domingo, 26 de junho de 2011

Redes Sociais e a molecagem



Julgar sim, mas com base
Uma das coisas mais fantásticas da Internet é o modo como tudo se torna público e termina virando um tribunal. Diferente das mídia lentas e arcaicas como o jornal impresso (isso ainda existe?) ou TV, tudo acontece em tempo real. O "Certo ou errado" deixa de ser conceito para se tornar algo vivo, onde cada um pode criar sua interpretação.

Particularmente eu sempre tive uma ótica aberta quanto a liberdade que a Internet gera, mas sou crítico ferrenho do exagero e da falta de ordem (e olha que o blog se chama Caos...). Pequenos grupos podem gerar grande prejuízo, e em nome da "liberdade" aceitamos o inaceitável. Muitas vezes escolhas coletivas e julgamentos são decididos pela opinião de um grupo pequeno, ou até mesmo de uma uma voz, por ser considerado "Guru".
Esses julgamentos precipitados podem terminar em tragédias pessoais ou coisas muito piores que a babaquice da vez, que é chamar tudo de bullying ou proibir "tags" como negão, branquelo ou cabelo de fogo (não esqueci nem dos ruívos).

A Internet tem se tornado cada vez mais viva, com mais e mais gente torrando horas a fio em frente a telas gigantes ou minusculas. Ou você tá levando MILHÕES de feixes de luz do contraste de uma tela LED de 22" ou apertando o olho para ver notícias irrelevantes na telinha de 3" do celular.

O mundo hoje é conectado, mas a realidade ainda é aquela feita na vida real. Ainda sentimos frio e calor, raiva e amor, só que a sociedade conectada ainda está em formação, e as mudanças são absurdamente rápidas. Na minha humilde opinião, não precisamos dessa velocidade toda. Não precisamos de carros com 5 lugares para transportar apenas um ser humano e 60 litros de combustível.

Nos últimos meses me bateu uma sensação muito estranha, e passei a ver a Internet sim, como parte da sociedade mutante, não apenas como um meio de comunicação. A rede hoje ajuda você a comprar, ver roteiros de viagens, ler notícias, e uma infinidade de coisas, mas o mais importante, passa a alimentar sua base de dados pessoal para realizar julgamentos.

Recentemente um boato de que a Microsoft comprou a Nvidia fez muito barulho nas comunidades de Geeks e Nerds de Shopping, aqueles babacas que acreditam entender de tecnologia e são "os caras" na ótica dos "tios" que não entendem absolutamente NADA de Internet. Isso evidencia que boa parte das pessoas que são tomadores de decisão, lideres e até mesmo Gurus, não entendem mesmo é do que está por trás da Rede: GENTE.
Essa notícia falsa (pelo menos até agora), me chamou atenção em particular por não ter chegado aos principais meios de comunicação, inclusive sites especializados. Ou seja, os grandes e médios estão aprendendo mais sobre como lidar com esse meio de divulgação anárquico que é a Internet. Fazendo o trabalho antigo e chato do passado, que é checar a veracidade da notícia antes de divulgar.
Estamos todos aprendendo com os erros, e parece que finalmente a responsabilidade está chegando nesses formadores de opinião.

Você ainda irá odiar ele

Especialistas em Redes Sociais
O mais legal das histórias cíclicas da caça ao ouro, é que pessoas das mais diversas tribos sempre arrumam um jeito de ganhar o pão com sonhos alheios. O mais novo boom da mineração são as comunidades sociais. Todos acreditam que irão ficar ricos de alguma forma, manipulando a avalanche de leitores presentes no mundo virtual. E eis que surge uma nova profissão, o Especialista em Redes Sociais.

Se eu pudesse traçar o perfil desses novos "profissionais" eu diria que são:
Jovens com até de 26 anos;
Já bebem e fumam, mas só para contradizer mamãe e papai ou para ficar bonito na fita com a galera;
Usam roupa da moda, e dizem que eles mesmos criam sua moda (Hipsters);
Possuem mais de 500 amigos no twitter e facebook;
São nativamente ecléticos, já que DEVEM gostar de tudo que surgir no youtube e tiver mais de 100.000 views;
Sabem de TUDO, basta ler duas linhas de textos no primeiro resultado que aparecer no Google;
Se transam (se é que conseguem), marcam no Foursquare o local da realização do evento.
E a característica mais marcante, são desprovidos de opinião própria, seguem fóruns de debates sobre games, assuntos da moda e animes japoneses, e se a Intel ou Nvidia patrocinam os sites, passam a ser a luz do fim do túnel, a verdade magnânima.
Isso não seria assustador se esses profissionais tivessem 12 anos de idade.

Mas não precisam se preocupar, a realidade tende a mostrar que mineradores e jogadores que querem ganhar fácil terminam no fundo do poço... Ou da mina, soterrados pelos bits, ou mortos de fome pela falta de cliques do mouse. Não percebeu que sobram faculdades de administração, tecnologia e direito? Curiosamente são os mercados que mais faltam profissionais qualificados.

Pode até ser que em algum momento surja uma faculdade com essa nova formação - Especialista em Rede Sociais - mas acho pouco provável que a sociedade se congele e espere ser entendida por um grupo de mineradores/saqueadores/piratas. Provavelmente se esse curso durasse 4 anos, ao final desse curto tempo o Facebook sequer exista.

Se você quer entender melhor a diferença entre A Corrida do Ouro e a real vida profissional de estudiosos sociais, leia esse pequeno artigo do Andre de Abreu: Cuidado com o Especialista em Redes Sociais
E se você gosta de contra pontos, pode ler essa matéria com direito a uma entrevista do Silvio Meira, onde ele prevê o fim do Orkut, e coloca o Facebook no altar. Eu que não sou especialista em Redes Sociais, só tenho a humilde opinião que o Facebook é feio, chato e com uma usabilidade que é do tempo das cavernas. O Orkut que dizem ser velho e para pobres, é a prova que o coletivo tende a usar o que é fácil, legal e prático. Mas os especialista amam o Facebook, então você que quer ficar na moda, adora a rede social do Mark Zuckerberg. Quando os primeiros problemas graves surgirem com a autenticação (aquelas coisas que pedem para você se logar usando a senha do Facebook) e a OpenGraph (protocolo usado para criar aquele botão CURTIR - E você que é programador Web já deve odiar ter que estudar um código que pode morrer tão rápido quanto surgiu) for tudo para o saco, lembrem-se de seus amados Especialistas em Redes Sociais, eles estão torrando seu tempo e dinheiro. (Com poucas exceções).

A Nuvem e os Hackers
Não vou perder tempo explicando a diferença entre Hackers e Crackers (ninguém vai ler isso aqui mesmo), mas você que usa a Internet apenas para se divertir, estudar ou namorar, já devia ter aprendido que a rede é sim, insegura. Mas quem disse que na vida real existe algo seguro?

Você pode pegar um carro, avião ou bike e não voltar mais para casa. Pode sair do banco e perder toda sua grana, levada por um meliante qualquer, e porque na Internet seria diferente?

Se você deixa sua senha de banco ou cartão de crédito em cima de uma mesa de bar, a chave da casa pendurada na porta pelo lado de fora, ou ainda transa sem camisinha, é evidente que você corre maiores riscos que alguém precavido.

Os últimos ataques a sites do governo como Petrobras e IBGE (e muitos outros) mostram o quanto é importante ter gente competente administrando sistemas conectados.

Os ataques a sites nacionais não são obra de entidades organizadas por gênios e malfeitores querendo roubar bancos e armas nucleares, são apensas cheira-colas com tempo livre e um computador conectado.
Eles não são Hackers, muito menos Crackers, são apenas jovens que querem chamar atenção e provar que são o que não são.

Sem palavras...

Pessoas realmente dotadas de talento e inteligencia, ao descobrir brechas em sistemas de segurança agem como os especialista do Vulpen Security e apenas comunicam o que encontraram, e mesmo assim, se souberem que a brecha é facilmente exposta, não tornam a coisa publica até o "defeito" ser consertado.

Pichadores de sites (ou mesmo de paredes) são apenas vermes. Gente que acha divertido criar tumulto e chamar atenção sem ter o menor senso artístico ou técnico (Lady Gaga, Eminem, Marcelo Tas, etc).

O único lado positivo dessas pichações é mostrar o quanto é importante ter profissionais REALMENTE qualificados na construção de ferramentas para Internet. Outra necessidade mundial que a cada dia se torna mais eminente, é a construção de leis internacionais para o uso e administração da Internet, onde o compartilhamento de informações entre países pode ajudar a elevar a segurança e punir moleques disfarçados de revolucionários digitais.

Agora, se você quer rir muito, chorar, ficar assustado, ou ainda perder tempo tentando descobrir se os fatos são reais ou não, leia esse artigo: Fraude na Eleição Presidencial de 2010.

Não sabe ainda quem são esses malucos das fotos presidenciais? Olha que interessante, até os PTistas acreditam em Especialistas em Rede Sociais, e olha o que dá: Após gafes na internet, Marcelo Branco pode deixar campanha de Dilma

Redes Sociais

Mas é aquela história, ladrão que rouba...
Tirem suas próprias conclusões...
Eu só sei que o governo do Brasil tem um projeto chamado Portal do Software Livre que tem como idéia base transportar TODOS os dados da administração nacional para plataformas construídas em OpenSource. Esses ataques "Hackers" (Crackers na verdade) irão render uma boa grana para essa galera do Software Livre. Enquanto isso nos EUA, 80% das faculdades usam a plataforma Google, sem pagar ou pagando pouco. Boa parte dos governos municipais e estaduais da América também já usam o Google. E como por lá o governo entende melhor quanto são importantes as redes, para fornecer serviço ao estado, empresas nas Nuvens devem ter as certificações SAS 70 II e FISMA. Para não acharem que é jabá para o Google, tem mais uma briguinha da Microsoft querendo parte do bolo: Microsoft: Google mente sobre certificado de segurança. O problema é que não só os sistemas do governo do Brasil não passam em testes, os operadores também precisam de habilitação.
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