domingo, 29 de agosto de 2010

Humor ou Drama? Comédia ou Ficção? ...Sei não!


O texto abaixo foi copiado de um blog que tem sacadas muito boas, o Saindo da Matrix.
O seu autor, como eu, perde um certo tempo lendo coisas que pouco interessam a grande maioria.
Coisas como água que irá faltar, energia que não será suficiente para nossas taxas de crescimento, alienação... Todas essas coisas que você não se importa por ter escolhido viver dentro da Matrix.

Antes, um apanhado da(s) ultima(s) semana(s)...

Mais uma empresa que "ama" os estúpidos 
Você não irá perder tempo vendo essa campanha da Diesel que sugere a seus clientes que sejam ESTÚPIDOS:
http://www.diesel.com/be-stupid
E claro, como existem milhares de estúpidos que adoraram a campanha, você terá vergonha de falar que isso é idiota. Ainda por cima terá orgulho de comprar uma calça por mil reais.

Coisas que todos sabem, mas... deixa pra lá...
E quem dera você ler Thomas L. Friedman, e entender que tudo que se fala de ecologia e sustentabilidade é uma grande babozeira: Doha and Dalian

Somos melhores que o RJ - Aqui não perdemos balas
E se você for um Pernambucano orgulhoso, irá odiar os britânicos por terem feito um documentário sobre a violência em Recife, um lugar onde convivemos com uma média de 320 homicídios POR MÊS.
“Unreported World” é uma serie que exibe as cidades mais violentas do mundo, o episódio que trata sobre o Recife chama-se "Os Matáveis" (The Killables).
Novamente você irá preferir o conforto da Matrix.



Ei, você!

Lady Gaga, Britney Spears, Shakira, Christina Aguilera. Além de serem "cantoras" e loiras, qual a outra semelhança entre elas? Seus clipes, onde o sensual se confunde com o grotesco. Propositalmente.
A perversão do sexo não é algo novo; é tão velho quanto a humanidade, e segue a tendência do ser humano de perverter tudo. Boas idéias às vezes surgem disso, como duas mulheres besuntadas de óleo se agarrando num ringue de gel, mas a verdadeira perversão a que me refiro é a das IDÉIAS, conceitos, e não de posições ou preferências sexuais (então não adianta vir com bandeiras e defesa de movimentos, que não tem nada a ver com isso).

A gota d'água que me fez escrever isso foi o clipe da Christina Aguilera "Not Myself Tonight". Eu estou longe (muito longe) de ser um puritano, e confesso que a experiência de ver a Christina de calcinha vermelha foi maravilhosa, mas o saldo geral que ficou foi triste, uma saturação de imagens e situações que eu preferia não ter tido, ainda mais vendo um videoclipe. O último clipe da Lady Gaga foi como uma visita ao inferno, com ela de guia turístico. Não era sexy, não era atraente, então qual o atrativo aqui? Perversão? É isso que estamos cultivando como valores visuais, sociais e de promoção? (não vou falar de moral aqui, afinal clipes não são aulas de moral e cívica). É inegável que o entretenimento em massa exerce uma influência considerável na sociedade, especialmente nas novas gerações. Somos irmãos mais novos da Madonna, da sua fase "Vogue" e "Erotica", e hoje vemos ela ser imitada na MTV (algo que é publicamente reconhecido por todas essas cantoras listadas acima). Só que Madonna seguiu em frente: Ela teve fase sexy, espanhola, eletrônica, wicca, mãe-de-família, disco, etc. A imagem que Madonna passa é de uma mulher completa, bem resolvida, que curtiu tudo o que tinha de curtir e pode assumir qualquer faceta de sua personalidade.

E hoje, o que cultuamos? Uma fração do que Madonna foi, e potencializamos isso ao ponto do grotesco. A imagem que passa para as mulheres (especialmente as novinhas, que estão em formação de caráter e são "amamentadas" pela mídia) é a de que pra se impor é preciso ser uma dominatrix, ou seja, transbordando sexo pelos poros e com uma postura excessivamente MASCULINA. ISSO é perversão. Se formos buscar isso em Madonna vamos achar sua fase andrógina, com várias posturas masculinizadas (demonstrações de "força" e "poder") aqui e ali mas nunca uma caricatura como vemos hoje. Então não, isso não é uma homenagem à Madonna, isso não é uma libertação da mulher, na verdade isso não é nem uma mulher, e sim um subproduto grotesco da mídia que tem por trás o desejo de uma certa parcela dos produtores de conteúdo (que dominam o mundo da moda) de subtrair o verdadeiro poder e papel da mulher na sociedade.

Quando se diz o ditado "por trás de um grande homem tem sempre uma grande mulher" erroneamente se concebe um verdadeiro líder, viril, e uma mulher submissa e compreensiva que, com seu sacrifício, ajudou-o a estar ali. Quando crescemos e conhecemos a natureza feminina é que percebemos que ELA é quem o moldou (ou manipulou) para que ele chegasse ali (muitas vezes sem que ele o perceba). Seja como mãe, namorada, amiga ou esposa, a mulher é como um rio que, com sua força, marca a fundo a geografia masculina e nos irriga com vida e, às vezes, destruição. É uma potência divina, e como tal deve ser usada e dosada. Quando se PERVERTE essa energia (e não estou falando de sexo) estamos na verdade criando diques e desvios nesse rio que, sabemos, irão causar transtornos ao ecossistema e até mesmo a morte desse rio (e o Mar Morto é um exemplo dessa exploração errada).

Conheço adolescentes "criadas" por Britney Spears que acham legal se comportarem e se vestirem como prostitutas (embora não o sejam de fato). Numa fase onde a auto-afirmação é fator predominante e a personalidade está cristalizando, que tipo de gente estamos criando? Os japoneses são os reis da perversão. E são o exemplo mais pungente do sentido em que quero usar essa palavra. Primeiro, porque a sociedade CASTRA a sexualidade explícita japonesa em TODAS as mídias de forma cínica, que foca tão-somente nos órgãos genitais (o que já é uma perversão). O resultado é que os japoneses desenvolveram novas formas de explorar sua sexualidade graficamente, e com o passar do tempo o que era uma metáfora virou o objeto de adoração! Calcinhas usadas são mais valorizadas por eles que o "conteúdo", se é que você me entende. Os caras lá tem uma tara por tentáculos (isso mesmo, TENTÁCULOS de polvo! Freud explica) penetrando por todos os orifícios das mulheres. A mulher de lá, submissa culturalmente por milênios, até hoje é uma "vítima" do sexo e aprendeu a associar dor e violação como "prazer" no ato sexual. E tudo isso são perversões que vão destruindo o bom viver (se não acham, perguntem às japonesas molestadas nos metrôs) e corrompendo um dos pontos de maior sustentação de uma sociedade, que são as mulheres! Mas, mesmo com toda essa perversão, os japoneses ainda têm arraigados na sociedade a idéia de família e educação como base de lançamento para a vida. Nós, ocidentais, não temos. Então, o que será da gente?

Posso parecer um velho rabujento valorizando o passado, mas não é o caso. Adoro os tempos atuais, onde a pessoa pode ser o que ela QUER ser. Só não curto quando vejo que, mesmo num mundo aberto a tantas fontes de informação a manipulação da mídia continua atuando pra influenciar as pessoas a serem o que ela (a mídia) quer produzir. É como o cachorro correndo atrás do próprio rabo, onde o desejo alimenta a mídia, que alimenta (e cria) o desejo. E fica nisso! Não há novas aspirações no sentido de mudar o foco, apenas um desejo cada vez mais doentio! E novamente invoco a figura da Madonna (que estou usando propositalmente como a personificação da mulher), que acompanhou (diria até liderou) a libertação da mulher na sociedade machista e competitiva, e que soube se TORNAR um produto sem SER um produto. As músicas são um atestado dessa transformação/busca: O sofrimento e insegurança feminino em Borderline, a aceitação e inversão do papel de mulher-objeto em Material Girl, a ode à independência em Express Yourself, a transição da garotinha pra mãe em Papa don't preach, a dominatrix em Erotica, a valorização da elegância em Vogue, a instrospecção de The Power of goodbye, a tristeza de Take a bow,a fase TPM em What It Feels Like For A Girl e o pingo nos is de Human nature... enfim, várias facetas do feminino, sem se deter em nenhuma. Madonna é conhecida por ser um camaleão, mas o que é a mulher senão uma esfinge que, se não decifrarmos, nos devorará? (especialmente na TPM).


Ei você,
Lembre-se disso
Nada disso é real
Incluindo o jeito que você se sente

Primeiro ame a si mesmo
Então você pode amar alguém
Se você conseguir mudar alguém
Então você salvou alguém
(Madonna)

Meu comentário no Saindo da Matrix sobre esse texto:


Primeiro...
Estou batendo palmas de pé!
EXCELENTE!
Fazia muito tempo que eu não entrava aqui. E fiquei impressionado!
Eu faço o mesmo tipo de comparação com Madonna sempre.
O grotesco parece ter dominado o mundo, e isso vai muito, mas muito mais além de simples reverberação de adolescentes desmiolados.
Madonna levou uma década para conseguir ter MILHÕES de ouvintes. Hoje, "alguém" vai no Last.FM em um treco chamado HYPE MACHINE e diz que "Zé Mané" é o máximo, e em 2 horas um vídeo já foi visto por MILHÕES de pessoas.
É como a popularidade do Lula, não adianta você tentar argumentar, se 80% aprova, pronto, é ótimo... E ai de você se não "AMAR".
E por favor, não tentem me convencer que existe sensualidade em Lady Gaga, mesmo o mundo sendo gay, sou hetero ordodoxo, e não conseguiram me convencer até hoje que essa abominação da Gaga não seja um travesti.
Não sei se a sociedade ocidental irá destruir por completo o belo ser que é uma verdadeira mulher feminina, mas quando vejo as novas gerações e como as mulheres aceitam ser tratadas hoje em dia... E como os caras tem medo dessas fêmeas contemporâneas, talvez essa seja a receita na natureza para o controle da natalidade.
PS:
Gostaria que me permitisse copiar descaradamente esse texto. Citarei a referência, é claro.
Abraços




Vamos lá, tomar o nosso Brawndo!
Ah! E eu queria dizer a Madonna que já tentei salvar algumas pessoas, e sinceramente, cansei... Que virem estatística.
Melhor gastar meu precioso tempo do lado de pessoas que escolheram ficar fora da Matrix. 
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