sábado, 19 de janeiro de 2008

Mais Estranho que a Ficção

Eu não resisto. Todo vez que vejo um filme que me deixa babando, quero logo contar aqui como foi minha experiência.

Cinema é uma das artes mais abertas que existe. Podem criar bilhões de filmes da Xuxa ou do Renato Aragão, mas sempre existirão aqueles malucos que fazem todo o trabalho voltado à diversão de pessoas com um pouco mais de miolo.
Mais Estranho que a Ficção, e daqueles filmes que há grande maioria não irá gostar. Ele é demorado, sem sangue ou camas trepidantes.

Quando vi o trailer desse filme no cinema e os atores que participam, imaginei que seria algo nada convencional ou popular, estava certo.

A historia de um auditor fiscal vivendo sua rotina matemática e programada. Só isso já é de uma chatice impar (Adoro filmes de fracassados. Já vi uns 10 ultra deprimentes). Mas a coisa não morre por ai. O protagonista começa a escutar vozes. Na verdade ele escuta uma narração do que está acontecendo com ele e seu meio. A voz é de uma escritora, que sei lá como, está escrevendo a vida gelada desse senhor contemporâneo. A base do filme é o fim do livro, que ela (a escritora) não consegue terminar. A única coisa que se sabe é que ela tem que matar o protagonista na sua historia. Para complicar mais ainda, o cara termina encontrando a escritora, e fica sabendo seu trágico destino.

O texto do final do filme é de fazer as lágrimas escorrerem. Antes de chegar nessa parte emocionante (que no fundo o filme inteiro é) pode ouvir quase completa uma das músicas mais lindas da historia do cinema, La Petite Fille De Mer do Vangelis. A primeira lembrança que me veio era que essa música fazia parte da trilha de Blade Runner, mas não é não. Vários filmes já aproveitaram essa maravilha, retirada do disco L'Apocalypse Des Animaux de 1973.

Bem, cada um vai tirar suas experiências desse filme. Mas as coisas que mais me prenderam foram... A fotografia – Digna de qualquer grande livro sobre Design moderno, cores pastel e tudo muito clean. Dá gosto ver as cores suaves e um foco tão limpo que dá impressão que a película foi trocada por fotos digitais (Se você saca um pouco de cinema e parte técnica no negócio vai babar...).

O Dustin Hoffman no seu papel de professor literário é outro ponto forte. Fiquei fã desse tipo de interpretação dele depois de “Huckabees - A Vida é uma Comédia”. Adoro esse saro com analistas, psicólogos e intelectuais. No filme ainda tem um chefe de RH que é “crasse”.

Não vou contar o final, mas é no fim que você faz o link de tudo. Não tem nada de complexo, é só a vida. Paixão, beleza, tristeza, cigarro, dinheiro, frustrações e gente louca. Tudo que eu, você e o resto do universo vemos todos os dias.

Todos os papeis são extremamente carismáticos. Um filme que lhe deixa apaixonado por todos os personagens.

Se você é novato, não costuma ler muitos livros ou filmes cabeçudos (Esse não é nem tão cabeção assim), Veja duas ou três vezes. Decifre a poesia que existe nesse filme e descobrirá que só temos uma única coisa de valor.

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