segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vida que Segue


Nos últimos dias meu cérebro tem funcionado acima da velocidade que estava padronizado nos últimos meses de vida. A Sinapse das idéias tendem a atormentar o bom sono, mas quando sobra pouco tempo para si mesmo da nisso. E alguns teimam em achar que essa pressão sobre o tempo pode apagar amores, dores e problemas, não é verdade.

Envolto em minha gripe, numa tarde quente e nublada, jogo-me na cama, ligo o ar condicionado no máximo e vou escolher um filme para ocupar o tempo vazio. Escolho “Vida que Segue”, Vida que Segue (no Brasil) Sonhos Desfeitos (em Portugal) e Moonlight Mile (O original), que segundo as indicações dos usuários do MUBI é um filme desses que merecem todas as estrelas permitidas na pontuação.

A legenda estava dessincronizada e ainda por cima em português de Portugal. Sincronismo tem jeito, traduções com gírias e erradas, não. Mas, parecia ser um bom filme, e tentei usar meu fraco inglês de ouvido junto com as legendas meia boca. E foram inevitáveis os cochilos. Adormeci.

Quando enfermo, uma pessoa tente a misturar sonhos com a realidade, passando por momentos onde acorda, olha ao redor e volta a dormir. E minha pobre cabeça não parava de formular estratégias corporativas, tecnologias disruptivas, processadores, memórias, redes, e tudo quando é coisa ligada ao meu dia a dia. Finalmente o R.E.M passou a ser sossegado e apaguei.

Acordei por volta das 00:00h. Lembrei que não havia jantado, e gosto de levar a sério isso de ter todas as refeições. Liguei a TV (Péssimo vicio de comer vendo TV), e estava começando um filme que já vi por duas ou mais vezes. É um desses filmes que você aplaude o justiceiro, se sente vingado e aprecia ver a derrota dos bandidos, porém, como não é a primeira vez que vejo esse roteiro, fiquei me perguntando o quanto filmes afetam as pessoas, e se quem assiste isso, passa a acreditar que um cidadão comum pode, da noite para o dia matar outra pessoa (mesmo que o pior dos bandidos), e sair assobiando e comprar chicletes na esquina todo sorridente. Mesmo que eu tenha mudado muito nos últimos anos, achando que bandido bom é bandido na cova, sei que decidir sobre a vida ou pior, executar um ser vivo, não é algo que seja uma escolha fácil ou que o camarada leve isso até seu fim de vida como algo banal. Não, não é!

Ver em um mesmo filme a Jennifer Aniston e o Vincent Cassel é algo estranho. Uma, é bela e vem na cabeça o lado fofoca da vida publica de famosos: “Como diabos o Brad Pitt largou essa formosura por uma Angelina Jolie que nada mais é do que puro marketing (Ela pode fotografar bem, mas o que vale é nua, e ai nem tenho dúvidas que a Aniston ganha). O Vincent Cassel eu detesto há muito tempo, ele é o típico cafajeste sujo, ao mesmo tempo, me faz lembrar que mulheres se decompõem por caras assim, diga-se de passagem que ele (feioso como é) pega a gostosa da Monica Beluci.

O filme "Fora de Rumo" é basicamente a rotina de uma família normal, onde a filha que sofre de diabetes tenta ganhar um novo rim. O casamento já fraquejando, pinta a golpista sedutora da Jennifer Aniston. No final, o Clive Owen mata todos e vai na esquina comprar um chiclete. A historia acaba, e eu fico divagando sobre como o cinema e a TV tornam as pessoas burras e figurantes de uma pantomima voltada a vender produtos.

Após o filme, começa o programa do Serginho (Gayman) Groisman , que tem como atrações: O lutador top do momento Anderson Silva, o ator Diogo Vilela falando de sua peça Gaiola das Loucas, o cabeleireiro da Dilma e para não ficar só na boiolagem, a cantora que quer cuidar de idosos (por um belo salário e publicidade, claro) Paula Fernandes.

Ver Anderson Silva com sua voz de menina, que é patrocinado por outro sujeito estranho e papa travêco, Ronaldinho Tireóide... Diogo Vilela que é pelo menos uma boneca comportada, tudo bem... A gatinha da Paula Fernandes tem uma voz bonita... tudo bem...
Até que começa um show que faz parte da peça Gaiola da Loucas, ai pronto, meu limite de viadagem chegou ao máximo, fui dormir.
Meu irmão tem uma tese que os membros da família Marinho são todos boiolas, e eu tô começando a acreditar. Nada contra os bibas, mas pohha! Ainda existem héteros nesse mundo... Cadê os programas com garotas de camiseta molhada? “Cadê os pógrama pra macho pô?”

Como ainda não conseguia dormir sem pensar em specs, clock de cpus, nodes, renderfarm, algoritmos, dólares, garotas de biquine, etc... Usei o celular como reprodutor de musica, mesmo sabendo que a coletânea ali presente é de deixar o sujeito enterrado na lama até o pescoço.
Começou com Smiths, foi para Devics, Trespassers William, Band of Horses, Doves e mais um punhado de lamurias. E meu coração e mente fizeram uma triangulação com tudo de bom e ruim que vivi em 2010. Foi o suficiente para ir dormir do tamanho de um feijão.

Acordo com a sensação que ainda não me entreguei ao desleixo e a falta de sentimento que existe nesse mundo moderno onde só se fala em consumo e grana. Pensei na mesma hora: Tenho que ver aquele filme...
Após um café da manhã com chá e muito limão (tentativa de curar a gripe), volto ao filme que havia largado logo no inicio...



Moonlight Mile
Se você leu até aqui, é sinal que não tem muito o que fazer, e sendo assim, lhe aconselho a não continuar. Vá ler algum site de fofoca. Brincar de ver a vida (vida?) alheia de pessoas no Facebook ou Twitter. Nesse cantinho aqui, as coisas costumam serem verdadeiras ou quase isso, e quando se trata de filmes para fazer o sujeito dar um nó nos miolos, ou usar um lençol para enxugar as lágrimas, eu aviso logo, não leia. (Isso não é para proteger quem lê isso aqui, é para evitar que algum babaca venha comentar que o filme e ruim... E isso não me ofenderia, mas me deixa a brecha para chamar o sujeito de burro). Agora que você já descobriu que não sou flor-de-cheirar, vaitimbora!

Rammm rammm, hrummm, voltando... (Isso foi uma simulação de pigarro)

Quando você assiste um filme com o Jack Gyllenhaal já sabe que é história de bom moço que no final se ferra. Ou na melhor situação, ele é um alienado e excluído da sociedade por ter hábitos estranhos para o padrão (tudo bem que o padrão hoje é ter tatoo e usar drogas, mas esquece e pense em padrões antigos). E é quase isso mesmo o que acontece no filme, mas não vou contar detalhes é claro. Ele é um rapaz que ainda está meio perdido por um destino traçado, e que o leva a morar com os pais de sua noiva. O filme começa lento, muito lento. Não chega a ser um enigma, mas para os menos atentos pode ser difícil entender o que está acontecendo. E eu lhe aconselho, se você for uma pessoa que tem coração preparado para sentimentos nobres como o amor, não pare de ver o filme logo no inicio, dê uma chance.

Todos os filmes que entram na minha vida para marcar, tem algo em comum, são lotados de frases e diálogos muito bem construídos, e mais uma vez, para quem não tem paciência, o inicio do filme pode parecer insano, mas os sentimentos vão aflorando, transbordando e deixando o espectador com um ar de torcedor, querendo que tudo acabe bem, afinal, aquelas pessoas podem parecer estranhas, mas são lindas e poéticas.


Dustin Hoffman é um dos meus atores favoritos, muito comum eu adorar os filmes onde ele aparece. É como se o seu perfil fosse sempre igual, e que no lugar do casting escolhe-lo, ele que escolhe o filme. Sua atuação é como sempre complexa. Inclusive o  Jack Gyllenhaal parece ser a versão do Hoffman adolescente. Ele faz o papel do pai da noiva, e ninguém menos fantástica que a Susan Sarandon é a mãe.

A cena em que a Jojo (Susan Sarandon) descreve como consegue suportar um casamento de 31 anos é de fazer os pulmões tremularem como se você tivesse tomado todo um litro de xarope expectorante.
A preocupação do personagem Joe Nast (Jack Gyllenhaal) em proteger as pessoas, ser verdadeiro e guardar para si mesmo todas as dores, é de você pensar muito sobre a vida e como você trata quem te ama, e a quem você ama.

A Jojo é a típica mulher poderosa que conseguiu manter um casamento. Nada fácil, já que seu companheiro não poderia ser tachado de bunda mole, e ao mesmo tempo é preso em vários TOCs como atender telefone, trancar portas e o singelo vício de colocar adesivos com o nome das coisas em italiano, inclusive uma das palavras mais bonitas nessa língua surge de uma forma que une tudo, Cielo (Céu).



E se minha gripe, anexada a um sono ruim estão me atrapalhando... As musicas do meu celular me lembraram datas, pessoas, momentos, e de quem eu sou, e que caminho devo trilhar (já que andei desvirtuando um pouco meu trajeto).

Acordar e ver um filme como esse, me renovou, na verdade, renovou minhas esperanças. Tudo por conta de frases. Frases perfeitas. E se você gosta de filmes assim, não deixe de ver esse, pode mudar sua vida, ou relembrar quem você realmente é. Imperdível.

PS: Nos créditos começa a tocar “Song to the Siren” musiquinha já comentada mais de uma vez aqui (no blog), só que dessa vez na voz de ninguém menos que Robert Plant.

PS2: Tenho que procurar mais filmes com Ellen Pompeo  :)

PS3: Termino de escrever isso ao som de Kuduro, graças a um vizinho, que espero do fundo da minha bondade infinita, e ainda tocado pelo filme, que ele tenha um infarto desses que o sujeito chega no hospital todo cagado, ai ele vai entender o que é cuduro. Tô brincando, uma diarréia nível 5 já estaria de bom tamanho (desde que ele desligue essa mierda).

Abaixo vai a música citada e mais outras que se encaixam bem com o referido filme, ou pós filme... Porque a soundtrack do filme é só rock anos 70 (Moonlight Mile por acaso, é uma música dos Rolling Stones)

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