sábado, 27 de dezembro de 2008

Esperança

É o seguinte...
Eu não gosto de comentar filmes, particularmente eu gosto de surpresas (só em filmes e música), e ter aquela sensação de “nossssa!!!”, “Wow!” ou “Puta que pariu”.

Pois vou listar filmes obrigatórios, doentes, sádicos, masoquistas, sexies e perturbadores, muito... mas muito perturbadores mesmo.

Já disse antes que adoraria que as pessoas conseguissem ver o que vejo, como um Big Brother mental, uma rede de cérebros interconectados, onde o cognitivo do grupo poderia ver todas as imagens que passam diante dos meus olhos, ouvir o som dos meus ouvidos, e melhor, minhas lembranças ficassem abertas a uso público, e qualquer um poderia ir lá buscar o que bem entendesse.

Como tudo isso é muita viagem-na-maionese, é mais simples ver filmes de diretores como Darren Aronofsky.

Prepare seu estômago, pare por um dia seu tarja-preta, não use seu baseado por algumas horas antes, e se jogue nesses ambientes tenebrosos, assustadoramente reais, e entenda toda as metáforas que esses filmes trazem.

Não espero um suicídio coletivo, ou que quem passe por aqui me ache depressivo ou louco, mas não tem como não deixar de levantar do sofá, clicar no pause e gritar... PUTA QUE PARIU! Vendo um desses filmes.

Diferente desses filmes, estou super animado, ansioso por 2009, louco para rir dos meus concorrentes que estão derretendo como sorvete na praia, toneladas de planos na vida profissional, importantes planos na pessoal, e vislumbrando mais um período de bonança, mesmo assim... Ainda não tive coragem de assistir Wall-E, porque sei que ele irá me lembrar desse mundo que vivo, onde as pessoas são mais estúpidas e frias que robozinhos, mais autodestrutivas que marido de viúva-negra e que seguem tudo que é imposto pela mídia.


Réquiem para um sonho
Esse filme está completando 9 anos. Ele não fez sucesso, nem será lembrado pela critica, ou tornará o diretor Darren Aronofsky uma celebridade. Ele chuta o saco de toda a sociedade, e claro, fala de drogas. Drogas metabolizadas com química ou pelo nosso próprio organismo. Mistura sentimentos que vão do amor a agonia, da dor ao medo. As meninas irão querer assistir para ver o magrelo Jared Leto (vocalista do 30 Seconds to Mars), os tarados irão querer ver a linda Jennifer Connelly. Mas vai o alerta, pode ser que você fique broxado depois desse filme, pode ser que você vomite, pode ser que você passe a ter nojo de algumas pessoas, mas acredite... É só a realidade aumentada, ou a realidade real de quem vive nesse universo drogado.

A trilha sonora é maravilhosa, o mestre Clint Mansell sempre cai bem em filmes cabeçudos, e se você procurar na rede, vai achar um torrent não só com a OST, mas também musicas extras selecionadas pelo diretor. E como o filme é sobre drogas, claro, o som é maravilhoso :)
Não sei se atores conseguem fazer mais de um filme com o Darren Aronofsky, as interpretações nesse filme passam pela tela e são como mãos que puxam para toda aquele frenética insanidade, tenho a impressão que a trupe de atores precisou de meses para se recuperarem.


The King
Fiquei parado por 3 minutos olhando a pagina em branco com o titulo “The King”. Não sei o que falar desse filme. Ele me deixou por três dias atônito. Apavorado na verdade. Me perguntando se tudo que acontece de errado no mundo é culpa da sexualidade, é culpa de homens maus que comem pobres e inocentes mocinhas. Mas ai me vem à cabeça que não existem pobres e inocentes mocinhas. Então, é o amor (tesão, paixão, solidão...) causa de tudo de ruim na formação das pessoas?

Se Deus está tão próximo desses personagens, como tudo se transforma em um grande circo de horrores?

Se você é dessas moçoilas que não suporta ver filme com sangue e sustos, esse não vai te tirar da cadeira. Não tem sangue nem sustos, mas tem uma trama que me fez desligar a TV. Pela primeira vez na minha vida tive que parar um filme por não suportar mais (e olha que já vi os filmes do David Cronenberg e o pior filme da historia, “Irreversível”).

The King não consegue deixar você respirar, a paz não dura mais que 10 minutos, e quando você pensa que já está dormente, vem mais uma paulada no meio da sua orelha, e outra, e outra... Quando você chega ao final, no final... existe o risco de você ficar sem voz, ficar procurando uma bíblia, ou alguém para se ajoelhar aos pés e pedir para que a pessoa lhe diga que o mundo não é aquilo.

Sinto muito mesmo amigo. Mas esse é o mundo que vivemos.
(Vou morrer tentando fazer minha parte, mas me recuso a aceitar tudo isso)


Valente
Esse filme não é bom, nem sequer razoável. Uma coisa rara na carreira da Jodie Foster, que consegue salvar ou engrandecer até filmes de sessão da tarde. O diretor irlandês Neil Jordan até hoje não conseguiu me convencer. Seus filmes são do mediano ao fraco, mas nesse ele enfiou o dedo na ferida.
Valente não é para moçoilas com medo de sangue, tem muito sangue, muito mesmo.
Eu fiquei me perguntando como a Jodie Foster entrou nesse barco furado, mesmo que a idéia fosse mostrar a sociedade como estamos nos tornando bárbaros.

Esse filme pode deixar quem mora em cidades com mais de 1 milhão de habitantes tão perturbado que irá colocar grades até no exaustor de ar da casa.

A personagem vivida pela Jodie, que não é menina, mas durante todo o filme usa maquiagem e roupas de garota adolescente nova-iorquina (nota zero para isso), sofre um grande trauma ao ser violentada por uma gangue, fica em coma e guando acorda descobre que seu namorado não saiu vivo do ataque a eles.

Ela simplesmente passa a mandar bala para todos os lados, eliminando da sociedade os porcos.

Eu não queria levantar esse debate, mas não sei porque diabos, bandidos e gangues sempre são formados por negros. Eu só queria entender porque a sociedade americana é formada por menos de 20% de negros, mas em filmes e clipes de hip hop todo negro é bandido.
Isso é um dos tópicos do filme que me choca. Será que negros só conseguem se impor se for cantando músicas idiotas, agressivas ou com armas na mão?
Será que o cérebro de um negro é pior que de um branco?
Ou será que a industria lucra mais fazendo os negros de idiotas e colocando eles em grades virtuais, onde suas mulheres só servem para fazer o sheik-sheik. E discos e roupas são vendidos para outros negros e brancos, todos muito estilosos e inseridos na moda... E a moda é essa, mandar bala, letras cheias de putaria e balançar a bunda.
(Ainda bem que J.S. Bach nasceu a séculos atrás, isso tudo seria demais para o pobre homem)

Bem...
Por meios não convencionais consegui um pacotaço com toda a trilha de Donnie Darko, incluindo extras. Se você ainda não viu esse filme, pode pegar... Diferente desses ai de cima, é um sopro de alegria no coração, e devolve um pouco de esperança.

Acabou mais um ano, um resumo positivo de muitas coisas poderia citar, uma planilha financeira muito vermelha eu poderia expor, mas esse filme ainda está sendo rodado.
Minha maior felicidade é não ter nenhum amigo protagonista de filmes como esses que (tentei) comentar. E para completar, refiz contatos profissionais com pessoas das antigas, gente honesta, que como eu, lutam todo santo dia para não caírem no mundo sujo.
Amigos antigos também estão voltando para Recife, e todos, todos continuam vivos, continuam na estrada... Resumindo, mais um ano Du caralho!

Agora... 2009 vai ser para ficar na historia, e meu pé está pesadíssimo no acelerador... sai da frente!!!

Donnie Darko


quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Natal das Formigas (e Cigarras)



Você só irá viver até os 80. Ou aos 64. Ou até amanhã. Lute, ganhe dinheiro, coma, reze, mas nunca, nunca deixe de viver.
Até hoje não consegui entender nada sobre a vida e as pessoas. Todas elas têm suas razões, preceitos e gostos particulares, tendo ideologias ou não. Alguns se rendem a seguir padrões, como se ceitas e gurus oferecessem algo solido o suficiente para garantir a paz.

Mas eu vos lhe digo, todos temos dias contados.
Seja você útil ou não para o mundo, no final, você não passará de matéria decomposta. Vai sumir. E mesmo que Deus exista, a sua existência aqui terá acabado.
Então se você precisa de um carro para se mover, precisa de energia para ver TV ou não vive sem uma coca-cola, vou te dar uma sugestão... Vá para o nada, vá para o vazio, vá para o grotesco. Assista documentários sobre holocausto e fome, sobre doenças e maldades humanas.

E depois veja outros sobre as baleias Orca e sua fidelidade familiar. Leia sobre simbiose, e como seres venenosos se ajudam mutuamente para continuarem vivos, vivendo em total dependência de um cuidar do outro. Veja como algumas culturas com milhares de anos ainda sobrevivem no meio das antenas e satélites. Veja como Cuba, um país pequeno conseguiu sobreviver oprimido por 50 anos isolado do mundo (isso não quer dizer que eu ache Cuba uma maravilha). Leia sobre os países ricos que não possuem área para plantar nem 20% do que precisam para comer, e mesmo assim são poderosos.

As regras que servem para alguns, ou para um único ser, deveriam ser esquecidas depois de praticadas. Se você realmente acredita que alguma “receita de bolo” irá mudar sua vida, esqueça! Todos somos diferentes.

E cada um tem o direito de desejar o que bem entender, sonhar livremente, mas deveríamos pensar seriamente antes de usar outro ser vivo como escada, ou objeto, ou couro para sapato, ou deposito de esperma, ou ainda vibrador vivo (as mulheres hoje já chegaram ao topo da hierarquia freudiana).

Natal
Hoje é Natal, e vejo em todos os cantos como essas datas estão mudando.
O mundo da diversão e alegria que explode nas cores berrantes das prateleiras de supermercados, nas imagens em alta definição das TVs ou nos outdoors... Tudo é festa, festa de consumo.

Claro que ainda existem famílias que se reúnem e trocam presentes. Podem ser realmente felizes e dividir um peru, ou não tão felizes e carregarem algumas brigas e desentendimentos entre tios ou primos, mas se conseguem unir todos em volta de uma mesa, ainda são família.

Existe uma tendência com crescimento bem alto, para que essas festas deixem de existir.
Não é porque as pessoas estão deixando de acreditar em Jesus ou Papai Noel (Hahaha!), mas família é algo que em breve deixará de existir, ou será muito raro.

Junto com a alienação do consumo, o fim dessa entidade chamada família, é a prova que o mundo tem muito a melhorar.

Temas pra caralho
Estou sem tempo para escrever, mas como sempre não faltam idéias, e como tão vai ter jeito mesmo, vou pincelar o que mais vem me afetando/alegrando/motivando esses últimos dias (ou meses):

Six feet under
Tenho que assistir todas as temporadas novamente. Se você quer saber o que é família, veja também.

Amor
É, não tem como negar, eu to ferrado! :D
(Não me peçam maiores detalhes, essas coisas eu não falo nem para amigos... quer dizer... falo só o básico :D)


Meu irmão grosseiro, troglodita nem imagina o quanto eu acho ele sábio em diversas vezes que ele filosofa como um guru. Ontem ele mencionou o caso Tudi, e tenho que contar como ele salvou a vida dessa gatinha, que eu, na minha dureza falei por 2 vezes em sacrificá-la em prol do não sofrimento. Mas ele persistiu e curou-a. Hoje Tudi é uma gorda gata que inclusive já foi mãe.

Meu irmão
Vou passar esse Natal com meu irmão, o cara que mais me deu forças e me ajudou durante todo esse ano.

Formigas e cigarras
Esse seria o tema de Natal. Eu falaria como não me sinto nem cigarra nem formiga, mas observo as formigas e adoro ver e escutar as cigarras.

Julgar
Mais uma vez eu me deparo com um mundo de controvérsias, e vejo que julgar pessoas é uma das coisas mais idiotas. Se você é desses que acredita que sabe tudo sobre uma pessoa só pelo jeito dela vestir, ou por onde ela mora, ou porque é filho de país sem instrução... Acredite, vejo todo dia pessoas que aparentam ser uma coisa e no fundo são o oposto.

Amigos
Esse fim de semana perdi meu celular, e estava em outra cidade, só por não conseguirem me contatar, amigos e família quase chamaram a polícia :D
Exagero demais é claro, já que não sou rico e nem menor de idade, mas é legal saber que ainda tem gente que se preocupa com você.
Amo tanta gente nesse mundo que os nomes não caberiam nesse blog.
Desejo muito para todos que o Natal um dia exista, em família e com um peru gigante na mesa.
(Se vc já tem tudo isso, parabéns!)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O sucesso é seu! (E a alegria é minha também!)






segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Tales of Mystery and Imagination

Sim, você ai...
Sabe o que é Rock Progressivo?
Sabe quem é Edgar Alan Poe?
Sabe quem é Alan Parsons?

Então... Claro que você sabe da existência desse disco:

Tales of Mystery and Imagination


























Não sabe? Oh God! Vou ajudar... o novo pai dos burros é aqui

Tenho esse LP (Isso mesmo... LP) desde os 14 anos. Na verdade esse é o segundo, e é nacional. Tive o impresso em Portugal (Ah! Você que é entedido babou né?).

Não quero dizer que isso é sugestão de Natal, mas papai noel falou que aqui tem vários livros do Edgar... Entendeu? AQUI!

Se você vai comentar que prefere pagode, espero que nesse momento seu lado esquerdo comece a formigar e você caia duro no chão fuminado por um AVC.

Esse disco é feito para se ouvir com um Sennheiser ou algo melhor nos ouvidos, ou você que é milionário com aquele som valvulado vindo da alemanha. 
É para mim, o melhor disco de progressivo dos anos 70.


The Raven - The Alan Parsons Project

sábado, 6 de dezembro de 2008

O mundo é Freak (Novidade...!)

Já aconteceram dias em que gritei ao mundo que havia desistido dele.
Mas sempre a beleza surge do inesperado e a esperança renasce.
É verdade...

Ir a eventos e ver jovens bebendo moderadamente e para minha surpresa não avistar nada de drogas no meio das centenas de pessoas me deixa feliz, mas isso era uma festa muito “elite”.

Vivo um conflito idiota. Não suporto ver o mundo de dissolvendo. Ver que a estupidez e a TV (ou Youtube) formam as mentes da nova geração, que começam a ter seus filhos agora...
Ou pelo menos deveriam, já que hoje só pobres casam, os ricos estão envelhecendo sem distribuir seu patrimônio.

A longo prazo, o dinheiro tende a mudar de mãos. E como todos sabem, o dinheiro vem migrando para as mãos dos menos favorecidos. O grande problema que ninguém tem coragem de contar, é que o numero de pobres não para de crescer e o volume de grana que chega nas mãos dessa camada sempre é o mesmo.

Existe toda uma industria já voltada aos “com pouca grana”. E isso envolve a melhora do setor produtivo, ou seja, fabricar mais gastando menos. Essa filosofia deveria ser usada pensando no meio ambiente, mas não é o que acontece.
Para dar conta do volume de produção, as indústrias são cada vez maiores, produzem mais e destroem mais.

Acreditava que essa crise financeira faria grandes empresas destruidoras do mundo afundarem. Nessas horas que acordo e vejo como sou inocente, como ainda me resta um pouco de esperança... Mas ela está por um fio.

A festa que me refiro acima foi em um Golf Club, onde além de carros bonitos foi possível ver gente estacionando seu helicóptero. Não, não era uma festa de granfinos (ou era?), era uma Rave. Me surpreendeu o pouco numero de tatuagens, de gente quase que fantasiada que é comum nesses eventos. Nada de brigas como sempre nas Raves em Recife, mesmo as mais populares. Todos se divertiram até o sol brilhar.

Comecei a pensar... Será que a elite está crescendo, amadurecendo?
Será que os jovens ricos voltaram a ter um pouco de juízo?
Será que os Freaks são só os pobres ou a esmagada classe média?

Lembro-me de quantas vezes sentei com meu primo olhando o catalogo de tatuagens, que naquela época eram feitas na rua ou teria que viajar até São Paulo se desejasse algo mais higiênico. Nunca fizemos. Os motivos sempre os mesmos: Higiene, dor desnecessária, e um futuro arriscado pelo preconceito alheio ou simplesmente um lapso de juízo, alertando que aquilo seria algo para a vida inteira. E diferente de uma camisa que é só parar de usar, aquilo estará ali no espelho até sua morte. Nunca fizemos, e eu particularmente nunca me arrependi.

Adoro Freaks, esse povo louco que se deixam fantasiar ou criar arte em seus corpos.
Mas isso vem do meu lado psicólogo/pesquisador social.
Uso isso como laboratório, um freak é só uma cobaia, que tem um tempo (às vezes... muitas vezes) mais curto de vida. Prefiro não conviver com Freaks, ter filhos freaks... Se você é um deles, me perdoe, mas você já está acostumado com isso, e sua dor é seu prazer.

Voltando aquela festa (que pulei muito por sinal) tive uma ótima noticia. Um amigo que sempre está nas Raves largou as drogas. Ele - como a grande maioria - dizia que não era viciado, que tinha controle (sobre o ecstasy e os moderadores de apetite). Diferente do que muitos acham, eu já desisti de salvar o mundo a um bom tempo, mas eu sempre caio na mesmice de tentar alertas as pessoas que eu gosto. Falei com ele algumas vezes, sobre seu peso que estava cada vez menor, e que estava achando ele desanimado. Ele sempre insistia me falando das sensações maravilhosas das drogas. No fundo, isso é uma fase, onde o êxtase do prazer faz o marketing do negócio, a fase seguinte é a depressão e perda dos amigos, dos verdadeiros amigos, sim... Porque a droga lhe priva até das pessoas que mais lhe amam. O próximo passo todos conhecem, sete palmos de terra.

Vejo que estou ficando velho.
Essa semana fui na lanchonete que costumo freqüentar, e não devo voltar mais lá. As mesas foram invadidas por menores de idade. Todos jovens pobres, moradores de um condomínio desses doados pelo Lula. Parte deles trajavam camisas de torcida organizada. O líder deles com uns 16 anos estava acompanhado de uma garota de uns 13. Seu cabelo moicano e anéis de prata junto com seu olhar me fitando deixou claro que ele era o chefe.
As poucas palavras que ele verbalizou com a menina não cabem aqui, mesmo com minha boca suja, jamais falei algo nem próximo para uma mulher.
Não voltarei mais na lanchonete, e não é por medo de uma briga de gangues, mas é para não ver tão de perto pessoas se destruindo, e para onde o mundo caminha.

E vejo que estou ficando velho, cansado e desesperançoso. Já não vejo mais motivos para lutar ou tentar ajudar, as pessoas escolhem seus destinos pela TV, pelo Orkut ou Youtube, e sempre preferem os exemplos errados (e o que mais me impressiona é que é bonito “parecer” Amy Winehouse ou qualquer outra criatura mórbida).

Construímos um mundo alto-destrutivo, viciado e sem cor, sem amor.

Tenho a sorte de conhecer pessoas maravilhosas, honestas e que gostariam que as coisas fossem diferentes. No fundo todos querem, mas estão perdidos na sua rotina, problemas particulares e luta pela sobrevivência.

Um outro grande amigo me deu a noticia que seu cunhado, um drogado que já havia sido preso e cometido diversos absurdos, foi assassinado. A minha resposta foi:
_Um a menos!

Olha, para quem me conhece de verdade... Sabe que perdi as contas de quantas vezes fui assaltado (a ultima levei dois revolveres na cabeça e ouvi muitos gritos: Atira! Atira!), e sempre defendi os ladrões, os marginalizados... A culpa é do sistema.
Mas hoje o povo é o sistema, você é o sistema, eu sou o sistema.
Se eu falo: “Um a menos!”
Pode acreditar, a esperança está por um fio.

Se você achar esse vídeo abaixo maravilhoso... Por favor, guarde essa informação para você, me deixe com esse pequeno fio.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Pipa, Bala e Bobby

Há muito tempo não me deleitava com filmes. Na verdade acho que tem uns 5 filmes “cabeça” que baixei (Sim, mas só porque são desses que você não encontra na locadora), e estão jogados esperando minha paciência.
Eu queria relaxar, e não gastar nada de massa cinzenta (tenho que me manter na moda).
Peguei na locadora ultra desatualizada: Hitman, Bobby e O Caçador de Pipas.

Como é de costume, não procuro me informar sobre o filme, gosto de surpresas, pelo menos com filmes é assim.























Hitman
Sabia de cara que Hitman era daqueles filmes só para pesquisar erros de montagem, ver mulheres bonitas (tem uma russa no filme... As russas são divindades na terra) e sangue.
Claro que é um filme ruim, mas tem umas cenas de ação a lá videogame que lembram John Woo. O chato é um anti-heroi assexuado. Não é um filme que recomendaria.

























Bobby
Ao olhar a capa daquele DVD fiquei com a impressão que Hollywood inteira estava nesse filme. E como não li a descrição e não tinha ouvido falar dessa perola, só descobri que se tratava do dia do assassinato de Robert F. Kennedy depois que comecei a ver o filme.
Na verdade, o filme fala da rotina de um hotel, o Ambassador, onde Bobby (que agora você sabe quem é!) é morto. São várias historias interligadas. Só gente querendo viver. Vai de ajudantes de cozinha a funcionários enraizados no hotel. De cantora alcoólatra a cabos eleitorais chapados com LSD.

O filme é ambicioso pelo quadro de atores (somente estrelões), mas é tão despretensioso que poderia muito bem ser totalmente interpretado por novatos.
O filme empolga pela trilha sonora, pelas narrativas pessoais dos personagens e por algumas frases de efeito... Uma verdadeira novela. Pode pegar que é nota 10.





















O Caçador de Pipas
Para provar que não tenho nada contra produtos “Hype” ou que sou 100% antipopular (mas sempre deixo os pops por ultimo), me rendi e peguei esse filmaço.
Na verdade eu não queria vê-lo antes de ler o livro, mas não resisti.
E eis que isso é a prova que acreditar em critica é complicado, porque o que eu mais ouvi de tudo quem já assistiu é que o filme é ruim... ou meiado, porque bom mesmo é o livro.
Bem, o livro deve ser legal, mas o filme é ótimo.

Como muitos que já sabem desse meu lado emo existencialista é totalmente exposto por filmes que mostram realidades escondidas, onde a verdade imposta pela mídia é posta em cheque, O Caçador de Pipas mostra o outro lado da cultura Islâmica antes da invasão Russa ao Afeganistão. Mostra que nem todo covarde é tão covarde, e que as vezes as coisas são tão escondidas que você morre sem saber toda a verdade sobre sua própria vida.

Ainda tem o clichês de sempre... Menino rico mimado e malvado, culturas em choque e romance, mesmo que seja lateral ao tema principal, a amizade entre dois garotos, um rico covarde e um pobre corajoso.
As frases são de rasgar a alma, e lembram bem a cultura oriental.
Se você também deixa tudo que é hype para ver por ultimo, pode está perdendo um belo filme. E agora fiquei com mais vontade ainda de ler o livro.