sábado, 21 de novembro de 2009

2010 ou 2012 ?
























Já falei algumas vezes, mas é bom repetir: Eu não sou exemplo para ninguém!
Poderia escrever livros (sim, para fazer isso você nem precisa ser “muito” alfabetizado) do tipo Pai Rico Pai Pobre, e incentivar o abandono da escola, falar que tirar vantagem dos oprimidos vai lhe tornar rico e que viver miseravelmente por um período para poder gozar de bonança em um futuro é receita certa para quem quer dominar o mundo. Mas eu não aprendi a mentir, como todo marketeiro mente.

Quero contar sobre uma tarde raivosa, dessas que todo ser que é profissional autônomo tem o prazer de ter. Não achem bonito ou tenham inveja, já que só contarei o lado divertido. Como em livros de 200 páginas, os autores que tagarela conquistas e vitórias em dezenas de páginas, deixam apenas um parágrafo para falar das dificuldades e perdas. Se uma biografia de 30 anos pode ser contada em poucas páginas, e o autor vangloria os louros da vitória, deveria alertar que durante a vida existem dias de fraqueza e derrotas.

Minha receita para evadir o campo de batalha em debandada, evitando a morte eminente, é bem simples... E apesar de estar muito bem, adorar todos os dias de vida dura, gostar até das dificuldades (as vezes lutar dar prazer), tem horas que você enche o saco de tudo. É nessa hora que eu vou para o cinema!

Contando detalhadamente uma tarde (Isso de contar a vida pessoal é algo de adolescente e twitteiro – Eu não suporto os adolescentes de hoje e odeio twitter):

Depois de tentar algumas vezes recuperar os dados do HD (pifado) do meu companheiro de trabalho, um notebook HP (que eu chamaria de Hammer) sem sucesso. Vi que não teria jeito, meus trabalhos em andamento sofreriam um atraso no cronograma. Algo simples para uma empresa, mas tenebroso para um autônomo, como eu. Mesmo já com um HD novinho instalado, recuperação da instalação original do note (zerada e sem nada instalado), como diabos eu iria atualizar e baixar as tonelada de coisas que eu preciso?
A minha ultima tentativa de internet via 3G foi com a Vivo. Foi... Porque agora quero cancelar essa mer**.

Já passam das 15:00h, ainda sem almoçar, tentando caminhar no meio das caixas e coisas jogadas no meio da casa (me mudei essa semana), tentando achar alguma roupa para ir na Lognet.

Ai me veio a cabeça: Foda-se tudo! Vou ver 2012!

Fui tomar banho ainda com um pouco de juízo, pensando em chegar na Lognet e pegar atualizações que eu precisava via DVD ou Pendrive, mas meu subconsciente já estava na fila com a pipoca na mão.

Ao chegar na empresa, nada de surpresa, os caras não tem service packs para Windows em inglês. Mais uma vez meu subconsciente (nem tão inconsciente) vibra: Yes! Cinema!

Sem demoras, entro no batmóvel (carro caindo aos pedaços do meu irmão), e já fico morrendo de rir em pensar na minha chegada ao estacionamento do Plaza Shopping, com aquele carro sem cano de escape (Você ai madame que não sabe o que é cano de escape, lembra daquele carro que passou na sua rua fazendo o som de guerra no Iraq? É isso!).

Como estava em um dia de fúria, principalmente com operadoras de telefonia, somando-se minha revolta normal por fazer de tudo para ser honesto e lutar contra a putaria instalada nesse país (como se eu podesse mudar alguma coisa :P), resolvi quebrar regras, ser desonesto, safado, escroto... Eu não iria pagar os R$ 4,00 do estacionamento do Shopping.

Isso é a prova que falta de grana faz você entrar para o lado negro da força. E lá fui eu estacionar o carro e ocupar uma vaga no pátio do Bompreço (Wallmart). Desci do carro me sentindo o revolucionário... Eu estava fudendo o Wallmart, viva lá revolution, baby!

Desço do carro como um espião secreto em uma base militar russa. Olho para todos os lados. Vejo se nenhum segurança me vê saindo do supermercado em direção ao shopping do outro lado da rua.

Adoro passar na faixa de pedestre que divide o Bompreço ao Plaza Shopping, todo turista que vem ao Recife deveria conhecer esse local, é o único em todo o estado de Pernambuco que os motoristas param para os pedestres.

Ao entrar no templo do consumo me dirijo prontamente ao cinema. A sessão de 16:40h estava começando, mas eu ainda não havia comido nada além do meu próprio juízo. Peguei o ingresso para às 17:20h, poltrona P11. (Isso mesmo, assento marcado e cadeira de couro nesse cinema de riquinho).

Agora sim, dirijo-me a praça de alimentação. Não tenho o que pensar, vou direto no Bonaparte, o fast food de comida de verdade mais saboroso do universo (principalmente os que as lojas são administradas diretamente pelo dono, o que me parece ser o caso desse).

Peço um medalhão de frango acompanhado de arroz branco, legumes e salada provence (vem alface, tomates secos, presunto Parma e um molho de mostarda).

Quando eu entro nesse shopping a primeira coisa que me vem a cabeça é Chopp Brahma. E claro, enquanto esperava o meu almoço fui pegar uma tulipa gelada, aproveitei e peguei uns camarões em um self service chinês (O Bonaparte tem chopp mas em copo descartável, isso não se faz).

Aquela maldita plaquinha luminosa mostra meu numero (antes no Bonaparte as atendentes chamavam os clientes pelo nome, eu achava isso o máximo – Mas acredito que os Godofredos, Eminiostenes e Sepulvidas não gostavam desse serviço). Pego meu prato e vou temperar a salada...
Hummmm... Azeite, pimenta do reino moída na hora e umas torradinhas.

Sento-me, dou o ultimo gole do chopp, e vou à guerra com meu prato. Uma delícia.

Hora do filme, pago R$ 2,00 por um copinho de água mineral no MacDonalds, visualizo todos os atendentes vestidos de Tio Sam com aquele dedo apontado para mim e falando: Otário!!!

Entro na sala 5, e para minha surpresa só uma única pessoa na sala, um senhor que me vê entrar e comenta: -Vão cancelar essa sessão.
Digo para ele que em certa cidade do Ceará vi um filme com a sala só para mim e minha namora (E quase ficou a custo zero. Tinha que ser no Ceará :D)

Começam os traillers (adoro traillers), e eu esperando para ver um pedaço de Avatar, mas nada. O que aparece é “Lula – O filho do Brasil”. Nem preciso mencionar que fiquei com asco maior que o que já tenho pelo cinema nacional. Não só pelas produções nojentas, mas pelos cartolas nojentos que administram a cultura no Brasil. (Comentei o que achava no Blog Pô, Meu!)

Eis que começa o filme. A tela no formato extra larga e o som alto como deve ser. Em poucos minutos o filme mostra sua alma, pura diversão e adrenalina. Até a frescura de patriotismo americano ficou meio de lado dessa vez (Sim, nos EUA o governo também joga sujo e enfia grana no cinema).

Os atores formaram (na minha opinião) o melhor casting de figuras tarimbadas para filme pipoca com coca. Não tem nada o que pensar, é só se segurar na cadeira e tremer ao som das explosões, terremotos e tsunamis.

O filme que eu nem esperava muito, surpreendeu!
Até uma comoção brega deu lá no fundo (Não idiota, a comida do Bonaparte não me fez mal nenhum).

Roland Emmerich já é famoso por criar filmes de destruição em massa (O dia depois de amanhã, Independence Day e Godzilla) e bons efeitos especiais (Stargate, 10.000 AC), mas dessa vez ele superou tudo. O som do filme é de nota 8 a 9. A tensão começa logo nas primeiras falas e não termina até o fim do filme.

Até o ator Woody Harrelson foi aproveitado no papel de um porra-louca chamado de Charlie Frost. Um desses chatos loucos que sacam conspirações em tudo, como Mel Gibson em “Teoria da Conspiração”.

Eu já estava esquecendo de mencionar...
A dona do meu coração ligou na hora que eu estava desfrutando do maravilhoso almoço. Claro que descrevi em detalhes (com muita crueldade é claro) tudo que esta sendo devorado. Voltou a ligar já quase no fim do filme. Ela não larga do meu pé (ainda bem!).

Voltei para casa menos chateado, mas bastou conectar a Internet e ver que a Vivo continua um lixo de serviço.

No final do dia fico sabendo que meu querido filho voltará a morar comigo. Passou uma temporada com a mãe alegando ir para um melhor colégio. Volta pra casa com mais um ano perdido. Poderia ser pior... Ele poderia ser emo ou drogado. Nem por isso vai deixar de levar punições. Eu realmente acho que nasci no tempo errado. Adoraria ter nascido nos anos 20. Traumas e adolescência se resolveriam com porrada. :D

Seja bem vindo Nirvana, teu pai te ama incondicionalmente mesmo (Porém... Invente de sair da linha para você ver uma cena a lá Quentin Tarantino :/

Lula – filho do Brasil... Hamm... O Brasil é uma merda mesmo.
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