sábado, 6 de dezembro de 2008

O mundo é Freak (Novidade...!)

Já aconteceram dias em que gritei ao mundo que havia desistido dele.
Mas sempre a beleza surge do inesperado e a esperança renasce.
É verdade...

Ir a eventos e ver jovens bebendo moderadamente e para minha surpresa não avistar nada de drogas no meio das centenas de pessoas me deixa feliz, mas isso era uma festa muito “elite”.

Vivo um conflito idiota. Não suporto ver o mundo de dissolvendo. Ver que a estupidez e a TV (ou Youtube) formam as mentes da nova geração, que começam a ter seus filhos agora...
Ou pelo menos deveriam, já que hoje só pobres casam, os ricos estão envelhecendo sem distribuir seu patrimônio.

A longo prazo, o dinheiro tende a mudar de mãos. E como todos sabem, o dinheiro vem migrando para as mãos dos menos favorecidos. O grande problema que ninguém tem coragem de contar, é que o numero de pobres não para de crescer e o volume de grana que chega nas mãos dessa camada sempre é o mesmo.

Existe toda uma industria já voltada aos “com pouca grana”. E isso envolve a melhora do setor produtivo, ou seja, fabricar mais gastando menos. Essa filosofia deveria ser usada pensando no meio ambiente, mas não é o que acontece.
Para dar conta do volume de produção, as indústrias são cada vez maiores, produzem mais e destroem mais.

Acreditava que essa crise financeira faria grandes empresas destruidoras do mundo afundarem. Nessas horas que acordo e vejo como sou inocente, como ainda me resta um pouco de esperança... Mas ela está por um fio.

A festa que me refiro acima foi em um Golf Club, onde além de carros bonitos foi possível ver gente estacionando seu helicóptero. Não, não era uma festa de granfinos (ou era?), era uma Rave. Me surpreendeu o pouco numero de tatuagens, de gente quase que fantasiada que é comum nesses eventos. Nada de brigas como sempre nas Raves em Recife, mesmo as mais populares. Todos se divertiram até o sol brilhar.

Comecei a pensar... Será que a elite está crescendo, amadurecendo?
Será que os jovens ricos voltaram a ter um pouco de juízo?
Será que os Freaks são só os pobres ou a esmagada classe média?

Lembro-me de quantas vezes sentei com meu primo olhando o catalogo de tatuagens, que naquela época eram feitas na rua ou teria que viajar até São Paulo se desejasse algo mais higiênico. Nunca fizemos. Os motivos sempre os mesmos: Higiene, dor desnecessária, e um futuro arriscado pelo preconceito alheio ou simplesmente um lapso de juízo, alertando que aquilo seria algo para a vida inteira. E diferente de uma camisa que é só parar de usar, aquilo estará ali no espelho até sua morte. Nunca fizemos, e eu particularmente nunca me arrependi.

Adoro Freaks, esse povo louco que se deixam fantasiar ou criar arte em seus corpos.
Mas isso vem do meu lado psicólogo/pesquisador social.
Uso isso como laboratório, um freak é só uma cobaia, que tem um tempo (às vezes... muitas vezes) mais curto de vida. Prefiro não conviver com Freaks, ter filhos freaks... Se você é um deles, me perdoe, mas você já está acostumado com isso, e sua dor é seu prazer.

Voltando aquela festa (que pulei muito por sinal) tive uma ótima noticia. Um amigo que sempre está nas Raves largou as drogas. Ele - como a grande maioria - dizia que não era viciado, que tinha controle (sobre o ecstasy e os moderadores de apetite). Diferente do que muitos acham, eu já desisti de salvar o mundo a um bom tempo, mas eu sempre caio na mesmice de tentar alertas as pessoas que eu gosto. Falei com ele algumas vezes, sobre seu peso que estava cada vez menor, e que estava achando ele desanimado. Ele sempre insistia me falando das sensações maravilhosas das drogas. No fundo, isso é uma fase, onde o êxtase do prazer faz o marketing do negócio, a fase seguinte é a depressão e perda dos amigos, dos verdadeiros amigos, sim... Porque a droga lhe priva até das pessoas que mais lhe amam. O próximo passo todos conhecem, sete palmos de terra.

Vejo que estou ficando velho.
Essa semana fui na lanchonete que costumo freqüentar, e não devo voltar mais lá. As mesas foram invadidas por menores de idade. Todos jovens pobres, moradores de um condomínio desses doados pelo Lula. Parte deles trajavam camisas de torcida organizada. O líder deles com uns 16 anos estava acompanhado de uma garota de uns 13. Seu cabelo moicano e anéis de prata junto com seu olhar me fitando deixou claro que ele era o chefe.
As poucas palavras que ele verbalizou com a menina não cabem aqui, mesmo com minha boca suja, jamais falei algo nem próximo para uma mulher.
Não voltarei mais na lanchonete, e não é por medo de uma briga de gangues, mas é para não ver tão de perto pessoas se destruindo, e para onde o mundo caminha.

E vejo que estou ficando velho, cansado e desesperançoso. Já não vejo mais motivos para lutar ou tentar ajudar, as pessoas escolhem seus destinos pela TV, pelo Orkut ou Youtube, e sempre preferem os exemplos errados (e o que mais me impressiona é que é bonito “parecer” Amy Winehouse ou qualquer outra criatura mórbida).

Construímos um mundo alto-destrutivo, viciado e sem cor, sem amor.

Tenho a sorte de conhecer pessoas maravilhosas, honestas e que gostariam que as coisas fossem diferentes. No fundo todos querem, mas estão perdidos na sua rotina, problemas particulares e luta pela sobrevivência.

Um outro grande amigo me deu a noticia que seu cunhado, um drogado que já havia sido preso e cometido diversos absurdos, foi assassinado. A minha resposta foi:
_Um a menos!

Olha, para quem me conhece de verdade... Sabe que perdi as contas de quantas vezes fui assaltado (a ultima levei dois revolveres na cabeça e ouvi muitos gritos: Atira! Atira!), e sempre defendi os ladrões, os marginalizados... A culpa é do sistema.
Mas hoje o povo é o sistema, você é o sistema, eu sou o sistema.
Se eu falo: “Um a menos!”
Pode acreditar, a esperança está por um fio.

Se você achar esse vídeo abaixo maravilhoso... Por favor, guarde essa informação para você, me deixe com esse pequeno fio.

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