segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Os 30 melhores discos de 2010... (for me) 10-1

10. Hooverphonic - Blue Wonder Power Milk (1998) 
Para quem é fã do Hooverphonic, esse disco tem alguns petardos. Talvez tenha sido uma tentativa de criar algo pop e vendável. É o segundo disco e já chega com uma nova vocalista, Geike Arnaert, lourinha que tem traços característicos do povo daquela região da Europa (Bélgica), é discreta, voz suave e magnetismo hipnótico. Os arranjos e produção do disco não são tão legais quando o primeiro, algo que tende ao experimentalismo comportado. Mas, se não rendeu grana, rendeu musicas inesquecíveis da banda, como: Battersea, Club Monterpulciano, Eden, This Strange Effect. Ver a Geike cantando Eden ao vivo da a mesma sensação do "Trespassers William": O que diabos fizeram com essa menina?
Musica para... Bem, é mais um disco de trip hop, se você ainda não entendeu? 


9. Delerium - Voice: An Acoustic Collection (2010) 
Umas das surpresas de 2010. Eu já não tinha esperanças de ver novos trabalhos do Delerium (Fulber & Leeb, lembra?). Eis que surge uma coletânea com sucessos do projeto, cantados em versões semi-acústicas e de quebra com a Elsiane (Segura ai que já falo dela). Todas as vocalistas que ficaram famosas depois do projeto foram convidadas: Sarah MacLaclan, Kreesha Turner, Leigh Nash, Jaël e outras. É um disco nostalgia, e talvez por isso, minha empolgação ficou presa a Elsiane e saber que o grupo ainda pode render mais alguma coisa no futuro.
Som para se ouvir no almoço, numa varanda na praia ou (com headphones) durante uma reunião chata. 


8. Hooverphonic - No More Sweet Music: Live in Ancienne Belgique (2005)
Não sei como isso funciona, mas esse disco não faz parte da discografia oficional da banda. E para completar, existe um DVD, com todo o show, com qualidade sonora para audiófilo algum por defeito. Onde tem? Não tem. (Mas eu tenho). Ouvir as 20 músicas do álbum na seqüencia é maravilhoso, mas ver a Geike interpretando é de deixar o ouvinte pregado na tela. Celo, bateria e um tecladinho cabuloso. A pergunta é: Por que eu não nasci na Bélgica :) 
Musica para ver na tela grande com uma cerva bem gelada. 

Como estamos em época natalina, olha o presente no Grooveshark, digrátis. 


7. Doves - The Places Between: The Best of Doves (2010)
Nunca gostei do Doves. Ficava jogado de lado, e no máximo tinha uma musiquinha de um seriado ou filme que agradavam (pouco). Mas depois que digeri a trilha sonora de "500 dias com Ela", peguei essa coletânea, e é merecedora que estar na discoteca. "There Goes The Fear" é dessas musiquinhas tristes que tentam dar um Up na vida, o sambinha que finaliza a música é muito válido.
Mais um disco legal para estrada. E se seu problema é dor de cotovelo, é um prato de filé com fritas, leva pra tu e te acaba ai nas magoas. 


6. Hooverphonic - The Night Before (2010)
Outra surpresa, outra volta triunfante. Quando a Geike Arnaert saiu da banda em 2008, tudo parecia ter acabado para o Hooverphonic. Eis que os dois integrantes que restaram saíram a caça de uma nova vocalista. Encontraram uma magrinha a altura. Noémie Wolfs chegou no meio de um marketing bem interessante. Selecionada no meio de 1000 candidatas e escolhida entre 14 finalistas, reza a lenda que a moça nunca cantou e sequer era fã do Hooverphonic (Papai noel existe). o Disco chegou as ruas no final de novembro, escuto o bicho a uns 15 dias e já está na oitava posição entre os mais ouvidos do ano. WOW! Adivinha, trip hop, mas sejamos justos, com muito açúcar... Mesmo assim, tem a música mais fantástica de todo o ano, que não sai da minha cabeça: "How Can You Sleep" (As letras de todas as músicas parecem ser destruidoras, um Hooverphonic legítimo)
Musica para ouvir com headphones, voar como superman e sentir o perfume da cara metade. 


5. Hammock - Kenotic (2005) 
Os dois americanos do Tennessee que formam a banda, já trabalharam com o Jónsi do Sigur Ros e Alex Somers do Parachutes. Não é mais uma banda de Post-Rock, eles tem um tom de leveza que lembra o Shoegaze noventista com a sonoridade dos citados islandeses (Sigur Ros, Parachutes). Não é musica para dançar, nem deixar rolando... É coisa para quem quer respirar ar puro, tirar todas as sujeiras que existem guardadas no sotão dos pulmões. É para quem quer chorar por pura emoção e celebração a vida. Se nunca ouviu ou viu os vídeos do Hammock, não irá entender nunca. E se ouviu e não ficou tocado, siga em paz amigo... Quem sabe existe isso de várias encarnações, vai que você tá na primeira estadia... Musica para ouvir de olhos fechados com o melhor headphone que seu bolso possa pagar.
Como esse é o disco de estréia da banda, pelo experimentalismo, poucos recurso e resultado tão fantástico, posso compara-lo ao Ten, primeiro disco do Pearl Jam (melhor disco de Rock da minha vida)
Como essa lista é para os discos mais ouvidos durante 2010, o album "Chasing After Shadows... Living With the Ghosts" lançado este ano, ficou fora por puro descuido de minha parte.
Som para saltar de para-quedas.

E se você quer saber o motivo da minha adoração seletiva, onde música, vídeo e fotografia criam uma pausa no tempo, olha isso (em HD fica melhor ainda): 

Hammock - Breathturn 



4. Danger Mouse & Sparklehorse - Dark Night of the Soul (Deluxe Edition)  (2010)
Quando comecei a fazer essa lista baseado nas informações do iTunes ou do Last.fm, tinha certeza que esse disco seria o mais tocado de 2010. Para minha surpresa, não foi. Esse disco tem toda uma historia. Graças a uma disputa judicial a EMI (tinha que ser) quase fez essa obra de arte psicodélica morrer em um porão. Além de vários artistas convidados (James Mecer do The Shins, Wayne Coyne do Flaming Lips, Julian Casablancas do Strokes, Frank Black do Pixies, Nina Persson do The Cardigans, Suzanne Vega, Iggy Pop, outros) O David Lynch canta e ficou responsável pelo visual da obra, incluindo nisso um album com mais de 100 páginas de fotos de sua autoria. Somente 5000 pacotes iriam ter esse brinde exótico. Para brincar ainda mais, graças a essa briguinha autoral, o Lynch deixou um CD-R virgem dentro de cada kit, com a seguite frase: "For legal Reasons, enclosed CD-R contains no music. Use it as you will" ou seja "use como você achar melhor" :)
Ainda não acabou... o Disco foi produzido em 2009, em dezembro desse mesmo ano, Vic Chesnutt, um dos participantes do projeto morreu de overdose (o cara já era deficiente desde 1983 graças a um acidente). Ok, então o disco seria lançado com dedicatória ao sujeito. Só que em março de 2010, Mark Linkous, mentor do Spacklehorse, tira a própria vida. Macabro.
A versão do pacote com 2 LPs + 2CDs + Poster + Cartões de fotos + livro com 48 páginas custa US$ 60,00 na Amazon. Já vi a versão com o livro de +100 fotos por mais de US$ 250,00 (E vale!).
Disco para ouvir enquanto dois enfermeiros tentam lhe segurar com uma camisa de forças e a enfermeira enfia a agulha com alguma substancia apaga-homem.

A primeira música do disco tem a assinatura do Flaming Lips, e é de rasgar a alma em um milhão de pedaços. Para "piorar" tem vídeo autoral:

Revenge - The Flaming Lips


Se você preferir ver e ouvir a musica completa, vendo macho, seu video é esse aqui, eu prefiro a bonitinha da  Marlene Cardaman. Se viciar em Flaming Lips, toma cuidado com os cogumelos  :)


3. Hammock - Raising Your Voice... Trying to Stop an Echo (2006) 
Se você nunca ouviu falar em Post-Rock, tudo bem, "nóis táqui pra isso"... Imagine o Rock Progressivo na sua aura mais eletrônica e viajada, mas como toda vertente, tudo ainda está sendo fabricado. É possível encontrar bandas que fazem uma coisa mais pesada como o  Madensuyu  ou sons transcendentais e hipnóticos como o God is an Astronaut (a que eu mais gosto). Tem até gente antenada no Brasil formando suas bandas e mostrando disposição para o novo, é o caso dos cearenses do Fóssil.
A grande sacada do Hammock é a levada Shoegaze, algo que não é pura tristeza, é mais, é uma depressão sofrida e combatida com rifes de guitarra suaves como seda, tonalidades sonoras que parecem acalmar a alma e manter o coração afagado por sentimentos de esperança. Se você acredita que música é terapia e cursa medicina, comece a estudar o Hammock, é um bálsamo sem contra indicações.
Esse é o quarto disco da banda, tão refinado e bem trabalhado quanto o primeiro.
A música que da nome ao Album, "Raising Your Voice...Trying to Stop an Echo" tem direito a vocal, vibra com uma emoção única. Depois de percorrer músicas químicas como "More Dead than Alive (Get Away From the Medicine)", você chega em "Disappear Like the Morning...", vai para "...Like Starlight Into Day", dificilmente você não ficará abalado. Ai chega já na penúltima música, "Will You Ever Love Yourself?".

Como falei, é uma terapia intensiva em 18 partes, e se o nome das canções ainda não lhe convenceram disso, olha ai (Ana Maria Braga Style):

Hammock - Will you ever love yourself


2. Anathema - We're Here Because We're Here (2010)
Anathema é um dos assuntos mais constantes aqui no Blog. Banda Britânica que escuto a muitos anos. O last.fm não me deixa mentir, é a mais tocada de 5 anos pra cá. Os caras eram cabeludos do Doom Metal, migraram para um som progressivo e largaram os gritos guturais. Uma banda formada por irmãos que abalados pela perda da mãe compõem dois discos altamente depressivos e soturnos, "A Fine Day to Exit (2001)" e "A Natural Disaster (2003)". Depois de uma lacuna de 7 anos o Anathema lança um novo disco. Não que eles estivessem parados no tempo. Inclusive esse disco é um apanhado de músicas que foram sendo inseridas nos shows durante esse tempo de seca. Eles prometiam um disco mais animado, e claro que isso deveria ser uma piada. O disco é realmente mais "Up" que o tradicional dos caras, mesmo assim, é feito de facadas no peito, dor e sofrimento em um ambiente etéreo, com anjos e som do mar, é para quem ama em qualquer sentido (nessa hora, esqueçe o trip hop).

Os caras vivem envoltos em dividas, ferrados, tocando em lugares pequenos, mesmo sendo músicos acima da média, com letras muito acima da média, mas esse mundo é feito de média, gente média, por isso o sucesso do Anathema é de nicho.

Mas para um grupo de rapazes que saiu de Liverpool a 20 anos, cantando Doom Metal até cair de bêbados em bares fedorentos, ter 24 milhões de execuções e 360.000 ouvintes no Last.fm não é nada mal.

É a banda mais propaganda boca a boca que conheço. O tempo passa, os caras vão ficando coroas, mas o som continua fiel, inovador e mantendo absurdamente o sentimento.
"We're Here Because We're Here" é composto de 10 músicas marcantes, fortes, metais, guitarras e bateria com assinatura incontestável da banda. É um rock progressivo com bases mais pesadas (as vezes), letras inteligentes mas simples. Se você tem 15 anos de idade e curte rock, dificilmente irá achar que esses caras tem na faixa dos 40. E se você tem 40, irá lembrar do bom e velho Pink Floyd.
É música para ter no mp3player a qualquer momento.

A primeira música do album:

Anathema - Thin Air



1. Elsiane - Hybrid (2007) 
Elsieanne Caplette doa seu nome a banda que tem mais um integrante,  Stephane Sotto (um canadense com nome de mulher). Ela nasceu no Peru e migrou para o Canadá pensando nos estudos sobre música. Esse é seu primeiro e único disco. Faz um sucesso razoável na Russia e países europeus, lugares onde as pessoas no passado cresceram ouvindo música clássica. Não é difícil se apaixonar pela voz e brincadeiras com a eletrônica feitas por essa moça. Se já falei muito sobre Trip Hop, eis que aqui entra uma pitada de Downtempo (Por favor, não procure a tradução para isso na Wikipedia em Português, mas em inglês descreve bem o que é isso).
Elsiane é um passo a frente, um avanço real nas composições instrumentais e vocais. Todos querem mover o mundo e se acharem os descobridores de novos caminhos, e isso não funciona para a grande maioria.
Assim como o Depeche Mode popularizou a música eletrônica, o Nirvana trouxe de volta a potência dos power trios dos 70, Elsiane é musica para rádios o futuro. Se em um filme de ficção científica alguém sintonizar uma rádio no ano de 2095, provavelmente estará lá, ela. Enquanto isso não acontece, a moça também empresta a voz para o Delerium.
É música para deixar tocando, deitado confortavelmente e olhando para o teto, planejando o dia seguinte, ano seguinte, e o futuro.

Como 2010 é um ano que será apagado, enterrado, Elsiane foi a grata surpresa. A esperança que o futuro pode ser melhor, mais sonoro, mais enigmático e fantástico.

Elsiane - Vaporous



 Elsiane - mend (to fix, to repair)
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