terça-feira, 12 de julho de 2005

Vamos Viajar....

Imagine o amanhã.
Você acorda, a rádio ou a TV sintoniza na sua preferência porque a casa "sentiu" que você despertou para um novo dia.
Veste sua roupa que capta energia do calor de seu corpo e alimenta seu sistema móvel de computação, algo não muito diferente de um Palm.
Mas dentro desse aparelhinho você tem o poder de fogo de um Pentium de 10GHz ou mais, na verdade não existe um superprocessador dentro do aparelho, ele faz o processamento por P2P, tudo via Wi-Fi. Consome tão pouca energia que sua roupa é mais que uficiente para alimentá-lo.

Com esse aparelho você lê seus e-mails, vê filmes, fala com áudio e vídeo com um amigo em qualquer parte do mundo.

Nesse sonho de vida você não se preocupa se tudo está em Windows, Linux, OS X ou seja lá o que for. você sabe que seus 500GB de MP3 (ou MP4, MP5) estão armazenados em algum lugar do mundo, e seu acesso a eles é em realtime, mais veloz que o acesso a um HD em uma maquina desktop como hoje em dia.

No meio do caminho indo para o trabalho você se lembra que não checou as notas do filho na escola, mas ai é só sacar o aparelhinho, ver notas, observações dos professores e como a saudade do filhote bateu, você acessa as imagens da sala de aula do pivete.

Sua esposa que nesse momento está em um clínico obstetra, vê no próprio aparelho dela as imagens em tempo real do próximo membro da família, e todos os dados armazenados sobre a saúde do novato e o restante da família, que além de ser acompanhado pelo médico local recebe uma avaliação de um especialista da Noruega, que faz uma avaliação dos efeitos dos medicamentos que deixarão o pequeno feto viver até os 160 anos com muita vitalidade.

Como dá para notar, no meu vislumbre do futuro, o mundo estará mais que conectado, será poderoso, e bota poderoso nisso. O poder de processamento será comprado como água ou energia elétrica. Se esse mês sua família usou mais o aparelhinho, a conta é maior.

Para uns essa monitoração pode assustar, e é justificável. Qual o maluco que não adoraria saber qual o agente alérgico que pode matar seu rival, ou qual apresentadora de culinária na TV não adoraria roubar a fantástica receita de bolo da inimiga do outro canal.

A maior barreira para esses eventos tecnológicos não é mais o hardware ou o software, e sim a cultura.

As portas foram abertas, mas as mudanças só estão começando. Não existirão implantes de chips, ou equipamentos que monitorem sua mente, mas sim aparelhos portáteis que serão usados como roupas, mas com a mesma importância dos dedos ou dos olhos.

Muita gente está mergulhando nas ondas do P2P, mas nada se compara aos planos da Microsoft. Essa empresa tem o futuro mais que planejado. Ela demorou a abrir os olhos para a Internet, isso não quer dizer que ela não acreditava na idéia, e sim não estava preparada.
Esse mundo do tráfego de dados cresce tão rápido que já se tornou mais um caso de estudo da Ciência Disruptiva, o Caos.

Bill Gates que de besta não tem nada, já patenteou o trafego de dados e energia pelo corpo.
Você vai dizer – Mas isso não tem aplicação, não serve para nada – Hoje não, mas a fibra ótica foi uma invenção inútil por quase 30 anos.

As coisas acorrem com naturalidade e os cidadãos comuns não percebem os eventos que geram as grandes mudanças.

A Intel e AMD estão dando passos largos para uma tecnologia que será um dos fomentadores da supercomputação popular desse novo século, a Virtualização.

AMD chama sua cria de “Pacifica”, e como a Intel parece estar um pouco atrás, sua pequena rival mais uma vez sai na frente.
http://enterprise.amd.com/Enterprise/serverVirtualization.aspx

A detentora de 80% do mercado de processadores (Intel claro) chama seu recurso de
virtualização de “Vanderpool”, e como mencionei, parece estar bem menos maduro que o
Pacifica da AMD.
http://www.intel.com/technology/computing/vptech/index.htm

Para quem é analfabeto de computação de alto nível vou tentar clarear o céu cinzento:

Não é de hoje que as empresas de tecnologia de processamento (Servidores) lutam para terem maquinas Non Stop (sem paradas). A IBM com seus Mainframes, maquinas enormes e com uma tecnologia totalmente fechada (que ninguém mete a mão, só eles) já fazia seus primeiros equipamentos virtualizáveis nos anos 1970/80.
Como isso funcionava ? – Imagine você ter um único computador com muito poder de processamento e poder “quebrá-lo” em 2, 4 ou mais computadores “menores”. Assim a empresa dona do Mainframe (caríssimo) poderia dar um computador virtual para o departamento financeiro, outro para o RH, um para o jurídico...
O próximo passo foi poder realizar essa divisão de poder de uma única maquina em várias sem precisar usar o temível “Reboot”, o que para o PC domestico é simples, para um Mainframe é algo muito complexo, a operação de religar a maquina podia levar horas.
Nos anos 1990 a Sun, IBM, Fujitsu e HP aprimoraram as técnicas de fatiar um
supercomputador em vários. O preço dos computadores com 4, 8, 16, 32, 64 e até mais de 100 processadores foram caindo, e mais recursos implementados. E as maquinas se transformaram em Non Stops de verdade, um único supercomputador poderia ter vários sistemas operacionais, e a potencia de cada maquina virtual poderia ser transportada de um lado para o outro. Assim, se uma maquina virtual que era responsável pelo departamento financeiro necessitasse de mais poder em determinado dia do mês, a maquina ou as maquinas que estivessem ociosas poderiam “emprestar” poder.

As tecnologias de virtualização continuam presentes nos supercomputadores das grifes famosas de TI, mas agora ela está mais próxima do que nunca do cidadão comum.

Os novos processadores da Intel e AMD de 64bits e 32Bits já incorporam características voltadas a virtualização, na Intel isso ainda é só para servidores, mas o novo X2 da AMD além de ter 2 núcleos internos possui os recursos da tecnologia Pacifica.

Isso não vai mudar em nada o uso dos PCs, mas abre uma porta para pequenas empresas que nunca sonharam em ter a sofisticação dos mainframes.

E os grandalhões (mainframes) que já levaram até o apelido de dinossauros, agora podem passar de centenas de processadores para milhares. E finalmente as Blades Servers (servidores pequenos, finos e de baixo consumo de energia) poderão fazer sucesso.

O que tudo isso faz de diferença para Seu João do boteco?
Bem, o celular do João precisa de processamento, a emissora de TV Digital precisa de processamento, o hospital que faz tomografia precisa de processamento, o servidor de games online, o supermercado, a policia, o escambau...

Para todos esses o diferencial é a queda nos custos, e para Seu João é o acesso a novos recursos que antes não seriam possíveis. Como ocorreu com o celular, o Air Bag, a Tomografia computadorizada, a Internet e muito mais.

A virtualização associada aos recursos de Cluster e P2P farão em um futuro muito breve, o poder computacional sair da caixa quadrada que fica ligada a uma tela, ir para sua mão, seu bolso ou até sua roupa.

A empresa que mais tem chances de tirar proveito de todo esse novo mundo é a Microsoft, terá um sistema operacional que usa virtualização em 1 ano, o LongHorn. Contratou Toda uma equipe para trabalhar com P2P, está apostando auto em gadgets domésticos como o X-Box e o Mediacenter, e tem o principal, dinheiro e as melhores cabeças pensantes do mundo.

Resumindo, se você tem grana, compre ações da Microsoft e fique ansioso esperando o dia de comprar o seu aparelhinho que faz tudo.
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