segunda-feira, 13 de novembro de 2006

Cordel da velhice

Vou lhes contá como é triste,
vê a velhice chegá,
vê os cabelo caíno,
vê as vista encurtá.
Vê as perna trambicano,
com priguiça de andá.
Vê "aquilo" esmoreceno,
sem força prá levantá

As carnes vão se sumino,
vai parecêno as vêia.
As vista diminuíno
e crescendo a sombrancêia.
As oiça vão encurtano,
vão aumentano as orêia.
Os ovos dipindurano
e diminuíno a pêia.

A velhice é uma doença
que dá em todo cristão:
dói os braço, dói as pernas,
dói os dedo, dói a mão.
Dói o figo e a barriga,
dói o rim, dói o pulmão.
Dói o fim do espinhaço,
dói a corda do cunhão.

Quando a gente fica véio,
tudo no mundo acontece:
vai passano pelas rua
e as menina se oferece.
A gente óia aquilo tudo,
benza Deus e agradece,
correno ligeiro prá casa,
procurano o INSS.

No tempo que eu era moço,
todo o sol prá mim brilhava
Eu tinha mil namorada,
tudo de bom me sobrava.
As menina mais bonita,
da cidade eu bolinava.
Eu fazia todo dia,
chega o bichim desbotava.

Mas tudo isso passô,
faz tempo ficô prá trás
as coisa que eu fazia,
hoje me sinto incapaz.
O tempo me roubô tudo,
de uma maneira sagaz
Prá falá mesmo a verdade,
nem trepá eu trepo mais.

Quando se chega aos setenta,
tudo no mundo embaraça.
Pega a mulhé, vai pra cama,
apalpa, beija e abraça,
porém só faz duas coisa:
solta pum e acha graça ...

(Infelizmente não sei quem é o autor para poder cita-lo.)
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