sexta-feira, 10 de outubro de 2008

A Crise, O Estranho e Leland



A Crise Financeira Mundial

O mundo é uma grande farsa. Você a vive todos os dias. Acorda e começa a alimentar uma existência irreal. É como se fossemos galinhas, e nossa missão é expelir ovos diariamente, para alguém em algum lugar poder come-los com um par de fatias de bacon bem fritos.

Adoro crises financeiras, sejam mundiais ou pessoais. É um período lindo, onde você pode repensar sobre o quão é idiota lutar para ter um carro zero, ou sonhar com uma TV de 50”.

O que realmente deveria importar para as pessoas?
O preço do petróleo ou o preço do milho de pipoca que será usado naquela sessão de cinema na casa do seu amigo?
Será que se todo o sistema bancário mundial quebrasse você deixaria de sentir o sabor de um pão quente com manteiga e aquele café de aroma forte?
Será que vale a pena se aposentar aos 70 anos para aproveitar a vida, sabendo que ela irá se resumir a ler livros e fazer passeios com grupos? (Espero que você ai com 70 esteja agora falando: _Otário, eu tô indo para a Nova Zelândia fazer tirolesa no meio das arvores gigantes, Uhuuuuuu!)

Todos sabiam que os EUA iriam passar pelo que estão passando. Pior, todos sabem que isso é só o inicio do fim. Em breve chegará a verdade sobre o sistema previdenciário americano, e isso irá derrubar o rei do trono. Daí pra frente é tudo imprevisível. Mas acredite, tudo é cíclico... Já aconteceu o mesmo com Roma, com Portugal, com a Inglaterra, e até o fim dos tempos sempre existirão mudanças, crises e problemas, só que a cada dia eles são maiores, mas temos mais velocidade, mais comunicação (pelo menos para os mais ricos), e nunca o povo americano irá passar pelos mesmos dias sombrios de 1929.

Seja você do mercado financeiro ou não, dono de ações ou não, repense sobre esse mundo que vivemos. No individualismo, no consumismo, na idiotização, na promiscuidade, nas falsas religiões, nos falsos políticos, na vida falsa dos Big Brothers, na comida que você exagera, na tonelada de açucares que você consome e como você é manipulado para acreditar que isso de acordar as 06:00h e chegar em casa as 21:00h é uma vida.

Vai uma dica de dois filmes. Neles é possível ver a linda Maggie Gyllenhaal como uma socialista anárquica que resolve pagar o que acha justo de impostos federais. E o irmão dela, no outro filme, fazendo o papel de um ser que é impossível (pelo menos para mim) de ser definido ou enquadrado na nossa sociedade que sempre dará um carimbo de certo ou errado.

AH! Você que leu até aqui, e for ler o restante abaixo, vá se acostumando, eu não conto o filme (só algumas vezes), e acredito (muito) que as pessoas deveriam dar um voto de confiança e ariscar, ir na locadora e pegar o filme sem ler nada da capa, e simplesmente ver.

Acredito que irei desagradar com meu gosto cinematográfico 90% das pessoas que assistirem minhas indicações. Desses 90%, acho que uma parcela irá repensar sobre algum assunto ligado ao filme, e só isso já me deixaria feliz. Os 10% que aprovarem, provavelmente voltarão aqui no Blog algum dia (sabe-se lá por qual motivo).


Mais estranho que a ficção

Já falei desse filme. Mas tenho um vício estranho, gosto de rever filmes.
Com o mundo massificado, arte é algo que se perde no meio do infinito numero de opções, sejam filmes, músicas ou qualquer forma de expressão artística.

Normalmente músicas podem ter traduções diferentes de acordo com seu humor ou os acontecimentos do seu dia. A mesma música pode lhe deixar empolgado ou sonolento, e até mudar o significado.

Conseguir fazer um filme que releituras podem abrir novos caminhos, além de todos aqueles que você já havia percebido na primeira exibição, é algo para grandes artistas, tanto no roteiro como na direção.

Mais Estranho que a Ficção é uma obra prima. São vários filmes dentro de um só. Os diálogos por vezes simples e outros mais sofisticados, são a cola para unir tudo. É um filme sobre a vida, a rotina e o renascimento de um ser ao descobrir que sua vida tem data para acabar.
A fotografia desse filme é maravilhosa. É tudo tão clean e belo que por muitas vezes é possível imaginar o cheiro dos ambientes, a temperatura e os sons.

No quadro de atores gente que além de respeito, merecem serem vistos por várias vezes. É o caso da Ema Thompson, que é fantástica com seu sotaque britânico e todos os cacoetes de uma escritora, fumante contumaz e em pânico por não conseguir terminar seu livro e por descobrir que seu personagem existe na vida real, e ela terá que matá-lo.


O Mundo de Leland

Outro filme que já falei, mas merece ser revisto várias vezes.
Não sei porque diabos, mas muita gente associa esse filme a Donnie Darko, que por sinal é outro filme da minha lista de preferidos.
A marca desse filme são os diálogos. São tão pesados e crus que você irá repensar sobre muitos conceitos pré-formatados na sua cabeça.
É uma visão dura de como é difícil avaliar culpa e como as coisas mudam e não temos tanto controle como imaginamos. As escolhas, as conseqüências, a rede de pessoas afetadas com um evento. É raro pensarmos como tudo é tão conectado, como afetamos e somos afetados por aqueles que cercamos e que nos cercam. E isso me lembra a melhor lição dos meus pais: “Se una com quem é melhor que você”. Isso bate na minha mente até hoje, mas tive que me moldar a algo mais real, e além “dos melhores” eu adoro conhecer os verdadeiros, os mais “doidinhos”, que para muitos são fracassados, mas que muitas vezes são só gênios relegados.
Aprenda com qualquer um, todos tem algo a ensinar.


O que?

E se você quer saber onde todos esses assuntos se interligam, pare de ver novelas e leia mais sobre esse mundo que você vive. A 10 anos todos sabem que a economia americana é uma farsa e só um punhado de bilionários se beneficia com isso. Nesse momento, muitos eleitores do Bush estão sentindo na pele o peso da falta de oportunidade, o gosto da derrota, e se o furacão for forte suficiente, ele irá tirar esse manto de mentira que cobre a economia “mais forte” do mundo... E adivinha só... todos que previam essa tempestade eram taxados de loucos. Hahaha! O mundo só é mais estranho que a ficção para você que se acha inabalável.
A casa caiu!

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