinha no ódio que todos já sentiam pelos brancos de bandeira azul, vermelha e branca.

Será que os americanos tem todo esse poder de levar um planeta inteiro a degradação?
Será que daqui a dois séculos não estaremos aqui xingando os chineses malditos?

Enquando o mundo existir sempre existirá um bode expiatório. É assim na empresa que você trabalha, é assim na sua escola, é assim na sua casa. Existem vários países que adotaram o capitalismo e deram certo, pessoas vivem bem e tudo é prospero, mas claro, não existe o paraíso perfeito.

Mas se o mundo está cada dia mais violento, mais sujo, mais sem amor, mais poluído e quente... Porque ninguém faz nada?
Se sabemos que educação e distribuição de renda fazem a violência retroceder e meninas de 13 anos não ficarem grávidas, o que está faltando?

Por outro lado, voltando aos americanos... O que faz um pais rico fabricar: homicidas, gordos mórbidos e pessoas que assistem programas de TV de uma idiotice descomunal?

Tudo é a corrupção...
Essa na verdade (na minha opinião) é a base da tese de Nietzsche, onde o beneficio próprio individual do prazer ou poder é capaz que fazer o individuo só olha para si mesmo, e tudo para a ser banal desde que “eu” lucre e saia ganhando.

O grande problema é que a linha de produção da era industrial tornou o povo também um produto. E esse povo foi se corrompendo, esquecendo o que um dia se chamou de moral.
Agora “eu” posso ser igual a um ator de cinema, ao cara que planeja roubar um banco, ao sujeito que sobe ao palanque e promete tudo e rouba tudo mesmo... Tudo se resume a poder. “Eu” posso e a sociedade aceita.

Sodoma e Gomorra foram destruídas sim, mas muito provavelmente não foi obra de Deus, e sim de um sismo que engoliu tudo.
Os Hippies com suas cores aparentemente alegres geraram filhos sem pais, muitos deles se tornaram famosos ao metralharem escolas ou matar seus companheiros de trabalho após alguma piada ou serem demitidos.

Tulipa e as multidões
Nessas épocas de crise sempre é bom lembrar do Mercado das Tulipas, que inspirou o livro “Memorando de Extraordinários Engodos Populares e a Loucura das Multidões” (eu adoro esse titulo). Para quem não sabe, ouve uma época que os Holandeses em particular, aceitavam pagar por um bouquet (Lê em Frances seu pervertido dos infernos) de tulipas o preço de um carro popular, se existissem carros naquela época é claro. Você ai que é moderninho acabou de olhar seu celular HTC né? Fica calmo, lembre... “Loucura das Multidões”. Bem, um belo dia, alguém acordou de mal humor e disse que uma tulipa não valia mais que um palito de dentes usado, e um universo de investidores, empresas e comunidades inteiras que viviam de tulipas se fu...

Fabricamos carros como o mar cria areia...
Podemos transar com camisinha com quem bem quisermos...
Podemos comprar Ecstasy e tocar com coca-cola...
Podemos fazer piadas ao vivo e a cores sobre qualquer coisa pessoal, familiar ou alheia que nada mais choca...
Como nada mais choca, usamos piercings, scarificações, próteses de chifrinho do diabo...
E se temos 20 e poucos anos, temos que tomar Viagra que é para mostrar serviço e ficar famoso com a galera (toda vez que me lembro que isso não é ficção e sim realidade, fico na dúvida se acho graça ou entro em pânico)...
Mais uma vez, eu me conformaria com tudo isso se eu achasse que as pessoas estão felizes, mas não estão. E sabe o que é pior, é que estou falando da multidão. (*Se você começar a ler historia do mundo hoje, vai descobrir que tudo é cíclico, e que multidões infelizes não é nada bom, nada bom).

E finalmente, um filme que ainda não vi, mas que encontrei uma descrição tão fuderosa que faço aqui uso do Ctrl+C - Ctrl+V:
















Um tornado que passou pela cidade de Xena, Ohio, é o início de uma história instigante e devastadora apresentada no cult " Vidas sem Destino" ( Gummo, 1997, Harmony Korine). Apresentado quase na forma de documentário, é impossível saber se realmente os personagens são reais ou apenas frutos da mente do diretor. Talvez o tornado tenha apenas com o vento, revelado a público uma face pouco vista da cultura americana. A primeira constatação é que mesmo tratando-se de uma história que se passa no meio-oeste norte-americano, a realidade pode ser vista em qualquer outra cidade do continente. Não seria diferente se fosse em Córdoba ou Anápolis. É verdade que há uma certa exarcebação judaica no comportamento dos personagens, pouco comum ao tipo de educação católica da américa latina, que o tornaria pouco provável em algumas passagens, mas a essência da degradação moral e social é comum ao nosso tempo, não apenas ao espaço.
O que torna este filme especial, é a natureza dos personagens. Exóticos, autenticos, detestáveis, sujos, nojentos, reais. Isso! são tão surreais que tornam-se reais demais. O filme mostra recortes da vida de diversos moradores, que também são recortes de suas próprias vidas. Não há o american dream, não há a team leader, não há o mocinho, não há futuro algum. Apenas uma realidade fria e demente. Os arquétipos geralmente ocultos sob as máscaras da "famílias perfeitas" são escancarados de forma crua, numa juventude ser perspectiva em histórias rompidas por um furacão que nada mais é , do que o próprio espelho da realidade e que as vezes, é melhor deixar-lo acumulando poeira, para evitar a tentação de enxergar-se nele.


O nome do cara é Helio Eudoro, e o blog é esse: Tonto in Toronto

O título desse post é uma musica do Manic Street Preachers, aconselho aqueles que gostam de escutar música e saber o que tem nas letras.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Smells like teen spirit

















Nas ultimas semanas tenho sido acusado de algumas coisas:

Infantil, louco, irresponsável (com dinheiro), sonhador, imaturo (adoro esse titulo em particular, que normalmente são as pessoas mais fracassadas que usam ele), romântico, otário, babaca, bunda mole, falido, tarado (fazer o que se a namorada de 22 tem cara de 15)...

Boa parte desses belos nomes não são falados na cara, normalmente eles vem na mente das pessoas após pronunciarem algo do tipo: _Você é o cara! Gênio! Salvação da lavoura, etc...

Sabe o que é mais legal em ter 37 anos de idade?
É saber que sempre falam essas coisas nas suas costas.
Eu sou tão hippie que quando algo dá errado comigo, procuro as pessoas para deixa-las felizes e contar que tudo deu errado.

Se você ler um pouco sobre psicologia vai ficar impressionado como funciona a cabeça das pessoas. Elas no fundo não te desejam mal, elas só querem você perto delas. Nada melhor que admirar um fracasso previsto, e chegar lá e falar... “Eu te disse”.

Isso não é maldade, é só natural das pessoas.

Mas... existem alguns como minha querida ex-sogra Antônia, minha tia Nancy já falecida, e algumas poucas pessoas que conheci nesse mundo, que fazem as regras da psicologia irem por água.
São pessoas que amam de verdade.
São pessoas que mesmo vivendo da forma mais humilde e simples, sabem falar 2 ou 3 palavras que fazem aquele sujeito que acabou de receber a noticia que sua mulher e três filhos morreram em um acidente de carro, acalmar o espírito revoltado. Não são as palavras dessas pessoas que curam, mas sim suas almas especiais.
Não vieram aqui para ser sorridentes ou complacentes, vieram para irradiar energia.

Bem...
Senhoras e senhores,
Fazia muito tempo que eu não recebia essas acusações, muito tempo mesmo.
E sabe de uma coisa... Isso é um ótimo sinal!
Sinal que as coisas estão voltando a normalidade, que minha energia já está recuperada, e que irei rir muito das pobres pessoas que teimam em tentar me orientar, me tornar mais maduro e menos infantil.

O mais curioso em ser chamado de criança, imaturo... É que adoro meu poucos cabelos brancos, quero que eles se multipliquem. Ainda vai levar um tempo para me sentir velho.
Se durante quase 4 décadas eu ouvi de todos os lados palavras aos gritos: Desista, você sonha alto demais, pense pequeno, vai com calma, espere mais um pouco...
Ainda estou aqui com o mesmo sorriso na cara, com a mesma força, com a mesma ambição de crescer e voar alto, a única coisa que posso querer, é que continuem me criticando.

Em um dos posts aqui do Blog, mencionei uns 10% das coisas que já fiz na vida. Tudo que levam as pessoas a sentirem inveja. Mas o que mais me fez feliz na vida não foram os casos de sucesso.

Aos 16 anos eu trabalhava coletando dinheiro dos clientes de uma loja de piscina. Então eu freqüentava hotéis, casas e claro, todos os lugares onde existiam piscinas e saunas.

A uns anos atrás o mundo era menos bundão, e o cara com 16 era macho, não tinha isso de papai fazer “gut-gut filhinho lindo!”. Quando eu adentrava em puteiros da alta sociedade, o clima não me parecia divertido. Sempre era dia, as festas tinham ocorrido nas noites anteriores, e normalmente eram muitas mulheres de ressaca. Não era raro todos estarem pelados ou usando drogas, como também não era difícil encontrar políticos famosos aproveitando a vida.

Sempre convivi com a boemia e as coisas fora da lei. Não estava lá como participante, sempre como observador, formando minha mente para o que eu seria quando estivesse com cabelos brancos.

Em um dia ensolarado, vi uma conversa entre o cafetão e uma menina de uns 16 anos. Ela chorava intensamente, desses choros que a 10 metros de distancia você sente seu coração começar a doer só pelo som emitido daquela pobre pessoa. Aquele sujeito alto, magro e gay, trava um monologo com a garota:

-Te peguei na rua, seu pai te jogou na rua, só por causa de um cabaço... Não adianta ficar ai pensando quando você era princesa, esse tempo acabou... “primeiro a fama, depois a lama”

Eu deveria ter a idade daquela garota, já era viciado em cinema, e naquele momento me vi como o personagem do Robert De Niro em Taxi Driver. Queria apontar uma 45 e estourar a cabeça daquele idiota. Mas me lembrei que ele era filho da fundadora do prostibulo, não devia saber quem era seu pai, e não teve ter recebido afagos quando criança. Ele já estava pagando (mas morto seria menos prejudicial).

A garota chorava por estar apaixonada por um jovem, filho de usineiro e que passou a freqüentar o local visitando a menina. Ela envolta em suas lagrimas, bradava aos gritos que aquele príncipe iria tira-la dali, iriam casar e ter filhos. O cafetão ria, e sabia que ela estava errada, eu também.

Então... Essa menina pode ter me deixado um dos traumas que carrego (Hahahahahahahaha), segundo a filosofia freudiana/jungiana, eu jamais faria mal a uma menina e tentaria proteger a figura feminina por sua (aparente) fragilidade.
Eu poderia traduzir isso mais simplesmente... Eu amo as pessoas de verdade, eu falo pelas costas como todos, mas falo o mesmo frente a frente. A grande diferença é que sei que as pessoas erram, fazem grandes besteiras, mas que isso faz parte do crescimento. Eu só não consigo ver alguém indo para o abismo e ficar parado. Infelizmente, muitas vezes, isso tudo é conceitual, e a sociedade atual é muito “flexível” e “permissível”. É estou ficando velho.


Abstract

As coisas que ouvi de um taxista em Natal-RN:

“_ Eu digo a meu filho (que tem 18 anos): Quando uma menina quiser dar para você, pense, você tem uma irmã. Aja pensando que você tem uma irmã”.

“_ Minha filha me contou sobre sua primeira relação. Sofreu muito quando se separou do namorado. Foi para a Itália trabalhar como operária, e conheceu um cara, casaram e ganhei um neto”

“_ Sinto o mesmo prazer com minha mulher há 25 anos. Sinto exatamente o que sentia há 25 anos”


Meu novo amigo taxista chamado Júnior, é o tipo de pessoa que você (eu) conversaria por um dia inteiro sem parar. Falamos sobre o problema das drogas, sobre a informação que recebi que o maior índice de jovens na faixa dos 20 anos entrando nas emergências é devido ao Viagra (isso mesmo), e sobre lindas meninas que se vendem promovendo o turismo.

(Já está na hora de fazer o roteiro de Taxi Driver 2, agora com o Júnior ao volante e eu com a .45)

Vou continuar sonhando, continuar aceitando a opinião de todos (na grande maioria não vale de muito mesmo... Com exceção das pessoas de sucesso, que essas sim, podem me contar algo que façam Freud e Jung se fuderem pra lá com suas teses... Posso até citar aqui alguns: Farj, Pablo e Glauber... Qualquer semelhança desses caras com minha tia Nancy ou D. Antônia não é mera coincidência – [Isso ficou meio gay né?].

Se você não entendeu nada... E daí... Eu escrevo para mim mesmo...

Ah! Tem uma cena em "Tomates verdes fritos" que o velho bêbado, já mais para lá do que para cá, recebe uma garrafa de Wisky da... (não lembro mais que é a atriz). Ela é criticada pela amiga, que fala que o velho está morrendo... Isso mesmo! Ai ela dá a garrafa com mais veemência ainda  :)

Smells like teen spirit - Nirvana


OBS: Eu não sou roqueiro, não pretendo ser uma figura publica, não pretendo ficar famoso, não quero discípulos/seguidores... Por favor, continuem me criticando, xingando, falando pelas costas, eu adoro isso! E como o índice de falação vem subindo, é sinal que as coisas estão indo bem :)

(Que pena... serão tantos que não poderão falar: "Eu te disse"... Mas não se preocupem, se der tudo errado, eu conto para vocês)