domingo, 6 de dezembro de 2009

Alanis, FHC, Moral e Cívica



















O que você acha da democracia?
O que você acha da liberdade de informação que temos hoje graças a Internet?

Claro, adoramos a democracia. Crescemos ouvindo de todos que a melhor coisa para um país é ser democrático e que o povo possa escolher seus representantes.

Mas será que somos realmente livres?

Sabemos que ganha eleição quem tem o melhor marketing e suporte financeiro (oficial e não oficial). Levam os votos aqueles que falam o que o povo quer ouvir. Aqueles que contratam mais artistas para aparecer nas campanhas. Vira eleito aquele que é escolhido, mas será que sabemos escolher?

De 2006 para cá minha cabeça sofreu um forte abalo. Mudei em 360 graus muitas opiniões que eu carreguei por minha vida inteira. Começou com um debate via MSN com um colega, sobre o referendo do desarmamento em 2005. Durante quase um ano debatemos. Eu era veementemente contra armas, acho até que ainda sou, porém, para quem anda em cidades grandes ou em centros de distribuição de drogas (cidades do interior), é fácil notar que retrocedemos. Voltamos ao tempo dos nossos bisavôs, onde tudo se resolve na bala.

Se você é brasileiro e se sente seguro andando por sua cidade, acho que deveria começar a ser religioso e agradecer aos céus. Já que a violência hoje cresce mais em cidades pequenas, reze muito.
Até no Sul do Brasil, onde sempre tivemos os melhores índices escolares a coisa tá feia, muito feia.

Mas se hoje temos uma natalidade menor, somos um país mais rico que no passado, e pasmem... nossos índices de IDH e educacionais melhoram a cada ano, como se explica a permanência das taxas de crimes violentos?

Tai mais uma coisa que eu mudei, deixei de acreditar de uma só vez em duas coisas:
1. Que educação resolve tudo
2. E que poderemos viver em paz em pouco tempo (Algumas décadas)

Quando retiraram a matéria de Moral e Cívica do currículo escolar das escolas públicas eu achei uma ótima idéia (o mentor foi o Fernando Henrique Cardoso). Não demorou para que eu percebesse que aquela coisa chata e moralista com cunho católico era uma base muito importante para a maioria dos jovens, e dava algo que eles não tinham em casa, algo chamado de “família”.

Qualquer educador sabe que a sociedade jogou para as escolas o papel de “família”.
Em mundo onde crianças crescem sem pais, seja pelo fato das separações ou por pais que passam o dia trabalhando, essa cadeira escolar vem fazendo uma falta absurda.

Moral e Cívica era algo completamente desnecessário para mim na minha infância, eu tinha uma família. Mas quem iria ensinar aqueles outros coleguinhas (mais pobres que eu, e em parte já filhos de mães solteiras) que ajudar uma velhinha a atravessar a rua é legal? Ou que é totalmente imperdoável jogar lixo na rua?

Expliquem-me como o índice educacional subiu se todos os colégios que visito estão sucateados?
Inclusive escolas modelos, que possuíam laboratórios completos e quadro de mestres de primeira.
Você quer ser professor? Ganhar salário de professor?

Vivemos dias estranhos.
Quando li a ultima entrevista do Fernando Henrique Cardoso na revista Veja, declarando ser a favor da legalização da maconha. Lembrei que foi ele o responsável pela formatação do sistema de ensino atual, e foi ele também que assinou a retirada da matéria Moral e Cívica (Senão me engano).

Em minha opinião só existia um erro em Moral e Cívica, influenciar um conceito religioso na cabeça de crianças. Porém, eu passei por isso em casa, muitos passam por isso ainda hoje, e tirando as seitas que enlouquecem milhões, não vejo mal em pregar alguma religião (mesmo que eu não me enquadre em nenhuma, tenho certeza que fazem bem a muita gente).

Hoje com alguns cabelos brancos na cabeça, e passado por muitos lugares do país, é incrível como é possível ver as mudanças acontecendo e como a educação e a mídia tem um peso no ciclo da vida.

Não importa se você está em Parauapebas ou em São Paulo, tudo que é exibido na TV ou Internet irá influencia sua vida (porque será que a imprensa é chamada de Quarto Poder?).

Um pedreiro em São Paulo tem muito mais educação que um mesmo profissional que está em Fortaleza ou Recife. E mesmo que eles tenham a mesma formação, o cara de São Paulo irá conviver com um circulo de pessoas mais instruídas, com desejos e ambições diferentes de um nordestino.
Ou seja, o meio influencia sim!

Cheguei ao ponto
Eu não paro de me chocar com tudo que vejo, principalmente na TV e nos programas que geram audiência na internet (leia-se youtube e suas porcarias baratas)

Quando o sociólogo Fernando Henrique Cardoso declara que é a favor da maconha, ou quando a Alanis Morrisete (que caiu na lama do fracasso com seu ultimo e péssimo disco) fala que depende da maconha para seu processo criativo, eles não imaginam que suas vozes ecoam.

Na verdade, eles são inteligentes o suficiente para saber que ecoa, sim!
Mas a Alanis que já tá entrando no quadro das coroas, se mostra rebelde e desafiadora, e isso vai fazê-la vender mais alguns discos.
Já o FHC deve planejar angariar votos dos lombrados, que não são poucos.

Imaginem um jovem de 12 ou 13 anos de idade lendo nos sites super bombados de noticias de celebridades e banalidades, que a Alanis, aquela canadense do cabelão curte maconha, como o irmão mais velho.

Esse garoto vai experimentar canabis. Agora, imaginem quantos jovens dessa faixa etária leram as declarações do FHC e da Alanis... Sim, aquele nerdsinho chato que leu a Veja, menino bom e queridinho da vovó... Quantos não tiveram o incentivo que precisavam para provar a erva.

Digamos que 50% dos jovens que provaram, fizeram isso pela primeira e ultima vez.
E digamos... que apenas 5% do total adorou e em certo momento migrou para algo mais... digamos, pesado. Como cocaína. Digamos que 1% do total de jovens no mundo que se empolgaram com a Alanis, e resolveram provar a inocente maconha, chegaram a uma overdose em algum momento da vida. Sejamos menos trágicos, quantos jovens irão atrasar seus estudos, terão conflitos com suas famílias, ficarão grávidas de traficantes, entrarão no submundo do crime, am?

Pessoas públicas deveriam dar bons exemplos.

Particularmente sou a favor da legalização de todas as drogas. Claro, na Holanda.
No Brasil, nosso povo ainda não sabe votar, não sabe filtrar noticias ou lutar por seus direitos. Estamos a séculos de sermos realmente livres.

Você talvez tenha visto no Fantástico, no G1 ou Ego, a notícia sobre a morte de mais uma jovem, Suellen Domingues Zaupa, com tudo certinho na vida, e mesmo assim, morre na casa de um milionário na Austrália, o mesmo lugar que já havia sido palco da morte de outra jovem.
Na imprensa brasileira, tudo é mistério, mas nos jornais da Austrália a ficha da menina é posta em prova.

No mesmo jornal Australiano é exibido uma pesquisa que mostra que mais da metade dos pais aceitam que os filhos entre 15 e 17 anos bebam em casa (Menor de idade na Austrália bebendo é crime, e crime no primeiro mundo dá cadeia).

Ai está à grande diferença de um país escolarizado de verdade. Leiam a matéria e vejam que existe a exposição da noticia, e ela leva a um debate. As pessoas pensam, tem opiniões...
Como a Alanis ou o FHC, mas mesmo sabendo que é uma prática para a maioria das pessoas, aceitarem seus filhos bebendo, os australianos criam o debate, e eles possuem meios de criar regras e cumpri-las.

Jovens como a brasileira que morreu na Austrália, como as tantas menores de idade que usam ecstasy (muitas vezes adquirida em troca de favores sexuais). E garotos que estão morrendo pelo uso de Viagra, anfetaminas e outras tantas coisas que muitos acham leves e que não irão causar nada. Todo esse universo crescente de pessoas que passarão suas vidas em clinicas, presídios e hospitais, poderão um dia agradecer aos FHC’s e Alanis’s da vida.

Liberdade é responsabilidade!

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