domingo, 17 de fevereiro de 2008

Toupeira x Paralisia Cerebral














Tenho visto o mínimo possível de TV aberta (TV a cabo hoje é supérfluo). Esse meio de comunicação em massa tornou-se uma grande ferramenta de alienação, misturou-se ao ópio do povo como diria Karl Marx nos dias de hoje, e junto com a religião tornou o nosso povo um patê de minhocas, nojento e molenga.

Hoje, assistindo um trecho do fantástico da Rede Globo (Que já começou com Claudia Leite se intitulando a mulher mais gostosa do mundo), surge a notícia da premiação com o Urso de Ouro para “Tropa de Elite” no cultuado Festival de Berlin, eis que brota do inferno a imagem do Lula, acompanhado do seu saco sem peso, Dona Marisa. Nosso pretensioso presidente estava na Antártida, e deu sua palavra sobre a premiação do filme, que mostra “um pouco” do chiqueiro que é nossa policia e governança nacional. Segundo ele: _Coisas erradas existem em qualquer país do mundo!

Sim, eu concordo com o Lula.
Mas em um país que está na lista dos 10 mais ricos do mundo, e não possui populações de bilhões de pessoas como China e Índia, não é aceitável que crianças caminhem por mais de 1 hora a pé para chegar a escola. Que prefeituras transportem essas crianças em “carros de boi” motorizados, como mostrado nesse mesmo programa (Fantástico).
Isso me lembrou um comentário sobre o filme “Turistas”, onde uma brasileira indignada não aceitou ver retratado em um filme nosso país, onde um ônibus caindo aos pedaços transportava pessoas e galinhas em estradas de barro... Espero que ela tenha assistido o Fantástico.

As poucas vezes que perco tempo em frente à TV, ou estou tentando peneirar algo da MTV (Que é osso duro de engolir em determinados horários) ou estou sintonizado na TV Cultura, que depois do governo PTista ficou mais chata e bundona. Antes que falem que a TV Cultura é independente e que fundação isso ou fundação aquilo é quem dita às regras, é bom saber que as emissoras ditas educativas são vinculadas a faculdades, que hoje são antros geradores de empregos para o pessoal das bandeiras vermelhas.

Foi na TV Cultura que vi algo inusitado. Eu não sabia que deficientes com paralisia cerebral podiam ter um cérebro tão desenvolvido, dialogar e criar frases e concordâncias de dar inveja a professores universitários. O Jovem Cassiano Fernandez foi entrevista em um programa da TV Cultura, e relatou sua experiência de vida.

Um jovem bonito, que escreve em um site sobre opera, formado em inglês e autodidata em italiano (graças a sua paixão por opera). Com essa descrição você imagina um jovem de descendentes italianos e estudante de escolas de alto nível. Mas Cassiano (Cacá) nasceu com um problema que poderia colocá-lo no rol das vítimas, dos infelizes. Ele veio ao mundo com paralisia cerebral. E não, ele não cursou uma escola especial. Foi aluno de escolas públicas.

O que mais me chamou atenção no Cacá não foi sua felicidade e prazer por viver, o que me emocionou foi sua inteligência. Quem me conhece sabe que não sou adepto do sentimento de pena. Talvez eu creia no dito popular: “Cada um carrega a cruz que pode”.
Além disso, Cassiano não é diferente de mim em nada, a não ser por alguns movimentos que não consegue executar.

Ai você vai se perguntar: _Onde danado esse camarada quer chegar?

Eu vou lhe falar onde todos esses assuntos estão ligados...
Nosso país é uma mina de ouro, onde toupeiras cavam 24 horas, a procura do metal, encontram e enfiam no ânus. Continuam cavando freneticamente, e enfiando as pedrinhas no rabo. Elas são só toupeiras, não sabem que estão toda aquela terra mais cedo ou mais tarde irá desabar sobre elas, são só toupeiras.
Essas toupeiras usam ternos, viajam para a Antártida, não tem inteligência suficiente para saber que as toupeiras de verdade, aqueles bichinhos que cavam túneis a procura de vermes para comer, possuem sensores que lhe alertam sobre perigos, afinal, as toupeiras de verdade são cegas, uma deficiência suprida pelo seu sentido sensorial. Uma deficiência que é abafada por um dom.

Hoje eu sei, nas próximas eleições, votarei em um deficiente, em um portador de paralisia cerebral. Ele poderá fazer muito mais que uma toupeira.
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