segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Touch

Não posso negar, sou um felizardo.
Infelizmente por não ter tanta coragem larguei o mundo do desenho ainda muito jovem.
Não era fácil conviver com pouca (nenhuma na verdade) grana e viver de arte. Tentei unir as duas coisas, prazer e sobrevivência, entrei no mundo da animação e modelagem 3D para maquetes eletrônicas e comerciais de TV, nesse mesmo período descobri o que era multimídia, e expus o primeiro quiosque multimídia e interativo do Brasil... Isso em um computador de 14 MHz e maravilhosos 2MB de RAM. Foi a primeira tela touch Screen que muita gente viu na vida. Como sou muito mais pratico que teórico, e burocracia sempre foi algo que não me agrada, nem sei exatamente a data deste fato, mas foi por volta de 1993/94 em uma exposição do setor transportes no Center Norte em São Paulo.

Multimídia nessa época era algo que os descolados tentavam dar uma tradução, mas aqui pra nós, naquela época os descolados eram na verdade um bando de empreendedores tentando ganhar grana. E como toda área onde muita gente quer participar, destacam-se os grandes nomes ou acontece o pior, a briga por preços se instala e o mercado que parecia propicio simplesmente evapora.

Como multimídia ainda é algo levado pouco a sério até hoje, imagine como não era difícil explicar a um diretor de empresa, acostumado a lidar com toneladas de papeis e carimbos o que é ter prazer em se divertir aprendendo.

Mais uma vez a sorte estava do meu lado, e fui trabalhar com a empresa que era o sonho de qualquer fanático por tecnologia e multimídia, a Silicon Graphics. Eu já não era mais desenhista, animador ou multimídia man, passei a ser um chato vendedor de maquinas voltadas a artistas. Mas não vou negar, foi o período mais divertido da minha vida e onde mais aprendi sobre tecnologia, gente e carreira profissional.
A maior lição que ficou para mim da Silicon Graphics foi a de que tecnologia não deve ser algo restrito ou difícil de usar.

Outra empresa que me deu aula sobre mercado e tecnologia foi a Barco. Essa empresa Belga é responsável pela expansão mundial de duas tecnologias que fizeram o mundo chegar onde estamos, o rádio e a televisão. Não me esqueço de um engenheiro da Barco me explicando que a TV Colorida que usávamos na época era uma tecnologia mais que ultrapassada, na verdade era só uma gambiarra que transformava a tecnologia P&B em Cores. Ele falava de uma revolução que estaria para acontecer em alguns anos, o LCD que na época era usado em relógios de pulso passaria a ser usado em TVs de alta definição. Bem, demorou mais de uma década para que eu pudesse ver a primeira TV LCD.

Na continuação da vida, a Silicon Graphics quase sumiu do mapa e terminei adotado por outra empresa que não era pouca coisa, a Sun Microsystems, mas que era muito mais “quadrada” e bem menos divertida que a SGI (A Silicon Graphics passou a se chamar SGI como já era nomeada entre seus funcionários). Graças a projetos ultra secretos, a 7 anos atrás vi celulares rodando programas de TV, Radio e uma pá de tranqueiras que só estão chegando no mercado do Brasil agora.

Infelizmente a Internet ainda não é multimídia como deveria ser, os programas ainda não são fáceis como deveriam ser, e usar tecnologia para uma grande parte das pessoas ainda é chato e complicado. Ainda tem o fator enrolação, onde você pode está comprando uma linda TV LCD e só descobrir depois que precisava de algo chamado HDCP ou um setup-box para ver a prometida TV Digital.

Minha mente hoje ferve tentando apontar onde será o próximo boom, onde será a próxima tecnologia ”vaporware”, e como diabos eu perco o bonde toda vez mesmo estando no olho do furação.

Ah! Se você quer saber minhas apostas...

Interfaces visuais:


Softwares que aproveitem essas interfaces:











Softwares de navegação 3D com controle via luvas ou algo assim:











Quem vai estar na frente de tudo isso? Bota ai 60% das minhas fichas na Adobe e o restante na Microsoft. O Pessoal do Canadá, Japão e Australia devem colocar as unhas de fora, esses paises são os fornecedores de tudo que envolve tecnologias disruptivas.

Tem um tal de Jefferson Y. Han, que sabe do que estou falando.

Quer mais?
http://www.ted.com
http://www.tillc.com/patents.html
http://www.technologyreview.com
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