quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Dogville

Fim de semana é algo que deveria ser sagrado.
Um fim de semana sem um bom filme é o mesmo que namoro sem beijo.
E um filme de Lars Von Trier sem chocar é o mesmo que filme de David Lynch sem personagens estranhos.

Eu sou péssimo em decorar nomes, tanto de pessoas como de filmes, às vezes fico muito tempo sem ver um filme porque confundo o nome do dito cujo com outro que tem nome parecido. É algo quase que burro. Deixei de pegar por várias vezes “Dogville” porque o título me lembrava “Smallville” J

Se eu tivesse lido algo sobre o filme antes, saberia que é do mesmo diretor de “Dançando no escuro”, que além de trazer Bjork como uma figura totalmente fora do universo, amável, inocente e desprotegida, mostra como a vida real pode ser injusta.
Em Dogville o Lars Von Trier criou outro personagem imune ao mundo cruel. Dessa vez a coitadinha é a Nicole Kidman, assumindo o papel de Grace, uma mulher linda que foge de gangsters no período da grande depressão americana.
A estética do filme é intrigante, tanto quanto Dançando no escuro, imagens tremidas, fora de foco e para completar, as cenas são rodadas em uma cidade que só existe em riscos no chão. Isso mesmo, o filme não tem um cenário lindo, nem um som Dolby que só Deus sabe quantos canais tem e nada de trilha sonora que vende até em supermercado. O filme é voltado à história.
Fica cada dia mais difícil aceitar filminhos ridículos com fogos de artifício e baboseiras. O custo de produção de Dogville deve ter se baseado no cachê da Nicole Kidman.

Aqui no Brasil existe a lei de incentivo a cultura, que é a mais pura balela. Acredito que 10% dos projetos aprovados são realmente cultura, o resto é dinheiro queimado.

O curioso é que os bons diretores nacionais começaram a trabalhar fora do país.

O Brasil já teve a Atlântida e a Vera Cruz, centros de produção cinematográficas de dar inveja (na época), e hoje nosso cinema se baseia em financiamentos governamentais ridículos. Arte não pode ser obra de governos, incentivo governamental é esmola, e a esmola só empobrece mais ainda qualquer alma.

A Austrália e a Índia possuem estrutura para produzir filmes as centenas. Claro, nem tudo se aproveita, mas existe um mercado consumidor que vive sem dinheiro governamental.

Enquanto não nasce um Lars Von Trier patropi, quem tiver saco vá assistindo Os Dois Filhos de Francisco e O coronel e o Lobisomem. (Eca!)

Se você já é cinemaníaco, o filme vai deixá-lo babando (de fúria ou de prazer).
Se é um novato, pode achar o filme até chato, mas assista desarmado e vá até o final, depois pense na vida, e lembre-se do subtítulo do filme: "Uma pacata cidade não muito longe daqui".

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