sexta-feira, 26 de março de 2010

Um Sonho Possível


Acabei de ver “Um Sonho Possível”. Não sei se consigo descrever o que vi nesse filme. Talvez o significado só para variar, seja uma opinião pessoal, romantizada e um sopro de esperança, que teimo em acreditar, mesmo sendo uma pessoa de visão negativa com relação ao mundo.

Gosto de creditar que algumas pessoas podem mudar a forma de ver o mundo somente vendo um filme. Sei que isso é motivo de risos para alguns que lêem isso. Sei que cada um nesse momento está deitado no conforto do seu quarto e vendo algo para passar o tempo na TV, ou está conectado a internet passando o tempo. Poucos, pouquíssimos estão preocupados com o que está acontecendo com alguém do outro lado da rua, da cidade ou do outro lado do mundo.

Sempre acreditei que a melhor opção de ajudar as pessoas é criando dinheiro. Seja lutando para ficar rico ou ensinando as pessoas como lutar para conseguir melhorar de vida. Hoje eu sei que isso não adianta muito, ou melhor, dinheiro é só parte da solução.

Um dia já fui ateu, e ainda não me rendi a simplicidade da fé. Ainda sou cheio de dúvidas, mas não tenho como negar que essas dúvidas me movem a um estado de paz.

Antes de começar o filme (Um Sonho Possível), vi pela segunda vez o trailler do filme biográfico do Chico Xavier, e não vou negar que estou ansioso para assistir.

Meu maior contato com o espiritismo devo a minha querida tia Nanci. Tive a sorte de ter o dom de sentir pessoas, algo que já me salvou de grandes problemas. Sentir a energia de uma pessoa não é um dom tão raro, mas poucos acreditam que isso exista. Minha tia Nanci tinha uma vida sofrida em todos os sentidos, mas bastava você chegar próximo dela que a sensação era de se conectar a uma fonte de carregamento, e bastava alguns segundos para se tornar renovado. Ela nunca teve paz. Aparentemente pessoas com esse dom estão aqui apenas para servir, e é isso que me diferência desse tipo de pessoas. Não sou tão caridoso, nem sou capaz de entregar minha vida em favor de outra pessoa. Mas gosto de acreditar que faço o máximo para ajudar... O ruim de tudo isso, é saber que não é possível ajudar quem não quer ser ajudado.

Eis o grande ponto do filme... O jovem que é o centro do enredo não pede ajuda, mas ele simplesmente merece ser ajudado. Quantas pessoas precisam de orientação e nem sabem disso?
Ainda mais no mundo de hoje onde o papel de pai e mãe se resume a entregar filhos aos cuidados de creches e colégios.

O que será que faz uma pessoa que tem tudo na vida sair da sua zona de conforto e estender a mão a um estranho?
Será que é uma sensação de culpa por ter tudo e nem sequer conhecer a realidade que existe do outro lado da cidade?

Vivemos em um mundo cheio de controvérsias, onde as pessoas não se perguntam porque estão fazendo isso ou aquilo. Muitas pessoas apenas acordam e seguem sua rotina, e isso vem a cada dia afastando o mundo de uma das coisas mais importantes, senão a mais importante na vida, o amor.

A vantagem financeira é mais importante que pessoas. A vantagem do prazer fácil e imediato empurra o mundo para o Niilismo sufocante dos que pensam sempre a curto prazo, se é que alguém ainda se preocupa em pensar.

O filme tem piadas ótimas, mas tem muitas cenas que são laminas de adagas enfiadas no peito.

O jovem garoto negro que teve a sorte de chegar a um colégio cristão de brancos, foi escolhido a esmo para ser adotado por uma milionária. Ele não recebeu só um abrigo, recebeu fé, amor e cuidado, coisas que só quem ama o próximo pode dar.

Poucas pessoas entenderão tudo do filme, principalmente os trechos onde aparece a Kathy Bates, que fez o papel da professora Srta. Sue.

O texto escrito pelo garoto para sua prova final, na tentativa de convencer o único professor que não o apoiava, foi baseado no conto de Alfred Tennyson , "A Carga da Brigada Ligeira", é fala de algo que na minha opinião está se perdendo no mundo:

Coragem é algo difícil de imaginar.
Você pode ter coragem baseado numa ideia idiota ou um erro,
mas você não pode supostamente questionar adultos,ou seu técnico,
ou seu professor porque eles fazem as regras.
Talvez eles saibam melhor mas talvez não saibam. Tudo depende de quem você é, de onde você veio.
Ao menos um dos seiscentos caras não pensou em desistir, e se juntar ao outro lado?
Quero dizer, Vale da Morte...
Isso é uma coisa muito forte.
É por isso que coragem é uma coisa complicada.
Você sempre vai fazer o que os outros dizem pra você fazer?
Às vezes você pode nem ao menos saber porque está fazendo alguma coisa.
Digo, qualquer idiota pode ter coragem. Mas honra, essa é a verdadeira razão para você fazer ou não alguma coisa.
É quem você é ou talvez quem você queira ser.
Se você morrer tentando por alguma coisa importante então você terá ambos, coragem e honra.
E isso é muito bom. Acho que isso é o que o escritor estava dizendo.
Que você deve esperar pela coragem e praticar a honra.
E talvez até mesmo rezar para que as pessoas que te dizem o que fazer, tenham alguma também.

A cena que a Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) pergunta a Michael Oher (Quinton Aaron) como ele não se contaminou com tudo que viveu (a mãe dele era uma viciada em crack e ele cresceu mudando de lares adotivos) é apenas uma de tantas falas que fazem você imaginar quantas pessoas não possuem essa coragem de crescer no inferno e se sair limpo.

Você já parou para pensar que podem existir pessoas nesse mundo que precisam de você?
Pior, já parou para pensar que muitas dessas pessoas nunca irão ter um pessoa para poder simplesmente contar o seu drama?
Já pensou que pouquíssimos com o Michael Oher conseguem sair desse poço sem fundo?

Mas todos estamos tão preocupados com nosso problemas, com nossas necessidades e o mundo continua girando, produzindo em massa, carros lindos, bebidas gostosas, e açúcar para nos alegrar... Será que tem alguém nesse mundo que nesse momento precisa de você?
Postar um comentário