quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Plínio quer vingança, mas Serra é o pegador



Essa será a primeira eleição que irei votar em BRANCO!
Eu queria mesmo que na urna existisse um botão "VAI TOMAR NO CU"

Olha, eu sei, eu sei... Nem se preocupe amigo, eu não perco mais meu tempo e saliva para convencer ninguém de nada... Quer cheirar cocaína? Que cheire aos quilos. Quer subornar e ser subornado? Que faça!
Quer trepar sem camisinha? Quer beber e fumar até virar uma sombra do que é alguém com saúde? Vai lá, não faltam médicos e funerárias...

E ao contrário do que você leitor está pensando... Eu não tenho tantos problemas e amarguras, nem sou um lunático Quixotesco. Mas note, as eleições estão ai, e eu não perdi meu tempo falando sobre isso.
Mas adorei esse texto abaixo, e quero compartilhar com uma parcela bem pequena do mundo internético:

Plínio, o Vingador do Passado

Vinicius Torres Freire

Plínio de Arruda Sampaio ironiza eleição plastificada, vinga tédio do eleitor e faz o socialismo pegar o aerotrem
PLÍNIO, O Velho, animou o quase clandestino, constrangedor e no mais chatíssimo primeiro debate entre os candidatos a presidente, na TV Band. Plínio de Arruda Sampaio, 80, do PSOL, foi uma sensação entre gente internética e aquela minoria que ainda acompanha eleições de perto, uma parte daquelas pessoas ditas "formadoras de opinião". Isto é, formam a opinião uns dos outros.

Plínio parece ter vingado parcela desse eleitorado, comprometido com os candidatos principais ou sem opções, mas ressentido com a plastificação final das campanhas a presidente, mais profissionais do que nunca nesta eleição e, portanto, despolitizadas e vazias.

Um homem respeitável, na noite de quinta Plínio, no entanto, parecia encarnar uma personagem entre o professor aloprado e o tio maluco do almoço familiar. Em parte o fez com ironia proposital. Em parte.

Plínio acredita mesmo em coisas como socialismo, insurreição camponesa e "tenebrosas transações" do Império contra o Brasil. Além do mais, a personagem escapou do controle do autor. O socialismo embarcou no aerotrem, o símbolo de campanha de um folclórico e paradigmático candidato nanico, Levy Fidélix. Plínio encarnou algo como o "voto de protesto" de muito "formador de opinião" que viu o debate. Fidélix não caberia nesse papel de vingador, a não ser para niilistas anárquicos juvenis de mau gosto.

Mais divertido, Plínio é a memória ideológica viva do que foram José Serra e Dilma Rousseff, PSDB e PT.

Foi da democracia cristã de Franco Montoro (1916-1999), governador de São Paulo que deu a Serra seu primeiro cargo relevante, secretário de Planejamento e "premiê estadual", em 1983. Foi da esquerda católica, na qual Serra também esteve nos anos 1960. No governo de João Goulart (1961-64), pregou e planejou a reforma agrária "radical", uma das razões do golpe de 1964.

Foi perseguido e exilado da primeira leva. No MDB ainda frente de oposição, fez campanha para FHC, eleito suplente de senador em 1978. Rachou com os emedebistas "tucanos", avessos ao esquerdismo, e foi um dos fundadores do PT. Foi ainda um dos idealizadores dos núcleos populares de base do partido. Etc.

Plínio é o Vingador do Passado, dos incomodados com a política de agora, mas desafetos também das alternativas de outrora e sem ideia do que poderia ser novo. Para os "formadores de opinião" que divertiu, Plínio foi um momento de fantasia aceitável, o minuto de chutar o baldinho de uma política que suscita ainda menos paixão do que as campanhas já mortas de conteúdo e sem sentido do final do século 20.

PT e PSDB, Dilma e Serra, parecem diluídos e misturados no mesmo molho de marquetagem, falta de ideias e de convergência ideológica. Dilma e Serra aderem estritamente ao princípio da realidade política.

Marina Silva, PV, seria a "novidade" desta campanha, "ambientalista, mulher, parda e pobre", uma diferença na planície tediosa do cenário político -um morro de 50 metros, porém. Marina foi bastante escovada pela realidade, ex-ministra de Lula etc. É agora adotada também por marginais mauricinhos da política e dos partidos ditos tradicionais. Ainda terá esse papel, na falta de opção. Mas o riso perverso, vingativo, suscitado por Plínio é um indicativo do tamanho do desgosto da "parcela informada" do eleitorado.


fonte: Folha de S. Paulo, domingo, 8 de agosto de 2010, seção "Mercado"


2010 é um ano que realmente apagarei da memória por completo.
É um marco na minha vida... Não perdi a fé, perdi a paciência... E se eu já era frio com aqueles que preferem a lama (mas ainda era capaz de dar a mão), agora finjo que não vejo.
Vai ser foda aguentar 4 anos de Dilma.
E pior ainda será depois dela...
Para quem entende o mínimo de economia internacional... Deixa pra lá.
Pelo menos estou mais magro :)

Ah! Se você ainda tem saco para política pode querer ler o que o economista Ricardo Hausmann da Universidade de Havard acha do Brasil, Lula & Dilma. Aqui no Blog do Jamildo


Agora... Se você acha o Serra um cara sem sex appeal, toma cuidado... Ele não tá deixando passar nada

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