domingo, 6 de janeiro de 2008

Babel

Finalmente consegui assistir Babel.

O filme não saiu dublado no Brasil, e as locadoras de subúrbio não costumam comprar DVDs que a massa tem que ler (legendas). Como moro em subúrbio, tenho que me contentar com o cardápio popular das lojinhas.

O filme custou US$ 25 milhões, que é uma bagatela levando em consideração o elenco e os locais de filmagens.
Brat Pitt sempre faz bem seu trabalho, seja ele interprete de um idiota ou de um cara mais cabeçudo. (Isso mesmo, gosto do trabalho do cara. Desde os filmes B que ele fazia papel de drogado. Ah! Gay é sua mãe)

Não gosto de narrar filmes, termina saindo coisas que fazem o dito cujo perder a emoção.

Porém, gosto da parte técnica, e essa dá para falar...
Imaginei que usaram três diretores de fotografia, um para o Marrocos, um no Japão e outro nos EUA/Mexico. Mas ai caiu à ficha – acorda seu babaca, o mundo é feito de várias cores, poeira, ar e gente. Tudo é diferente em cada canto do mundo. E se as comparações envolvem o ocidente americanizado, a verdade do concreto, petróleo e dinheiro só é bonita em Nova York ou Los Angeles, mesmo assim, em fotos (São cidades bem violentas).

Lendo os comentários (Só vejo os negativos) no Adorocinema, fico curado daquele embrulho no estômago que o filme me deu. Toda aquele euforia de sentir a dor dos personagens, as interpretações magníficas de Rinko Kikuchi e Adriana Barraza, o povo de um país (Marrocos) onde ricos psicodélicos sonham passear e cantar algum mantra e que no fundo não passa de mais uma favela do mundo... Toda essa sensação que chega a ser enzimática, vai para o lixo, e me imagino degolando cada um desses internautas que pontua o filme em zero.
Vou perdoar mais uma vez essas almas perdidas.

Com a popularização da internet (Orkuticamente falando) em breve teremos mais sites de futebol e pagode que forums de debates (Já não é assim?).
Poucas pessoas conseguem aproveitar um filme como esse, uma pena.

O diretor Alejandro González-Iñárritu, o mesmo de outro chute nos rins, 21 gramas, vai deixando sua marca. Sua principal característica é mostrar como acontecimentos que parecem paralelos estão ligados.

Em Babel, uma arma que sai de um extremo do mundo, vai parar no meio do planeta, e serve de problema para vidas na outra ponta.

Existem dois pontos fortes a se pensar. Armas de fogo e falta de sensibilidade humana. Esse ultimo está tornando-se um problema maior que a obesidade. As pessoas não escutam mais seus irmãos. O julgamento e punição são coisas definidas na hora. Ninguém mais pensa em porque aquele sujeito fez aquela merda, só querem chutá-lo no meio das pernas.

Como já falei outras vezes, a vida (pessoa/situação) é como um prisma, coloque-a na luz e veja quantas possibilidades.


Não consigo lembrar ou achar quem escreveu algo assim:

"As pessoas só acreditam no que lhes dá conforto e gera lucros"
(Quem souber a frase correta e o autor, por favor dê uma luz)


Tem outra que também cabe:

"Para compreender as pessoas devo tentar escutar o que elas não estão dizendo, o que elas talvez nunca venham a dizer"
John Powell

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