quinta-feira, 26 de julho de 2007

Fuck your brain

Blog, msn, Orkut e até contatos pessoais de curto e médio prazos não são boas referências de um ser tão complexo como nós humanos. Pelo contrário, conversinhas bobas de MSN ou textos engraçadinhos em blogs podem dar um ar de “Nossa que pessoa legal”. Ou ainda “Nossa, que idiota”, “Que babaca grosseiro(a)”, e por ai vai. Resumindo, conhecer alguém a fundo é uma arte e coisa que às vezes leva anos, mas claro, adoramos achar que conhecemos alguém só no primeiro olhar.

Para variar, costumo fugir do tradicional. Não faço interpretações imediatas, pelo menos não quando a pessoa quer se mostrar aberta logo de cara.
Os jovens demais tem o ímpeto de serem agressivos (mas nem todos), os experientes vendem um peixe que muitas vezes foi moldado para aquele momento. Se for hora de ser baiacu, o sujeito incha e fica cheio de espinhos, mas se o conveniente é ser doce e bonitinho, o cara se transforma em um belo peixe palhaço.

Um baiacu e um paixe-palhaço

Quando jovem convivi com gente muito mais velha. Detive-me a aprender a olhar as pessoas e como elas se moldam a sua necessidade, inclusive eu.
Ninguém por mais rebelde que seja, foge da regra de se mascarar de acordo com a conveniência, uns mais outros menos.

Mas porque diabos todo esse papo furado?

Há alguns meses participo de um projeto super legal.
Consiste em trocar experiências por e-mail com jovens que querem crescer na vida.
Algumas pessoas como EU, fingem ser muito ocupadas, super atarefadas e deixam no ar a impressão que um dia irão dominar o mundo. Trocar e-mails com outro ser de carne e osso não vai tomar mais tempo do que um assalto, que você pode sofrer a qualquer instante nas capitais do Brasil.

Um amigo (provavelmente mais louco que eu) me apresentou a idéia e tornou-me um dos mentores (patente referente ao orientador do jovem, denominado de mentorado).
Até agora tive 3 mentorados. O primeiro conseguiu um emprego e já está lutando pela vida. A segunda era uma menina que não deve ter gostado dos meus e-mails. Como não existe contato pessoal, e não chegamos a trocar mais que 5 e-mails, acho que meus textos de auto-ajuda sem ter nada de Louis Vuitton ou “meu carro é um Audi” desanimaram a garota.

Minha terceira cobaia é um jovem tão legal e ambicioso quando o primeiro. Em comum sinto a vontade de vencer, o jeito fácil de falar das dificuldades e a visão de um futuro mais próspero.

Me identifico com esses jovens. Nasci pobre e continuo na luta por uma vida melhor.

Mas o que eu me pergunto é: Eu sou uma boa referencia? Estou ajudando esses garotos?

Acho que além de complicado, a resposta terá que esperar anos, ou décadas.

Tive meus mentores, e alguns deles me pareciam só idiotas, hoje vejo o quando me ajudaram.
O âmago da história é: será que eu sirvo de referência?
Na dúvida deixei um alerta no ultimo e-mail para meu amigo mentorado:

Ele:
Se você é um bom ou péssimo exemplo eu não sei, mas admiro pessoas que pensam e agem assim como você: Sem dá muito valor para coisas que às vezes são insignificantes como você mesmo disse certificados. Mas que não se conforma com o que é imposto pela sociedade e pelo governo, vai à luta e consegue vencer na vida de uma certa forma como você fez.

Eu:
Se liga, eu não aconselho a ninguém viver como eu vivo, pensar como eu penso. Maioria das pessoas morreriam antes dos 30 tentando fazer as coisas perigosas que faço... Infarto ou derrame cerebral devem constar na minha bula na parte de efeitos colaterais.


Corre atrás de certificados e diplomas que são importantes sim!
Hoje, você pode ser super competente, mas nem chega na entrevista se não tem um canudo.
Claro, o cara pode ficar rico vendendo abacaxi... Mas é mais fácil viver sobre as regras da sociedade (Mas isso não tem lá tanta adrenalina).

Por isso eu digo...
Não façam o que eu mando, nem façam o que eu faço. Simplesmente tomem sua própria decisão.

Se você é educador ou quer ajudar de alguma forma em algum dos projetos, é só entrar:
http://www.pontocidadao.org.br

O Ponto Cidadão é uma dessas ONGs sérias, e em um país que o povo é esquecido, cada um tem que fazer um pedaço do trabalho que nem deveria existir.
Tenho orgulho de ter amigos que largaram sua zona de conforto para lutar por sorrisos alheios. [Fiquei sem o parceiro de rapel, mas fazer o que!?]
Postar um comentário