sábado, 25 de abril de 2009

Na Natureza Selvagem





























Irei fazer um esforço descomunal para ser centrado e não divagar sobre dezenas de temas e me perder (como sempre) no assunto, que aqui nunca é central.

Independente de gostar ou não, entender ou não o que escrevi abaixo, espero que todos que caiam aqui, assistam “Na Natureza Selvagem” (Into The Wild).

Eu tenho umas manias, muitas, alguns chamam de hobby. Eu chamo de manias porque hobby é algo que você se dedica, estuda. Como eu gosto de tanta coisa, não posso me dar ao luxo de ter dezenas de hobbies (mas tento). Uma dessas manias é cinema, e principalmente a parte técnica dele, como equipamentos, iluminação e a parte cronológica da produção. Lendo um artigo sobre roteiros que fariam sucesso em Hollywood, vi o projeto do Sean Penn em transformar a vida de um aventureiro em filme. Para isso ele usaria o livro “Na Natureza Selvagem” do escritor Jon Krakauer, que pesquisou e percorreu o mesmo percurso do jovem Christopher McCandless, entrevistando as pessoas que ele conviveu por seus 2 anos de aventuras cortando os Estados Unidos até o Alaska.

Christopher McCandless era um jovem de classe média, seu pai engenheiro da NASA, sua mãe a típica dona de casa do sonho americano. Após graduar-se em história e antropologia, Christopher doou sua poupança de US$ 24 mil para uma instituição de caridade. Esse dinheiro e suas notas eram suficientes para que o rapaz adentrasse na Harvard University.

Convencido de que tudo que existia ao seu redor era uma farsa, um mundo egoísta e autodestrutivo, Christopher embarca em uma aventura pelo autoconhecimento. Influenciado por autores como Tolstói e Thoreau, que pregavam o desapego as coisas materiais. Ele queima dinheiro e rasga cartões de credito, saindo a vagar pelo mundo vivendo apenas do que lhe aparecesse pela frente.

Muitos podem descrever Christopher como um maluco, que assumiu o pseudônimo de Alexander Supertramp, em uma viagem sem finalidade, lógica ou sentido prático. Essas mesmas pessoas comem no McDonalds todos os dias e choram vendo Criança Esperança, mas não deixam de comprar tênis fabricados por crianças asiáticas que trabalham 14 horas por dia, ou ainda vivem no mundo do Gerson, onde o que importa é unicamente uma conta bancária que garanta o poder dos controles remotos (controle do portão eletrônico, da TV de 50”, do ar condicionado, do vibrador, etc.).

Passei meses escutando a trilha desse filme antes de ver o DVD. Todas as músicas são escritas e cantadas pelo senhor Eddie Vedder, o Frank Sinatra do Rock. Eddie chegou a uma maturidade profissional e diria até que idealista, merecedora de aplausos. Diferente do Bono, o Eddie se foca em expor sua visão do mundo em músicas. E TODAS as letras de Into The Wild são um chute bem na boca do estômago da sociedade.

Esse filme entrou na minha lista... Não uma lista qualquer, mas na lista de filmes que fazem sua cabeça rodar. Devo ficar 10 dias com ele martelando no meu crânio, e diferente de Wall-E, que lendo os comentários antes do filme chegar ao cinema, me deixou a impressão que aquilo iria me tocar, Na Natureza Selvagem não me decepcionou, pelo contrário, me rendeu a chance de saber mais sobre Jon Krakauer (E um risco elevado de por uma mochila nas costas e sumir por um tempo).

O roteiro não é linear, tem idas e vindas ao passado do Christopher, como um documentário que tenta explicar o que fez uma pessoa com todos os problemas que qualquer um tem, mas com uma vida estável financeiramente, saúde e educação, se jogar em uma estrada sem laços ou comunicação com todos que ele conviveu durante seus 23 anos de vida.

Uma das coisas marcantes do filme é que ele é subdividido em partes (acredito que isso está no livro também). A primeira é “o meu nascimento”. A ultima parte do filme é chama-se “Sabedoria”, onde Christopher encontra Ron, um velho solitário. (Só em lembrar desse trecho do filme, tive que parar um pouco e me recompor. Poucos são aqueles que sabem valorizar a sabedoria de pessoas de cabelos brancos).

O personagem de si mesmo, Alex Supertramp é amigável durante todo o filme, mas ele age da forma mais grosseira possível com o velho e sábio Ron (Que havia perdido sua mulher e filha em um acidente)

Ron (falando com Alex):
Vou sentir sua falta quando for.

Alex:
Também vou sentir a sua, Ron.
Mas engana-se se acha que a alegria de viver advém principalmente das relações humanas.
Deus colocou-a ao nosso redor.
Está em tudo. Está em tudo que possamos experimentar.
As pessoas apenas precisam mudar a maneira como olham para essas coisas.

Ron:
Pois é, vou ter isso em mente.
Vou mesmo.
Mas queria te dizer uma coisa.
Do pouco que reuni, sabe. O que me contou da tua família, da tua mãe e do teu pai.
E também sei que tem os seus problemas com a igreja.
Mas há um tipo de coisa superior que todos podemos apreciar,
e me parece que não se importa que chame isso de "Deus".
Mas, quando você perdoa, ama. E quando você ama, a luz de Deus brilha em você.

(Como alguém ofendido no seu ponto mais fraco consegue ser tão bondoso e amável? – Eu respondo – Cabelos brancos, por isso esse capitulo do filme se chama “Sabedoria”)


No final, Alex escreve:

A felicidade só é verdadeira quando compartilhada.


Christopher/Alex saiu à procura de suas respostas. Acho que é o ato mais corajoso de um ser, procurar o que lhe parece dar paz. Prefiro acreditar que Christopher quase conseguiu, como todos nos, que iremos sumir um dia sem todas as respostas, e isso me dá uma alegria absurda. Como é bom não ter certezas firmes e imutáveis.

Eddie Vedder - Society


A letra é essa coisa... singela: aqui

Dicas:
Achei dois blogs falando do filme e do livro, merecem ser lidos:
Cleiton Heredia
giseleh.com
José Duarte (Se esse cara não é um poeta, eu não sei mais o que é um)

Aproveite enquanto ainda está lá, o artigo sobre Christopher McCandless na Wikipédia. Deve mudar em breve, porque está desorganizado e com um texto muito livre para um mundo tão matemático. (Irei copiar em arquivo e deixar aqui... Até hoje foi a única coisa que li por inteiro na Wikipédia)

Divagações:
  • Eddie Vedder não é pobre ou um maluco que rasga dinheiro, mas por enquanto, ainda é um gênio, que diferente do Chris Cornell, andou vendendo a alma. Que coisa feia rapaz, alguns milhões de dólares (ou menos que isso) podem fazer as pessoas mudarem ou se revelarem. Meus parabéns aos idealistas e sonhadores, como o Eddie, o Christopher e talvez até o Sean Penn, que de tanto ve-lo inserido em causas humanas tá quase me convencendo que a Madonna merecia as tapas que levou... Hahahaha!
  • Escrevi acompanhado da trilha de Snatch, ótima para estradeiros, ciganos, malucos, etc.  :)

  • Emile Hirsch, vem crescendo e vai deixar sua marca, como um dos melhores atores que já passou por Hollywood.

  • Jena Malone, segue um caminho injusto, ficando com papeis pequenos. No filme ela praticamente não aparece, sendo apenas uma narradora. 

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