terça-feira, 1 de maio de 2007

"Manda Bala"

Mais uma vez o nosso povo vai se sentir ofendido. Recentemente houve a polêmica sobre o filme Turistas, onde um grupo de jovens se dão mal no Brasil. Claro que o filme é ruim e não vale a entrada do cinema, mas nossas figuras político-administrativas da boa ordem tentaram impedir a exibição do filme em nossa pátria. Esse eles não conseguiram, mas para quem é fã dos Simpsoms vai ter que engolir a seco essa censura democrática (Até hoje não sei onde diabos existe esse negocio de democracia) e a perda de um episodio que trata da visita da família de Homer ao Brasil, claro, o seriado baixou o sarrafo na nossa amada pátria.

Dessa vez a coisa é mais amarga ainda. O filme (documentário) vencedor do festival Sundance desse ano é “Manda Bala” do diretor Jason Kohn, filho de uma paulistana com um empresário argentino, que nasceu em Nova York, mas costuma freqüentar nossa terra. Kohn traça um paralelo do tipo Freakonomics, buscando a relação entre corrupção, mercado gerado pela violência (como cirurgia plástica para reimplante de orelhas) e a violência em si.

Na panela o filme coloca o ex-presidente do Senado, Jáder Barbalho, “acusado” de desviar bilhões de reais usando o mercado de criação de rãs como forma de lavar o dinheiro sujo, o cirurgião plástico Juarez Avelar, que ganhou renome mundial ao desenvolver técnicas para restituir orelhas decepadas, e um tal de Magrinho, assassino e seqüestrador contando como se diverte com seu trabalho.

Já tem até vídeo no Youtube defendendo nossa querida bandeira contra esse documentário, que só estréia nas nossas praias em agosto.

Carrego o seguinte pensamento:“Se faço algo achando que estou certo, e recebo opiniões contrárias em mais de 50% dos que me criticam, está na hora de pelo menos reavaliar minha certeza”

No youtube tem um vídeo que diz na cara o que todo brasileiro precisa ouvir (quer dizer, no caso desse vídeo tem que ler):



Será que nosso país é criticado injustamente?

Os gringos são chegados a um humor negro, e já teve até campanha na Inglaterra para salvar a Amazônia: “Salve uma árvore, mate um brasileiro”.

Se o mundo todo olha para nós como se fossemos péssimos exemplos, acho que deveríamos pelo menos discutir isso. Ficar bradando a bandeira verde e amarela como estivéssemos embriagados pelo ópio do nacionalismo, além de brega e dissonante com um mundo globalizado, pior ainda, senão nos tornarmos civilizados em um curto espaço de tempo, adivinhem o que será do país que mais tem água potável, terras cultiváveis e ainda é o pulmão do mundo?
O Iraque por bem menos virou tabua de pirulito.

OBS: Já notaram que ninguém no Brasil é culpado de nada? Todo mundo aqui é só acusado!Não fazer nada é na melhor das hipóteses ser cúmplice.
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