domingo, 27 de janeiro de 2008

How To Measure a Planet?

Você gosta de música?
Não!
Tá bem, dá uma olhada na barra lateral onde tem Blogs [sites]Legais, lá você pode encontrar algo que lhe agrade mais.

Pronto, eliminado os não-audiófilos, vamos ao que interessa...

Primeiro junte alguns ingredientes necessários a experiência:

1. CD Duplo “How to Measure a Planet?” do The Gathering de 1998
(Se for baixar, procure em WAV - Deve dar algo perto de 1GB.
Em MP3 isso pode cair para 150MB – Se você acha que um travesti fantasiado de Gisele Bundchen é a mesma coisa da original... A baixo explico melhor)























2. Um equipamento de som

O melhor que estiver ao seu alcance. Ou vai na casa do seu amigo(a) que tem aquele sonzão... Se sua interpretação para “Sonzão” é de caixas de som ENORMES com um grave ideal para funk carioca... Por favor, vai lá dá uma olhada naquela barra lateral que falei acima.
Se não for via CD e sim via WAV ou (Ergh!) MP3, além de um sonzão você precisa de uma placa de som SoundBlaster. Aquelas saídas de som do seu PC são ótimas para escutar os bips do Windows, parou por ai. Se você acha realmente que o som do seu PC sem uma Soundblaster é fantástico, por favor, barra lateral!























3. Fique sozinho(a)

Você já viu alguma cena com 2 monges meditando juntos?
Bruce Lee se concentrando com um cabra do lado falando merda?
Não Né!
Pois bem, mande sua mãe ir no supermercado da cidade vizinha, seu pai ir consertar os freios do carro (que você danificou mentalmente), coloque vodka na água do cachorro... Resumindo, se livre daqueles que podem tirar sua concentração (Tá, sua avó que tem 102 anos e fica quietinha na cadeira de rodas pode até ser convidada, se ela ficar caladinha).
Isso pode ser um problema se você estiver usando o Som/PC daquele seu amigo, pior ainda se você for menina... Esse negócio de quarto escuro e som maneiro pode fazer seu amigo soltar a famosa frase do Roberto Jefferson: “Vossa Excelência provoca em mim os instintos mais primitivos”.




















4. Relax
Com o som já na agulha (quer dizer, laser), se coloque no lugar que você achar mais confortável. Pode deitar no chão, sentar numa cadeira, se pendurar no lustre, você que vai saber o modo mais confortável de ficar no mínimo 1 horas sem se mover.
























5. O inicio
Depois de conseguir cumprir essa maratona, solta o play e fecha os olhos.
Particularmente eu gosto de viajar com esse tipo de som deitado no chão, em um colchão daqueles fininhos ou pode ser um sofá daqueles maneiros.

6. O Resultado
Se você aprecia música de verdade, vai enlouquecer por esse disco.

Se não gostou, é sinal que você ainda não está preparado(a) para esse tipo de música. Pode evoluir nessa vida ou reencarnar algumas vezes até chegar a esse Nirvana fantástico das músicas viajantes.

Se não é o tipo de som que você curte, ainda existem dois caminhos. Você pode ir escutando aos poucos, e terminar gostando (Isso abre um novo horizonte) ou pode começar a escutar música clássica, trip hop ou new age, tudo isso leva você a novos caminhos e oportunidades.

Até os anos 90, o que mais se vendia na Europa era música erudita, dá para acreditar?
Ai chegou a MTV e fudeu tudo.

Sobre o The Gathering

A banda original nasceu em 1989, com os irmãos René Rutten (guitarra), Hans Rutten (bateria) e Bart Smits nos vocais. Os dois primeiros discos da banda eram uma mistura de Doom e Death metal. Em 1995 os cabeludos descobrem uma menina com nome de Anneke van Giersbergen, que além de uma voz poderosa é mais carismática que churros com leite condensado.
Nessa fase a Anneke pula como uma perereca. E tome balançado de cabeleira. O Som ainda é metal, mas muito longe de ser Death. O primeiro disco com ela é o Mandylion. Em 1997 veio o Nighttime Birds, e em 1998 a banda larga de vez o metal e entra no mundo do rock espacial, com esse disquinho duplo ai, o “How To Measure a Planet? ”, que na minha opinião é o mais bem produzido e refinado da banda, já que em seguida eles saíram em uma tour pelos EUA, e esse refinamento era para ter se tornado fama e grana, mas...
O The Gathering continuou no mundo obscuro das pequenas bandas, esteve no Brasil em 2006, e deixou de existir em 2007... Quer dizer... Agora não tem mais a Anneke.

A nova banda da Anneke se chama Agua de Annique. Apesar de ter gostado do novo som, acho que a química dela com os irmãos Rutten não deveria ter morrido. Mas mulher vocês sabem... TPM pode até causar o holocausto.

Sobre o disco

“How to Measure a Planet?”
para mim é uma verdadeira obra de arte. Daquelas que ninguém da muito valor, e séculos depois descobrem que o cara era um gênio do barroco ou um fantástico compositor apesar de ser surdo (É, estou falando de Bach e Beethoven).

“ Frail (You Might As Well Be Me)” é a música que abre o primeiro disco. Para quem está ouvindo o The Gathering pela primeira vez já vai sofrer o impacto dos timbres da Anneke. São notas gigantescas. Você irá pensar que é uma câmara de eco (Tá, eu sei a diferença entre eco e reverb), mas é o gogó da garota mesmo. O som da bateria está alto demais em boa parte das músicas, mas e daí... sou louco por bateria :)

“Great Ocean Road” é uma mistura mágica em particular, Great Ocean Road é uma estrada litorânea na Austrália, com 273KM de extensão . Um dos lugares que ainda irei antes de perder todos os dentes e cabelos. Na música além das brincadeiras que o René faz com a guitarra, a bateria tem os pratos torturados na medida certa, e você pode ouvir o som do didjeridoo, um instrumento usado pelos aborígenes australianos. É viajem ou não?

“Rescue Me” é uma baladinha ótima para dor de cotovelo (E o que não falta é musica para dor de cotovelo no The Gathering). “My Electricity” segue o rastro da anterior, é ainda mais lenta.
“Liberty Bell” particularmente não me agrada. Tem aqueles efeitos que robotizam a voz da Anneke. Essa música virou clipe, e eis o ponto fraco do TG... Eles não tem sorte com orientação visual. A Anneke pode ser linda, mas por vezes pode ser confundida com uma vendedora de acarajé holandesa.

“Red is a Slow Colour” não sei porque diabos me lembra o Rush dos anos 80. Tem uns instrumentos de percussão que não consigo identificar, e mais brincadeiras com a guitarra. Nessa hora você lembra que esse é um disco de transição, e provavelmente as composições daqui pra frente são só para fazer volume.

“The Big Sleep” é 100% espacial. Música para astronauta. Suave na essência da voz do anjo que canta e o som das escapadas de ar de uma nave espacial (É, nave também tem flatulência). Nessa hora você esquece que a música anterior era meio chata.

“Marooned” é daquelas músicas de filme, onde o cara aparece tomando um café numa lanchonete retrô com posters de PinUps. Ele, seu café e os pensamentos. Nessa música também rola uns sons estranhos... Acho que são samplers de xícara raspando no pires.

Se você acha que meus textos são desconexões, ainda não tentou ler as letras do The Gathering ou do Caetano Veloso (Eu não acredito que escrevi Caetano Veloso, ergh!). “Travel” segue uma linha caetanesca, só vai entender quem for amigo da Anneke.

“ South American Ghost Ride” instrumental que o título é mais uma jogada de marketing tão ruim quanto o pessoal que faz o figurino do The Gathering.

“ Illuminating” é mais uma brincadeira com a voz da Anneke em várias camadas, mais sons estranhos e uma harmonia bem legal. Parece uma seqüência de “The Big Sleep”.

“ Locked Away” em sua versão mais acústica e introspectiva. Uma música que lembra "Nighttime Birds", o disco anterior do TG.

“Probably Built In the Fifities” tem mais de 7 minutos, é o lado metal que ainda corre nas veias dos integrantes. Fica meio destoante em um disco viajado como esses, mas devemos lembrar que esse disco foi um laboratório. Na seqüência dos estudos acusticos, tiveram coragem de criar “How to Measure a Planet”, música que dá titulo ao CD. São 28 minutos de experimentalismo, com direito a vozes russas em conversas espaciais. Dá metade para o final é meio cacofonia com o som de um buraco negro (Tá, no espaço não tem som, mas nos filmes tem!) .

[Eu não acredito que você leu até aqui!]


















Qualidade de Som


MP3 pode ser muito popular, mas é uma tecnologia que gera uma perda de qualidade quando o CD Original é convertido. MP3 de boa qualidade usam compressão de 192kbps pra cima. Mesmo assim, a única vantagem do MP3 é sua função primordial, que é diminuir o tamanho dos arquivos de áudio.
Quem é vidrado por áudio não curte muito esse negócio de perder qualidade.
Se você converter um CD para WAV por exemplo, com uma qualidade de 1.411kbps, 16bit e 44.100 kHz, uma música de 3:30 minutos irá ficar com 36MB.
A mesma música em MP3 com 192kbps fica com 4.5MB.


Placa de Som

Não adiante ter um CD produzido nos melhores estúdios do mundo sem ter o equipamento certo para ouvi-lo. Não precisa ter um som importado ou caixas acústicas vindas da Alemanha ou Japão (Os dois países mestres em equipamentos de precisão), mas aquelas caixinhas de som de R$20,00 que acompanham os computadores baratinhos só servem de peso para papel.
Junte uma grana e compre uma placa de som SoundBlaster, pode ser a mais simples, já é 30x melhor que aquele som de radinho de pilha original do PC.


Caixas de Som

Com uma SoundBlaster até os MP3 irão ter um ganho, mas você ainda precisa de caixas de som. Se você tem aquele Microsystem maneiro, é só ligar a placa de som nele e pronto.
Se o jeito é usar tudo no PC, compre caixas de som da Creative, o mesmo fabricante da SoundBlaster. Barato é algo relativo... Se você juntar todas as caixinhas de som de R$ 20,00 fabricadas na China no ultimo semestre (deve dar alguns milhões delas) e ligá-las todas juntas, uma Creative 4.1 irá lhe mostrar que estou falando a verdade.
Se escutou o CD... conta aqui sua experiencia!

[Ainda não acredito que você leu até aqui]

Finalizo esse longo, longo... ao som de Vangelis, uma coletânia chamada Portraits
Se você quiser deixar alguém feliz, pode dar esse CD do Vangelis de presente.
Postar um comentário