sábado, 22 de maio de 2010

Mary e Max - Uma Amizade Diferente

Primeiro alguns adjetivos para esse filme:
Tocante, hilário, comovente, empolgante, divino, sensível, apaixonante, triste, alegre, dolorido, carinhoso, amargo, envolvente, marcante... E por ai vai.

Há uns dois meses eu baixei Mary and Max, e junto com tantos outros ficou jogado na lista dos filmes a serem visto. Porém, eu sabia muito bem que seria um desses filmes que mudam a sua vida, quer dizer, podem mudar a vida de algumas pessoas.

Antes de “Mary and Max” a animação que mais me comoveu foi “UP – Grandes Aventuras”. Curiosamente os personagens principais são homens de certa idade, rabujentos e por que não, contra o mundo.

Max Jerry Horowitz é portador de uma doença mental chamada de síndrome de Asperger, que chegou a ser anexada ao autismo, só que os portadores desse mal são pessoas comuns, que como EU, não gostam de mudanças, não aceitam coisas irracionais como produzir milhões de carros e trocá-los a cada 2 anos, morrer de trabalhar por dinheiro (literalmente) e deixar tudo sempre para o futuro, ou seja, tenho muito em comum com o Max, pelo menos na minha revolta com as coisas erradas do mundo moderno.

O filme é narrado pelos dois personagens que vão navegando por suas vidas separadas pelo tempo e distância. O Max é um senhor de 44 anos, morador de Nova York. Mary é uma garotinha de 8 anos vivendo na Austrália dos anos 70. O que eles tem em comum? Solidão e uma infinidades de coisas que deram errado em suas vidas.

A amizade que cresce por meio de cartas e troca de presentes, digamos, exóticos, vai nos mostrando como é difícil seres humanos se entenderem. Diferente de UP, onde uma paixão une o casal eternamente, Max e Mary são pessoas comuns, da vida real (inclusive a historia é baseada em fatos reais), e na vida real, choramos comovidos no cinema e gritamos horas depois com qualquer um por qualquer motivo em casa (não é o meu caso).

Esse filme me lembrou muito 3 pessoas que conviveram comigo, três mulheres que choravam aos baldes com filmes, mas que após 20 minutos já estavam de volta a vida real. É tudo muito bonito na propaganda e nas doações por 0800, mas ajudar a mãe a lavar os pratos é uma tarefa hercúlea. Imagina salvar o mundo, então, deixa pra lá...

Vão aqui meus agradecimentos a Adam Elliot:
-Adam, fique sabendo, seu filme é um dos que me marcaram, e jamais irá sair da minha cabeça. Não sou budista ou revolucionário, mas acredito que as pessoas devem parar de agir irracionalmente no sentido de consumo, e racionalmente no amor, carinho e paz, coisas que aparentemente só uma pessoa com síndrome de Asperger parece entender. (Notei que a Fundaj estava lotada desses loucos :D).

E se você é fã de cinema e som, irá sair correndo a procura da trilha desse filme, simplesmente demais. Seca e claustrofóbica como o Max. Na parte do áudio é bom bater palmas para o Philip Seymour Hoffman (voz do Max). Lembrou-me “Com amor Liza” (Love Liza) - Filme que a principio eu não gostei, e depois de maturado, passei a adorar. Coisas que fazem você maior, muito maior, e ver como é um ser humano real e verdadeiro. Nesse momento me vem à cabeça a cena da primeira temporada de Six Feet Under, quando todos estão no enterro do patriarca, e o filho fica sem entender todo aquele circo frio e calculista (olha aqui). Seymour mesmo antes de seu Oscar por Capote já era para mim um dos melhores atores da história, e agora merece um novo Oscar por essa voz fantástica.

Eu não falei nada da Mary, né?
Bem, primeiro... Irei colocar minha vida em risco. A Mary é simplesmente um clone de uma pessoa que conheço, não posso falar que é uma professora famosa senão irão descobrir e me entregar...
Hahahahahahahahahahahah! (Pronto, estou morto)

Vou estragar uma surpresa do filme... (Pule logo esse parágrafo)
Só ouvimos a voz da Mary depois de uns 20 minutos de filme. O que da a impressão que teremos um stop motiom tradicional e sem vozes. Ao ouvir a primeira frase pronunciada pela doce garotinho é impossível não se derreter. Acho que todos pensaram simultaneamente: "Que coisinha mais fofinha!" (Ei madame, você ai, isso... Olha, eu sou macho... Pronto, dei o recado).
Sabem de quem é a voz? Ninguém menos que Toni Collette! Não sabe quem é? E se eu falar: Pequena Miss Sunshine? :D (Pronto, to muito fresco mesmo, me deu vontade de apertar bochechas de uma pirralha gorducha :D). Mas atenção, Toni (Antonia) não é a pirralha de Miss Sunshine, aquele gorduchinha é a Abigail Breslin.

Fui assistir na tela grande, pena que eu não estava em grupo, assim tive que conter (um pouco) minhas gargalhadas, e as lágrimas já no começo do filme. Mas... A ANIMAGE – Festival Internacional de Cinema de Animação de Pernambuco vai até dia 27 de maio, e irei assistir essa jóia novamente.
A exibição de curtas de animação também começou hoje (21 de maio), e a programação pode ser vista aqui: ANIMAGE

Boca livre
Nos últimos dias parece que o cara de cabelos brancos lá de cima tem me ajudado com programas baratos ou digrátis. Ver um filme desses pagando NADA é quase um absurdo. :D
Voltar para casa de carona, é ótimo. E antes disso comer um Bem Bom Especial no Carlitos Burger, não tem preço (não tem mesmo, porque meu irmão pagou :D).
Outro programa que fiz (na faixa) muito bom, foi o show do Carlinhos Veloz, onde fiquei conhecendo o trabalho da percussionista Lara Klaus, que é coisa de gente grande. O Carlinhos além de carismático é uma dessas figuras que ficamos sem entender porque não está na grande mídia, o cara é muito bom mesmo. Essa ai eu fico devendo a Suany, Henrique e a Luana, a próxima eu pago. :D

Mais uma vez, falando bem do Recife
Recife é uma cidade única. Sempre adorei ciceronear cariocas e paulista que tinha que trabalhar comigo por um tempo. Como estrangeiros que chegam ao Brasil e ficam surpresos em não encontrar macacos nas casas, esse pessoal do sudeste que chegam em primeira viagem ficam muito surpresos com o tamanho da cidade, gastronomia e boemia. Isso sem falar da efervescência cultural.

Uma das coisas que aconteceram aqui na cidade e eu fui contra, foi o banimento do Axé via lei. Eu realmente venho aprendendo que às vezes a única forma de educar é sendo ditador. Eu preferia que tudo fosse escolha do povo, mas tenho que lembrar que nosso povo vem sendo alienado há muito tempo. O reflexo dessa medida anti-axé rendeu um efeito muito maior. A cultura do Rock e da música pop de qualidade voltaram a relembrar o Recife dos anos 70 ou 90, onde aqui era o berço de muitas coisas legais.

Em Recife se você tem grana e disposição, a vida é um foguete, e as badalações nunca acabam. Como sou um sujeito mais calmo, minhas dicas serão sempre de passeios ideais para casais, ou turma de amigos recatados. (E o Pablo vai ler isso aqui e espalhar ao mundo que sou cara de pau demais... ahahah!)

Dicas Culturais:
ANIMAGE – Festival Internacional de Cinema de Animação de Pernambuco
Onde: Fundaj, AESO, Centro Cultural Correios (Veja mais informações no site)
Site: http://www.animagefestival.com
Dicas: Não perca Mary and Max
Preço: Digrátis

Cinema da Fundação Joaquim Nabuco
Onde: Rua Henrique Dias, 609 Derby - Fone: (81) 3073.6767
Site: http://www.fundaj.gov.br
Dicas: As comidas da cafeteria são legais, mas o café nunca vem quente (delicioso assim mesmo).
Preço: Inteira R$ 8,00 – Estudante R$ 4,00 (Se não me engano, nas terças meia para todos)

Carlitos Burguer
Onde: Rua Professor Trajano de Mendonça, 340 – Torre Fone: (81) 3228.5717
Onde 2: Rua Senador Fábio de Barros, s/nº - Ilha do Retiro
Dicas: O melhor é o “Bem Bom Especial” (500.000 calorias  :D)
Preço: Bem Bom Especial é na faixa de R$ 10,00

Lara Klaus – Percussionista

Carlinhos Veloz – Cantor e Compositor
Onde: Biografia
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