sexta-feira, 21 de março de 2008

Dark Island

Uma ilha, um tempo constantemente amedrontador, pássaros negros e arvores secas, esse é o meio ambiente onde convive a comunidade dos Anathemas, um povo expulso das suas terras em algum ponto esquecido da Europa. Em barcos destroçados e famintos pelos vários dias de viagem a deriva, mais de 500 subjugados aguardaram até que o destino escrito pelas ondas os jogassem nessa terra insólita. Muitos chegaram sem vida, ou foram engolidos pelo mar escuro daquela parte do mundo que não se parece com nada já imaginado. Mas isso foi a muito tempo.

As chuvas reinam nesse lugar frio, onde os sobreviventes aprenderam a se alimentar de ostras escuras, peixes gigantes e uma gramínea perene, a única vegetação que parece ter vida na ilha, a única fonte de cor diferente do cinza ou preto.

Em suas casas de pedras, úmidas e incessantemente enfumaçadas por suas lareiras, onde queimam a mau cheirosa madeira das arvores nativas, as crianças recebem uma educação baseada nos contos e mitologias dos seus antepassados, que aprenderam a viver em um lugar sem luz, onde o vento uiva e a gotas da chuva tornam as pessoas quase surdas, uma evolução natural para suportar dias, meses e anos de um som enlouquecedor.

Em contrapartida, as novas gerações trocaram os sons por sentido mais aguçados. Os mais velhos, e alguns jovens privilegiados são dotados de poderes extrasensoriais. Como as novas gerações foram aprendendo a lidar com isso, esses dons se tornaram quase que banais, usados apenas para a caça, pesca e o mais útil, alertar sobre as tempestades de ondas gigantescas, que acorriam com certa freqüência.

O couro e escamas dos peixes gigantes que serviam de alimento eram usados para confeccionar roupas e utensílios. Como uma simbiose, tudo que parecia perigoso e maléfico revertia-se a favor daquele povo de cabelos grandes e desgrenhados. Todos tinham uma nevoa branca nos olhos, algo comum em seres que vivem sem a luz do sol.

Não existiam guerras, divisões de castas ou briga por uma liderança, parecia que aquele povo havia esquecido, ou escondido o histórico dos seus ancestrais, subjugados depois de aterrorizar vilas e cidades inteiras. Até os velhos senhores com mais de 100 anos lembravam vagamente o motivo que levou aqueles imigrantes a chegarem aquela ilha sombria.

O evento mais marcante para os moradores da única vila são as tempestades com ondas gigantes. Nesse momento os sábios antevêem o que virá, todos são alertados com um sinal sonoro muito agudo, emitido por um instrumento feito das conchas de ostras. Como alguns já perderam totalmente a audição, fogueiras gigantes são acessas e todos correm para suas casas.

Como uma maldição, as marés gigantes são acompanhadas de uma Lua cheia, que poderia clarear toda a noite, mas as nuvens cercam a ilha, a única luz vem dos raios com uma coloração roxa. Cada flash de luz tira da penumbra por frações de segundos aquele lugar, que mesmo iluminado é preto, cinza e esfumaçado por um baixo nevoeiro.

Escrevi ao som de Ambeon – Fate of a Dreamer. A Astrid van der Veen, vocalista da banda, tinha 14 anos na época, e pasmem, produziu e fez letras e o diabo!
E depois tem gente que acha esses pirralhos chatos da TV prodígios.

O texto acima descreve um ambiente...
Para quem não sabe, já fui desenhista um dia. Pretendo voltar à ativa.
Para criar personagens você tem que ter um ambiente, as descrições e todos os detalhes.
Já fui um desenhista nota 8, e olha que sou bem exigente. Mas me joguei no mundo corporativo, ai fudeu tudo.
Para quem não conhece esse outro lado, tem o outro blog:
http://virtual3d.blogspot.com
Postar um comentário