sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Fosco Eterno de Uma Mente Que Se Lembra

Terra, ano de 2590.

A população mundial aguardava ansiosamente o noticiário global, falado na língua que se tornou universal, o inglês. Não se falava em outro assunto... Até as novelas brasileiras exibidas no canal 452.568 da TV mundial ficaram fora dos folhetins populares, todo o planeta e regiões dominadas queriam ver o descongelamento do ser humano que mais ficou tempo em hibernação. Ele havia se tornado celebridade por ser o primeiro a submeter-se a uma pesquisa financiada pelo governo Chinês em 2015. Durante mais de quatro séculos as pesquisas tornaram o ressucitamento possível, e essa tecnologia fez o homem romper barreiras, povoando primeiramente a Lua e em seguida Marte.

Xantinon Masturbolev, um humilde agricultor chinês de pai russo e mãe moçambicana, aceitou participar do experimento. Naquela época, envolvido em dividas, procurado pela policia por tráfico de revistas em quadrinhos e um priapismo congênito que estava acabando com sua vida social, ele já não tinha muito o que perder.

Convidado pelo governo ele não tinha mais opções, ou servia de cobaia ou sua família teria que pagar uma bala. Seus parentes estavam felizes com qualquer uma das opções, mas com o congelamento eles não teriam que pagar nada. Então, assim esse jovem herói recebe um apoio muito importante para sua decisão. A princípio o projeto do cientista austríaco Von Sacomucho previa um teste de 10 anos. E Xantinon achou esse um bom tempo para tirar uma soneca, já que férias era algo que ele nunca desfrutou.
Dr. Sacomucho jurou de pé junto que o rapaz não sentiria nada, seria algo indolor, mas não foi bem assim. Xantinon só foi alertado que deveria ficar 24 horas sem se alimentar quando já estava amarrado ao tubo criogênico.

Para piorar a situação, ele havia se submetido a um desafio dos amigos, e passou a noite em um bar mexicano, acompanhado de uma garrafa de tequila paraguaia fabricada na China. Ele não teria maiores problemas com o limão e o sal, mesmo tendo pressão alta, o que fudeu tudo foi a feijoada com torresmo e cerveja frevo que ele havia ingerido no almoço.
Já não havia mais o que fazer.
Ainda alcoolizado e enjoado, naquela manhã a historia se fez. Duas lindas enfermeiras ficaram rindo do infeliz, e ele na dúvida se era pela baba que escoria da sua boca graças a reação alérgica as 30 injeções que tomou, ou pelo priapismo que nesse momento passou a gerar dores só imagináveis por uma cadela mini pincher grávida de um mastim napolitano (Não seu idiota, o cachorro não é de chocolate, morango e baunilha).

Xantinon é enfiado em um tubo, uma fumaça azul começa a invadir aquele espaço. Ele nesse momento achava que já tinha sobrevivido a um pesadelo, mas sua carne começa a congelar, e seu sangue vai “pedrando” por suas veias, ele queria gritar, e isso lhe rendeu uma imagem que foi estampada em todos os meios de imprensa no mesmo dia. Muitos guardaram revistas e jornais por dias, meses, para poder rir daquele infeliz congelado cheio de tubos, ladeado por duas loiras gostosas.

Como no filme de Mel Gibson, a cápsula inovadora foi sendo esquecida. Novas versões do produto foram surgindo. Vários magnatas que queriam vida eterna se submeteram ao experimento. Foram mais de 200 anos para a ciência conseguir criar uma técnica para o descongelamento.

O primeiro bilionário a ser descongelado foi Larry Ellison dono da Oracle, que como primeira atitude ao acordar foi perguntar a como andavam suas ações, em seguida pensou em comprar a Microsoft e a Apple, mas ele pensou mais um pouco e terminou comprando a empresa de criogenia, que teve todos os funcionários demitidos e o fornecimento de energia cortado, fazendo alguns milhares de seres congelados se transformarem em pudin de leite, entre eles Bill Gates e Steve Jobs (Isso se chama estratégia).
O único tubo que sobrou foi exatamente o do pobre Xantinon, que era ligado em uma fonte de energia alternativa, conhecida entre os pobres como macaco.

Depois da morte trágica de Larry Ellison, empalado por um Marlin Azul de 4 metros, quando navegava com seu veleiro. A empresa foi transformada em aterro sanitário, e ficou assim por mais de um século.

Os alienígenas que de besta não tem nada, começaram a ficar preocupados com a expansão humana no universo. Já chegaram baixando o cacete e aniquilando metade da população, que nessa época era de 1 trilhão de habitantes, quase todos chineses e africanos (Os indianos ficaram ricos no século XXIII e pararam de fazer filhos).
O general chinês Taku Ku Kagado, recebeu o líder dos aliens para assinar o acordo de rendição, um ser com pouco mais de 13 cm, que lembra muito um filhote de peru (vai dizer que você nunca viu um peruzinho?).

O chefe dos alienígenas ordenou que os cientistas de sua raça estudassem a tecnologia que fez os homens sobreviverem a séculos de viagens pelo espaço.
Em um processo de engenharia reversa, os peruzinhos nerds reconstruíram toda a historia e chegaram ao inicio de tudo... E lá estava aquele tubo metálico, no meio do lixo reciclado, tudo cheirando pior que sovaco de aleijado.
O exercito alien ficou comovido com daquele pobre humano, ali, congelado como um sacolé. Eles resolveram promover a paz, e chamaram a Björk (a única que falava a língua dos invasores), para contar ao mundo toda a história e realizar o descongelamento daquele homem há muito esquecido.

Na maior transmissão de TV já acontecida na historia, Björk conta comovida a dura vida de Xantinon, desde quando seu pai emigrou para a China, fugindo da máfia russa e começou um pequeno negocio com sua mãe, o primeiro puteiro capitalista na terra do chop suey, antes o governo que definia quem podia comer quem.

Aquela pequena criança, criado em uma jaula de bambo, junto com gatos e filhotes de panda, passou a infância quase sem movimentos, era tudo muito apertado e escuro, a única fresta de luz que penetrava no ambiente vinha das lamparinas que iluminavam a cama onde os clientes eram atendidos. Aquele inocente garoto obrigado a ver tudo aquilo.

Não seria ruim, se não fosse o priapismo – Lembra a Björk.

O imperador do Aliens manda estacionar sua nave do tamanho do Maracanã, e desce para acompanhar o evento, sem conseguir conter suas lagrimas.

Eram vários relatos de amigos e parentes, alguns estavam no local, aguardando que a vida retornasse aquela corpo há mais de 500 anos adormecido. Muito estranhamente alguns estavam com as mãos dentro de casacos ou nas calças, como se escondessem alguma surpresa.

A Islandesa Björk já não se controlava mais de tão emotiva, vira as costa para o público, sua cabeça gira como no filme O Exorcista, ela puxa um zíper nas costas, que é aberta como uma mochila e dentro é possível ver um alien peruzinho, que sai cantando “Violently Happy” e aperta o botão de descongelamento.

O mundo inteiro fica mudo – melhor, o universo, em sua primeira transmissão ao vivo.
A cápsula se abre e todo aquele gelo azul e uma fumaça densa tomam conta do ambiente, quando a camera se aproxima procurando ver o que sai ali de dentro.

E surge no meio da fumaça um homem nú, “armado” e que simultaneamente vomita na camera um liquido verde com cheiro de tequila e limão e larga um “barro” de feijoada com torresmo que ficou guardado por 5 séculos, e ele grita:

-Puta que pariu, eu nunca mais bebo tequila na minha vida!

Os aliens peruzinhos já não aquentavam mais tanta comoção, e se sentiram a vontade para imitar aquilo que eles achavam ser um ritual tradicional da terra, e saíram vomitando e cagando por todos os cantos do mundo.

Acabou.
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