segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Revolução silenciosa

As mudanças ocorrem sem grande parte das pessoas perceberem, no fundo elas demoram tanto que isso acontece suavemente. De 20 anos para isso deixou de ser verdade. A rotatividade de produtos tornou-se algo frenético, muitas vezes insano. O mais engraçado é que no meio desse turbilhão surgem figuras mundiais que tomam pra si a gloria da conquista, o renome pela quebra de paradigmas. Tradicionalmente esses são grandes farsantes.

O século 21 está sendo pilotado por gênios que agem no background, ficam sempre atrás das cortinas. Isso não é novidade, como as brigas por patentes ou gloria pela criação, o mundo sempre precisou dos Robins, de Wozniaks, Ballmers, Milevas...

(O primeiro artigo cientifico de Einstein chamava-se “Annus Mirabilis Papers”, daria um ótimo nome para papel higiênico. Traduzindo do latin é algo mais limpo, e aproveitando o fim do ano, você pode sair por ai desejando um Annus Mirabilis para sua tia, seu primo, sua mãe...)

Porém, o mais curioso é que o poder vem saindo das mãos dos barões e eles nem sabem disso.

Com a popularização do radio e TV, o mundo deu uma guinada social e cultural, tirando do atraso boa parte do mundo, isso levou um século. Dos anos 80 para cá, a coisa foi assim, década de 80 – PC para Nerds e cientistas. Anos 90 até 2000 – PC para as massas. E nesses primeiros anos do século 21, aconteceu tudo que os poderosos não previam: O consumo de papel explodiu, livro sendo vendido até em farmácia. E o mais surpreendente, os meios de comunicação de elite, como TVs a cabo e Jornais, caíram na lama pela falta de clientes e lucro. Nesse mesmo segmento, empresas que não partiam o mundo em classes ou fatias MUITO distintas tornaram-se lideres como o Discovery, dona de uma dezena de canais que praticamente só exibem cultura e curiosidades cientificas.

Aqui no Brasil temos 2 exemplos muito claros do que é pensar em um mundo plano ou continuar na mentalidade se senhor de engenho. A Rede Globo apesar de muito criticada, é inegavelmente a TV com melhor qualidade técnica, e se não abre sua programação totalmente para a cultura não devemos culpar o povo, mas sim os anunciantes, que acreditam cegamente que a população é estúpida e alienada.
Se fosse verdade o pensamento coletivo desses “empresários” a emissora Rede TV, patrocinada por uma igreja evangélica, não estaria migrando para a segunda colocação, tomando o lugar da populista TV do Silvio Santos, o SBT. O que difere essas emissoras são o conteúdo, claro. No fundo o SBT ainda é Silvio Santos, onde o mundo é ele e sua genialidade, que funcionou muito bem no regime militar, e enquanto o povo não almejada uma vida melhor, era conformado em ser só uma camada da pirâmide.

A Rede TV pode não ser uma Discovery, mas investe pesado em conteúdo. Dá até para perdoar os erros cometidos e imitações de canais mais famosos, afinal, a empresa só existe desde 1999, e outro problema é achar profissionais no mercado que não sejam engessados aos paradigmas Globo/SBT.

Outro exemplo de como seguir o líder não é uma boa alternativa é a FIAT. Essa empresa italiana instalada no Brasil com uma boa ajuda governamental, sempre foi revolucionaria. Isso lhe custou uma baixa aceitação do público. Claro, seus carros eram medianos, e alguns modelos eram pura dor de cabeça para o cliente, e a fama pegou.



Mesmo com a dificuldade comercial, afinal, a empresa oferecia o que ela achava melhor e mais moderno, enquanto o povo brasileiro sempre foi encantado pela alemã Volkswagem, com seu apelo de durabilidade e economia, que sempre vagaram entre a pura mentira ou dito popular.

Eis que a FIAT torna-se líder em vendas nacional, e pasmem, com um preço médio maior que da antiga líder Volks. O que aconteceu? Por que não foi a FORD com seus parcelamentos gigantes e carros com preços até mais baixos que saltou para primeiro ou segundo lugar?



A FIAT tem um apelo que os tradicionais desconhecem. Crianças viam Unos Mille pelas ruas, viram Palios com cores berrantes no seu lançamento. As propagandas da FIAT lembram alegria e juventude, e são contínuas, ou seja, a empresa tem um foco direto e forte há décadas.

A Nestlé que sempre admirei, entrou na onda das vendas para a base da pirâmide. Produtos como leite Ninho e Nescau foram reformulados, e ninguém pediu por isso. Lembram da New Coke? Foi um marco na história do marketing, nunca antes ninguém tinha alcançado uma cagada tão grande :) (Desculpem, o texto tava ficando muito sério)

O tempo de povo idiota pode não ter acabado totalmente, mas estamos migrando, e chegaremos lá. (Provavelmente não estarei mais nesse plano)

O mundo novo será baseado em conteúdo (content), e isso quer dizer informação. E ela não será só vista na TV ou internet, tudo será conteúdo. As TVs que hoje brigam com um punhado de concorrentes irão lutar contra jovens que estão grudados com o povo, que são ágeis e não precisam de mais que uma Kombi com câmeras, antenas e idéias. Os mais velhos irão se assustar em ver tantos programas em um mesmo canal. Ou ainda poder falar ao vivo de casa com aquela mulher na TV, jogar uma partida de damas com um cara da china e tendo sua voz traduzida em tempo real. Toda essa tecnologia já existe, não é tão cara, mas em 10 anos será commodity.

O mundo não será mais domínio de poucos, o poder será fragmentado, e nada mais será como antes (Sonhar ainda é grátis e não tem imposto).

E você ai que é um escravocrata escroto, acha que o mundo é um tabuleiro de xadrez e só você mexe as pedras, você tá fudido meu amigo!
It’s revolution baby!


A imagem é mui grande, quem quiser pode imprimir uma camisa :)

Peguei essa imagem neste site, onde sobre ela tinha escrito:

I'll do it!
Anarcho-capitalists aren't real anarchists.

Me senti um lixo, agora sei que sou só um anarquista de merda!
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