sexta-feira, 2 de maio de 2008

Berimbal caucasóide ou macaco branco


Orgulho de que?

Muitos que lêem as minhas balelas podem ter uma impressão que sou um cara raivoso, chato, pronto para a briga... Não, eu não sou assim. Mas também não sou flor que se cheire, não chego a ser Seu Lunga com sua sabedoria para apoquentar o juízo dos outros, sou apenas um cidadão realista.

Eu faço polêmica sem gostar de polêmica. Na verdade eu gosto de debates, mas nem todos servem para esse tipo de papo, e aqui no nordeste são quase que figuras mitológicas os que aceitam críticas.
Isso deve vir de nossa cultura católica misturada com o sangue quente dos negros fugitivos, aqueles que formavam seus quilombos e davam a vida defendendo o maior de todos os bens, a liberdade. A igreja deixou na alma do povo nordestino a humildade, a serviçalidade e a ignorância, só assim um povo pode ser domado. Os africanos nos deram juntos com os índios nossa miscigenação de caras e corpos, e sim, feios, misturados e queimados pelo sol, cortados pela cana-de-açúcar e domados por nossos chefes, os senhores de engenho.

O Nordeste cresce a galope, quase duas vezes o que evolui a região sul/sudeste, mas é muito difícil conseguir ver alguma vantagem nisso, já que como o povo daqui fala, “o rio só vai dar no mar”, frase condizente com a riqueza que não sai das mãos dos poderosos, que a cada dia são mais poderosos.

A cultura é algo puramente materno, paterno e sazonal. Você aprende o que lhe ensinam, o que lhe oferecem passa a ser sua razão. E se te ensinam que o conhecimento é algo seco e solido, que não deve ser mudado, as suas chances de observar o mundo serão duramente diminuídas. Eu chamo isso de escravidão.

Vem da Bahia, estado dos mais paternalistas, bairristas e atrasados (comparando com outros do mesmo PIB) do país a noticia:

O coordenador do curso de Medicina da UFBA, Antônio Dantas, atribuiu o baixo desempenho dos alunos de Medicina, que tiraram nota 2 no Enade, ao baixo QI - índice de inteligência dos baianos. Ele disse ainda que o baiano só toca berimbau bem porque o instrumento tem uma corda. Se tivesse mais não conseguiria.

(Pausa para cair no chão e chorar de rir)

O Senhor Antônio Dantas, um velhinho já mais prá lá do que prá cá (dito nordestino), no auge da sua caduquice, tentou remendar o que não tem mais jeito:

“Talvez o ambiente cultural da Bahia não seja muito propício à Medicina, pois as coisas aqui estão mais voltadas para a música (eu não digo nem música, pois não considero esses ritmos de percussão música). Quem foi mal foram os alunos. Vou culpar quem, a faculdade?”

(Pausa para cair no chão e chorar de rir)

Foi preciso um velhinho branco, caquético e esclerosado falar o que todos sabem, o sistema está errado, o mundo está em rota de colisão com um buraco negro.

Fico imaginando quantos negros inteligentes e honrados que não foram educados a Lá Canavié dé Assuqué Education (com sotaque francês) ficam vendo toda essa palhaçada de acusar o vovó de preconceituoso.

Ninguém parou para criticar os alunos, com nota 2 em uma escala que vai até 5. Ninguém falou de como a UFBA (Pronuncia-se ÚFIBÁ. Já passei 20 minutos na frente da universidade perguntando onde ficava a “U – F – B – A” e nenhum daqueles jovens com livros nos braços sabiam me informar) tem sua parcela de culpa e que não é exclusividade da Bahia alunos ruins.

Os três estados mais alienados do Brasil são: Bahia, Ceará e Pernambuco (onde moro). Esses povos parecem vikings do cangaço quando se juntam para falar de suas bandeiras. Acredite se quiser, existem fóruns de comunidades internacionais, onde a língua usada é o inglês, e quando surge um pernambucano em algum “Thred” ele normalmente tem a bandeira do estado no lugar da sua foto. Seja lá qual for a opinião que ele der sobre qualquer assunto do universo, a responda seguinte será de um baiano dizendo que lá na terra do axé tem o mesmo maior e melhor. E o barraco não estará completo até entrar um cearense defendendo sua terra natal e “provando” que o melhor lugar da galáxia é Fortaleza (Fortal para os chegados).

Já consegui identificar o perfil de alguns desses sujeitos “orgulhosos” pela sua linda vila ensolarada. Uma parte deles são realmente doentes mentais. Pessoas sem a mínima noção do que existe a 50 cm da sua face. Outros são só inocentes coitados que foram evangelizados pelos seus pais, pelo padre/pastor e pelo maior vilão, o sistema (aqui muitas vezes representado pela televisão) e para surpresa de alguns, existe uma grande parcela desses tolos, que recebem dinheiro para criar polêmica pela internet afora. São os partidários de políticos escrotos, que passam a vida buscando a pura baderna (alguém ai falou PT?).
De um modo geral, o nordestino é um cara sem perspectiva. “Ele só sabe o que lhe é mostrado em um campo de visão muito curtinho, coisa de nada seu minino, coisinha de nada... só um furim!”

E a prova de que educação é a cura, posso falar de Natal, capital do lindo estado do Rio Grande do Norte. Uma cidade que cresceu a partir de uma base americana, tem ruas planejadas, limpa e com um crescimento frenético. Você ai rapaz do joelhinho, cabeça chata... já deve ta puto comigo, e ainda me acusando de americanizado, pois bem... Natal é uma cidade pequena, quase provinciana, mas que em termos de educação turística e globalização é exemplo para toda nossa região. Isso se deve a inundação de pessoas vindas de outras partes do país e do mundo, onde cada um trás sua cultura, seu modo de ver... Coisas que são respeitadas, aceitas e debatidas civilizadamente.

Já o baiano, pernambucano e cearense querem manter o “Status Quo”. Pelos velhos motivos, aprenderam assim, e foram ensinados que não devem mudar nunca, e criticas são ofensas. Algo como, “É uma merda mas é meu”.
Umas das coisas que me deixa mais triste e enraivecido, é a distribuição do poder no Nordeste. Vocês do Sul e Sudeste não fazem idéia do que é viver em um lugar administrados por incompetentes culturais. O povo pensa como eles, e eles fingem pensar como o povo. Um ciclo perpétuo de alienação.

Como o povo vai gostar de musica melhor se ele é OBRIGADO a ouvir axé 24/7/365?
Como um povo pode acreditar na justiça se ela libera uma praça com nome da mãe de Lula pela bagatela de R$ 28.5 milhões?
Como um lugar que vive com uma população de miseráveis crescente pode reabrir a Sudene, um símbolo do paternalismo getulista comprovadamente ineficiente e fonte de corrupção?

E ainda assim, temos hinos, tocantes e bonitos, como o cantado por Elba Ramalho, que incentiva o rompimento da nação, tornando o Nordeste independente.
A Bahia poderia ser um vaticano do candomblé, a verdadeira cultura nativa, coisa que os negros deveriam preservar e amar, mas em algum momento da historia foi inventado um tal de Luis Caldas com seu ritmo sem sentido e puramente relacionado ao Brasil das bananas, onde os gringos acreditam que somos todos homens da selva.

O povo baiano é acolhedor e amigo, são boêmios eternos, mas precisam ler mais sobre Freud, e entender que essa briga para saber quem é maior é coisa de sujeito complexado... E aqui para nos, com tantos negros e a fama de “serem maiores”, eles não precisam provar nada para ninguém (muito menos para mim... Vai pra lá negão, tira esse pé de mesa daqui!)
Os cearenses são os xiitas tupiniquins (ou será tupinambás?). Eita povo macho, povo galado! (Até hoje não sei e nem quero saber o que porra é galado). Sempre me lembro de um cara, que em 1 minuto se tornou meu inimigo:

-Chantinon, esse aqui é fulano
-Oi fulano! Tudo jóia?
-Beleza macho, tá tudo bomm!
-Pelo seu sotaque você é do ceará, acertei?
-Sotaque um caralho! Quem tem sUtaque são vocÊs aqui de RiiiiCiiiiFiiiii!

E isso é fato, jamais diga que um cearense tem sotaque. Na verdade não diga nada que contradiga ele. O mesmo serve para boa parte dos nordestinos, pessoas que são cabeça-duras como um coco seco, e onde sua razão primordial na vida é ter a certeza de que tudo que aprendeu está certo e é imutável até a morte.

E finalmente, meu povo Pernambucano. Um pessoal que parece ter nascido de um experimento de laboratório. Queremos ser cosmopolitas, mas vivemos de uma cultura local... Fechada e de opiniões restritas... Afinal, não queremos criticas. Falamos de nossas belezas naturais, dos rios e pontes. Esquecemos que mencionar que os rios são canais de esgotos recolhidos por toda a cidade e que as pontes são ótimos pontos de assalto. Até hoje, 02 de maio, mais de 1.500 homicídios aconteceram na nossa linda cidade desde o inicio do ano.

Para provar que o baiano é só mais um fantoche do populismo, vem a declaração do governador (do PT é claro), senhor Jaques Wagner (que é carioca, outra “raça” brasileira que não admite contrapontos a sua cultura funkista-pagodeira-sambo-traficante-brasileira) ao G1 sobre as declarações do vovó Antônio Dantas:

“Ele teve um surto de imbecilidade. A declaração é de uma imbecilidade ímpar, condenável sob todos os aspectos. Utiliza um conceito ultrapassado, o de QI, e traduz um preconceito profundo contra o povo baiano, que é a terra de Ruy Barbosa, Castro Alves, Caetano Veloso, Glauber Rocha, Gilberto Gil...”

Vejam só o que é o maquinismo populista...
Se QI é uma coisa ultrapassada, isso é coisa de moda das literaturas “inovadoras” de autores cheios de teses e nada de conteúdo. Para completar, temos na lista de baianos ilustres do governador, figurinhas tarimbadas, profundos conhecedores dos meandros políticos do Brasil, senhores do altar sagrado, os intocáveis Caetano Veloso, Glauber Rocha e Gilberto Gil. Ninguém lembra dos verdadeiros baianos inteligentes, eles existem, mas é melhor não citá-los, afinal, misturar nomes verdadeiramente sagrados com esses farsantes não pega bem (Imagino que daqui a 20 anos algum governador estará citando Claudia Leite e Ivete Sangalo como ícones da cultura afro-brasileiro - hahahahahahahaha eu me riu muito).

Descobri que os melhores nordestinos são aqueles que fazem grandes merdas, cagadas homéricas, como Fernando Collor de Mello, que tomou a grana de um monte de Yuppie, chamou a industria nacional de lixo e o povo de macaco (Figueiredo e FHC já falaram o mesmo). Graças a Collor - você ai nordestino que está espumando de raiva – agora desfruta desse longo texto vindo pelas ondas da internet via uma rede de telecomunicações PRIVATIZADA.

A partir de hoje sou fã do vovó Antônio Dantas, e não acredito nem por um segundo que ele seja preconceituoso (Mesmo sabendo que em Salvador existe um bairro chique que só tem brancos e ele deve morar lá).

Bom mesmo seria ver o Raul Seixas fazendo um comentário sobre essas cotas de negros, revistas para negros e grifes de negros... Agora... A coisa mais confortável do mundo, é ser de uma minoria (que no Brasil é maioria) e a qualquer momento, usar sua defesa pré-formatada e acusar qualquer um a qualquer momento de racista, isso é um "ÁS" na manga.

Ninguém é melhor porque é branco, mas também não é inferior porque é negro.
As cotas podem ser debatidas, tenho minha opinião, mas já ouvi bons argumentos a favor delas, e curiosamente as melhores defesas para o regime de cotas não advêm de teses sobre racismo e sim de opressão, coisa que nosso povo em geral sofre, basta ser pobre, ruivo ou negro, mulato ou albino.

O primeiro reflexo das cotas foi que o Brasil da noite para o dia perdeu toda sua referência, toda sua grande força, a miscigenação. Agora ou você é preto ou é branco.

Os próximos conflitos sobre questões étnicas no Brasil podem terminar nas ruas, como nos EUA ou na França recentemente... Infelizmente, o povo não consegue ver que os racistas são aqueles que estão no poder, os que criam as leis e transformam pessoas em bois do seu gigante curau eleitoral.

Vou aqui tocar meu berimbal de 4 cordas e volto já...
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