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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Like Starlight Into Day (Como a Luz da Estrela no Dia)

E foi num sábado a tarde, em uma praia gélida, que eu lembrei de sonhos passados.
E eu estava ali, sem você, sem o sonho. Só o frio.
Olhar para o horizonte trás uma certa esperança, um certo conforto...
Nada é atingível nesse mundo.
Estou na praia que sonhava, mas essa areia era apenas coadjuvante dos sonhos quentes e estrelados.
Mas o horizonte está ali, ainda existe a esperança de alcança-lo.
Mas é só o horizonte.

Lagoinha - Florianópolis - SC



Like Starlight Into Day


You say your time is over
You seek but never find
And the cold wind on your shoulder
A storm inside your mind

You say you're tired of waiting
You're weak and so ashamed
And your faith is finally fading
Like starlight into day...
So you throw yourself away

No more time for waiting
So you throw yourself away
You threw yourself away
You threw yourself away

...

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Não esqueça de uma coisa chamada amor



There was a time
There was a place
But there was fear inside
A witty lie to save my face
The parachute of pride
To cross the line takes a tiny step
But will this spark cause the bridge to burn
My fear entwined with my regret
I'll be the path for safe return


So here we are
All just the same
But you will never know
My secret plan
How close we came
To share another role
I haven't lost my only chance
To tell you how I feel inside
Is it just me
I'd like to know
Or are we all just a little blind?


There's a thing called love
That we all forget
And it's a wasted love
That we all regret
You live your life just once
So don't forget about a thing called love
Don't forget, forget about a thing called love


There's a thing called love
That we all forget
And it's a wasted love
That we all regret
You live your life just once
So don't forget about a thing called love
Don't forget, forget about a thing called love

A versão mais dançante é essa aqui:


Mas eu prefiro a original... Entendeu porque Trance é musica para quem tem coração?

.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Dark Night of the Soul

Estava escutando ROME, disco do Danger Mouse & Daniele Lupi, e como me confundi com os anúncios do SWU, misturei Modest Mouse com "Danger" Mouse.
Quem realmente vem é o Modest Mouse.
É fácil confundir, já que tanto a banda Modest Mouse, quando o DJ e produtor Danger Mouse já fizeram trabalhos com o The Flaming Lips.
Você com certeza conhece o Danger Mouse, ele é parte da dupla Gnarls Barkley, de onde surgiu o agora famoso Cee Lo Green (Que eu preferia quando não era famoso).

 E falando em Flaming Lips, que tal relembrar o disco Dark Night of the Soul, assinado pelo Danger Mouse & Sparklehorse, que ainda conta com vozes como: Julian Casablancas, Iggy Pop, Nina Persson (The Cardigans), Mark Linkous (Sparklehorse) e a bizarra voz do David Lynch.

 "Revenge" primeira faixa do disco "Dark Night of the Soul"



Pain
I guess it's a matter of sensation
But somehow
You have a way of avoiding it all

In my mind
I have shot you and stabbed you through your heart
I just didn't understand
The ricochet is the second part

Cause you can't hide
What you intend
It glows in the dark
Once you've sought
The path of revenge
There's no way to stop
And the more I try to hurt you
The more that it hurts me

Strange
It seems like a character mutation
Though I have all the means
of bringing you fuckers down
I can't make myself
To destroy upon command
Somehow forgiveness
lets the evil make the laws

No you can't hide
What you intend
It glows in the dark
Once we've become
The thing we dread
There's no way to stop
And the more I try to hurt you
The more it backfires
The more it backfires
The more that it backfires

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Dinheiro! Dinheiro! Dinheiro!

Imagem do Trey Ratcliff, um cara que pensa diferente... 

Recentemente um imbecil vazou na Internet a foto do Steve Jobs decadente e tão magro quanto uma criança esfomeada da Africa. Ética é a palavra que mais escutei nos últimos 10 anos, e me parece ser tão bem usada para o lucro pessoal ou empresarial quanto as palavras: ecologia, auto-sustentável e biocombustíveis (entre outras dezenas de clichês). O mais curioso é que o Jobs ostentava um sorriso inimaginável. Porque será que ele sorria? Por que será que alguns só descobrem o quanto é bela a vida no final dela?

Particularmente acredito que o Steve Jobs com toda a sua arrogância e grosseria conhecidas (do passado) acordou!

Sim, ele furou a fila do transplante para conseguir um novo fígado. Isso é totalmente sem ética. Mas o que você faria para salvar sua própria vida?

O mais curioso, é que pessoas como o Jobs sempre surpreende no fim. Não irei me assustar se anunciarem após sua morte que ele fez parte de alguns projetos sociais, doando ou influenciando soluções para consertar erros que ele mesmo ajudou a produzir.

Uma das músicas do Manic Street Preachers, tem um vídeo (não original) que nunca tive paciência de ver, já que me parecia muito apelativo e obra de mais um sujeito sem bom senso. Até que hoje eu assisti por inteiro:



No final, existe a referencia ao Projeto Venus, uma utopia de um senhor chamado Jacques Fresco.
O vídeo a baixo mostra ele em 1974, sendo entrevistado por Larry King, que como todo "bom" apresentador de auditório, tenta ridicularizar o sujeito, que apesar de realmente ser maluco, mostra idéias e conceitos que sonhamos um dia ser realidade.

Isso inflige duas situações, temos que nos educar para aceitar pensamentos divergentes e ser racionais, coisa que com toda a inteligencia humana não funciona direito.

Que tal educar a inteligencia coletiva? Será que isso já não está acontecendo e nem percebemos?
Será que toda essa extrema liberdade que temos hoje, e os problemas gerados por isso não estará sendo o cimento da base de um futuro melhor?
Ou será que somos somente tudo o que os filósofos e pensadores acham da raça humana, apenas seres hedônicos e egoístas?



As imagens do vídeo do Manic Street Preachers me lembraram de outra musica fantástica deles, que logo a baixo conto a historia...



Kevin Carter é o fotografo que ganhou o premio Pulitzer de 1994, por sua foto de uma criança faminta sendo espreitada por um urubu. Existem alguns versões sobre essa foto. Uma delas diz que o sujeito esperou por 20 minutos que o urubu abrisse as asas (e ele não abriu). Outra versão diz que ele fez a foto banhado em lágrimas (mas ficou mais preocupado em fazer a foto).

No mesmo ano de 1994 Kevin Carter se matou usando uma mangueira para levar o gás do escapamento do carro para dentro do veículo. Ele deixou uma carta:
"Estou deprimido… Sem telefone… Sem dinheiro para o aluguel.. Sem dinheiro para ajudar as crianças… Sem dinheiro para as dívidas… Dinheiro!!!… Sou perseguido pela viva lembrança de assassinatos, cadáveres, raiva e dor… Pelas crianças feridas ou famintas… Pelos homens malucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policiais, carrascos… Se eu tiver sorte, vou me juntar ao Ken*…"
*Ken = Ken Oosterbroek, fotografo e amigo, morto por fogo amigo em 18 de abril de 1994.

"As melhores coisas da vida, não são coisas"

Sobre a ganancia humana, uma das historias mais interessantes é do rei Midas, que todos conhecem bem. O rei que recebeu a "dadiva" de que tudo o que tocasse se transformaria em ouro.
Não demorou para Midas perceber o problema que havia se metido. Baco, a mesma divindade que lhe atendeu o pedido, aceitou retirar o poder.
A parte da historia de Midas que poucos conhecem é sobre sua pena por discordar de uma decisão de Tmolo (Deus das Montanhas). Apolo puniu Midas colocando nele orelhas de burro. Constrangido, aquele que um dia foi o rei que em tudo que tocava virava ouro, conseguiu disfarçar suas orelhas com um turbante, mas seu cabeleireiro sabia do segredo, e não conseguia manter a boca calada, assim, cavou um buraco e gritou:  "O Rei Midas tem orelhas de burro!"
Não funcionou, na terra onde o segredo foi escondido, nasceu um junco, e o vento fazia o som ecoar pelo reino: "O Rei Midas tem orelhas de burro!"

Além da historia de Midas, do Kevin Carter, e do Steve Jobs, muitos de nós deveriam prestar mais atenção em pessoas como o Jacques Fresco ou Raj Patel, que apesar de soarem como loucos alienados, podem nos ensinar muito, e criar um equilíbrio entre a alienação coletiva e os modelos de negócios que unicamente visam o lucro financeiro.

Um dos contos disseminados pela Internet (isso mesmo, correntes), atribuem autoria ao Alexandre Magno, como não conheci ele pessoalmente e não tem o telefone dele na lista, facebook ou G+ fica difícil saber se foi ele mesmo. Mas...

Quando à beira da morte, Alexandre Magno (O Grande) convocou os seus generais e relatou seus três últimos desejos:

1º Que seu caixão fosse transportado pelas mãos dos médicos da época;

2º Que fosse espalhado no caminho até seu túmulo os seus tesouros conquistados (prata, ouro, pedras preciosas...);

3º Que suas duas mãos fossem deixadas balançando no ar, fora do caixão, à vista de todos.

Um dos seus generais, admirado com esses desejos insólitos,perguntou a Alexandre quais as razões. Alexandre explicou:

1º Quero que os mais iminentes médicos carreguem meu caixão para mostrar que eles NÃO têm poder de cura perante a morte;

2º Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem;

3º Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e de mãos vazias partimos.
































As vezes parece loucura querer mudar o mundo...
Mas já percebeu que ele sempre muda?
O problema é que você pode ser só inerte e passar a vida como observador, ou entrar no jogo. arriscar, ganhar, perder... Mas ter a certeza que viveu, contribuiu e distribuiu! É muito mais gostoso!



domingo, 21 de agosto de 2011

Feeling... Musicas com cigarro

Cheguei em casa e uma música da Sheryl Crow não saia da minha cabeça... Perfect Lie




Meio triste... Ai pensei em lincar outra também... down...
Lembrei de Inhaler do Hooverphonic. E essa versão live do disco Sit Down and Listen to Hooverphonic é matadora




E para fechar com muita fumaça nos olhos, Roads do Portishead, ao vivo em um dos shows mais fantásticos já produzidos por uma banda de Trip Hop

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

The Way Back

Falar de um filme pode ser fácil. Falar sobre a vida é mais complexo. Descrever caminhos, alegrias, tristezas e problemas é algo que pode travar o fluxo de oxigénio que seu corpo tanto precisa, mas falar de fé, amor, compaixão e compreensão é algo que pode lhe despir e torna-lo frágil e desprotegido. Não existe melhor sensação do que falar o que vem de dentro, mesmo que suas muralhas se enfraqueçam e que seu coração corra o risco de fraquejar e virar alvo fácil.


Quando vi o trailer (no cinema) de Caminho da Liberdade (The Way Back), fiquei sem folego.
Sou apaixonado por paissagens colossais e de horizontes infinitos. Lugares onde você se sente tão pequeno que o barrulho do vento parece conversar com o seu intimo, lhe perguntando se você consegue compreender o quão magnifico é a vida.

O filme tem o titulo no Brasil destonante e fora do contexto, onde a tradução ao pé da letra ficaria muito mais propício (O Caminho de Volta). A saga de fugitivos que atravessam 6.500 quilómetros das regiões mais inóspitas do planeta, crusando a Sibéria até chegar no Tibet, fugindo dos russos com seu regime comunista e proibidos de pisar na Polónia, dominada por Hitler.


O filme me lembrou dos conflitos atuais. Em 2005 na França. Desde 2010 na Grécia e a uma semana na Inglaterra. O que está acontecendo com esses países civilizados e outrora ricos?


O mundo vive um momento de relativa paz, com pequenas guerras nas já tradicionais zonas de conflitos, como o Oriente Médio e África, eles sempre estiveram em guerras.

Muitos irão dizer que essas regiões vivem em derramamento de sangue desde sempre graças as disputas religiosas e suas culturas machistas e violentas.

A verdade é que o ocidente imprimiu a força a cultura do unilateralismo, do cartão de credito e do ateísmo.

Assistindo ao filme, em determinado momento onde o grupo de expedicionários adentra um templo budista procurando proteção, vemos crânios e destruição. A personagem de Saoirse Ronan, Irena pergunta o que aconteceu ali. A resposta:
- O mesmo que aconteceu com nossas igrejas e templos.


Para quem não sabe, Hitler e Stalin saquearam e destruíram, além de proibir, qualquer manifestação religiosa em todo seu domínio (eixo do mal - Alemanha, Itália e Japão).

Estamos vivendo um momento onde a comunicação rápida e barata faz sons ecoarem sem filtros, e aqueles menos preparados terminam agindo como homens das cavernas, gritando e formando uma urbe cheia de ódio e rancor, e o mais curioso é que boa parte da motivação é nula. São jovens que se sentem inferiores por não morar em condomínios luxuosos ou não possuem a jaqueta da Adidas e uma corrente de prata no pescoço.
Já os mais felizardos, donos de carros conversíveis e mansões, se gabam de sua inteligência em fazer fortuna comprando e vendendo títulos de renda variável (ações). Eles esquecem que esse termo, “variável” faz parte da vida e do equilibriu da natureza.

Boa parte das pessoas hoje em dia tem uma visão negativa do futuro. Ou existem aqueles que estão unicamente preocupados com a manutenção do que já é seu, conquistado ou tomado.

Voltando ao filme...
Adoro diretores que sabem colocar-se isentos na historia. Peter Weir foi tão sutil em sua colocação sobre o espiritualismo e a destruição da força comunitária, que no momento que os personagens são acolhidos por tibetanos, temos a impressão que eles serão entregues as forças comunistas.


A pouco tempo atrás, assistindo a uma aula de história, sobre cultura, vi a professora afirmar veementemente a sua turma de alunos que religião não é cultura. Naquele momento vi uma educadora enterrar os últimos quatro ou cinco mil anos da humanidade.

O mais curioso é me ver partindo em defesa de crenças que eu mesmo tenho dúvidas. Porém, me vejo feliz em ter um mundo inteiro lutando por liberdade, brigando inclusive por coisas que para pessoas da minha geração não são fáceis de aceitar, como a liberdade sexual feminina, casamento homossexual e por ai vai...

Da mesma forma que o Nazismo prometia riquezas para os que o apoiassem, vejo hoje o populismo tomando conta do mundo. Hitler (tentava) destruir culturas com fogo, hoje a cultura é destruida por ridicularização ou proibição legal. Nos EUA em cidades interioranas um muçulmano não se sente “a vontade” em expor sua ideologia. Na França garotas são proibidas de usar lenços na cabeça.

Passei muito tempo falando que estava cansado de lutar contra os erros do mundo atual. E o mais curioso, é que realmente desisti de salvar o mundo, e isso foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido.

Agora estou preocupado em universos menores, coisas bem menores e tentando ajudar a quem realmente precisa e quer.

Posso olhar para o sul e ver tudo que não quero ver, ou posso mirar ao norte, fechar um angulo até ficar muito estreito, e definir que esse é meu caminho.

Como no filme, eu sei muito bem o que é lutar pela vida, ver paisagens gigantescas, se sentir pequeno e respirar o ar que ao sair expurga as sobras, o que não nos serve.

Divida sua água, acredite nas pessoas e continue andando, a vida só termina quando você fechar os olhos para sempre, e preste atenção, você os fecha todos os dias, e nunca saberá qual é a ultima vez.
Ed Harris - Ele fala pouco, mas diz muito

Saoirse Ronan - Essa menina é um fenômeno


Colin Farrell - Sempre no papel de mal elemento


Esse filme realmente foi emocionante. Pena que ainda estou numa fase James Bond. Mas abri uma exceção e escutei dois discos inteiros do Trespassers William

terça-feira, 12 de julho de 2011

Bonzinho só se dá bem!


Todos os dias (ou quase sempre) pela manhã ao me dirigir ao trabalho, uma música entra em loop no meu cérebro. Pode ser uma canção antiga, nova... Pauleira, dançante ou relax, mas é bom dia que dou a minha própria pessoa.
Não é difícil me flagrar estalando os dedos (mesmo sem saber fazer isso). Adoro respirar, ver as pessoas no ônibus, observar os trabalhadores que limpam as ruas, ver a infinidade de carros, ouvir os sons da conturbada cidade onde moro.

Nos últimos meses tenho vivido algo novo, um sentimento estranho para uma pessoa pragmática como eu, que por vezes pode até parecer frio. Estou falando do meu otimismo.

Matematicamente falando, costumo ver as coisas ao longo prazo. Sempre guio minha vida em espaços de 10 anos. Planejar e executar planos é algo que demanda muito tempo e paciência. Se você acertar, no máximo receberá um parabéns. Caso erre, e dependendo do erro, a punição pode ser destruidora.

Não estou alienado com as propagandas do Banco Santander, Coca-Cola ou Hyundai, sei que essas empresas visam o lucro, e somente isso. Porém, essa onda de bondade que se espalhou pelo mundo em forma de produtos e marcas, deixa espaço para que as pessoas voltem a pensar positivamente, queiram analisar os reais ganhos, e no lugar de sonhar com carros e aparelhos eletrônicos, podem pensar melhor sobre a vida e como é importante lembrar que somos finitos e que em um curtíssimo espaço de tempo morremos e pronto! Não levamos nossos sonhos materiais para lugar algum.

Não fiquei cego ou embriagado por uma paixão ou sonho de conquista, apenas vejo um futuro melhor. Onde uma nova crise financeira mundial talvez entoe os líderes a repensar como tudo funciona.

Curiosamente, é exatamente por não estar cego, que continuo vendo a violência e falta de respeito que tanto cresce no mundo.

Os muito jovens crescem sem parâmetros, já que não existe mais a instituição familiar. Mulheres e Homens são iguais, e ninguém parou para pensar em como essa igualdade é injusta, sendo exatamente o contrário do que toda a balela de liberdade prega. Vivemos em um mundo com tantas opções, tantos recursos, tanta comida e facilidades que terminamos em um ciclo vicioso de correr atrás do próprio rabo.
Hoje fico gordo porque comer é barato - mesmo que a qualidade do alimento seja suspeita. Amanhã pago por remédios para emagrecer, e esse ciclo esconde o que é realmente viver.

A belíssima música que tocava na minha cabeça ontem pela manhã, era "All the Word" do Fauxliage (Projeto paralelo da Leigh Nash e os integrantes do Delerium). E foi exatamente por ver essa música em um vídeo do seriado Dexter que resolvi escrever esse post...



Sendo bem sincero, acho que Dexter deve ser um excelente seriado. Mas só assisti a primeira temporada, e seu enredo é tão cruel, frio e deprimente, que preferi não ver a sequencia.
Dexter, um psicopata que na teoria do seriado age sobre controle, foi educado pelo seu pai a satisfazer seu desejo de matar eliminando bandidos e preservando os bons. O mais estranho é acompanhar a vida de um ser que não distingue certo e errado, ou pior ainda, não sabe o que é o amor, afeto ou vontade de preservar algo, algo vivo.

O meu positivismo está exatamente na visão que tenho do mundo, onde vejo todos os dias pessoas lutando para conquistar amores, sofrendo por esses e novamente por outros. Pessoas que ainda se chocam com a violência. Que querem construir uma família, criar filhos e ajudar aqueles que precisam. Vejo todos os dias pessoas que escolheram o caminho mais difícil, fazem o certo, são honestos(as) e trabalham muito para conseguir algo melhor, um mundo melhor. Dexter é só um personagem fictício, na vida real, a maioria só segue a manada, e se empresas hoje pregam o bem, o coletivo e a economia de recursos, uma hora tudo irá ficar mais claro e limpo...




All The World - Fauxliage

I´ll break you down
I´ll take you down down
Fill you with sadness
Make your life madness

I am having the hard time
I am making you do the hard time too
I am stuck in a bad way
And I'm gonna make you pay for it

Give me a mile
I´ll take a hundred miles
Such a mistake
Sorry, you made

I know you´re here
I know you´re gone
I never asked you to stay
I am waking up, baby
Now tell me
Are you ok

domingo, 8 de maio de 2011

Mãe só tem uma... Mentira!


Eu tenho uma mãe. Não, você não entendeu... EU TENHO UMA MÃE!
E minha querida mãe pode não ser o modelo de mãe ideal para esses tempos modernos de pessoas que vivem de espelho, procurando ser o que aparece nas fotos das revistas ou nas novelas.

Eu tenho uma mãe...

Mãe daquelas do tempo que filho não crescia em creche, ou passam o dia sem contato com os pais, e crescem com o modelo educacional imposto por educadores da moda, gente que sequer tem filhos mas escrevem livros que viram Best Sellers.

Porém, o livro mais vendido até hoje sobre bebes é o “Vida de Bebê“ do Dr. Rinaldo De Lamare. Mães carinhosas e duronas que desejam cuidar de uma vida, já leram esse livro. Talvez minha queria mãe não o tenha lido, mas eu só tenho a agradecer por ter crescido em um ambiente cheio de problemas, conturbado e pobre.

Me tornei o durão mais coração mole da história, e para minha felicidade, não tive só uma unica mãe.
Estou indo nesse momento ser o cheff do rango do dia das mães na casa de Dona Edna, mas ligarei para minha outra mãe, Ana e ainda mandarei beijos e abraços para todas as outras mães que já tive e não estão mais por aqui nessa terra.

Temos várias mães e pais durante a vida, não custa nada você ir ali abraçar alguém que cuida de você.

Dona Edna, se prepare, vou quebrar umas 3 costelas suas hoje!  :)

Ah! E como a vida sempre se renova, darei muitos cheiros na minha sobrinha mais nova, Theodora, a encantadora e linda filha da minha irmã Therezinha, que é a mãe mais bobona da terra.

Felicidades para todas as mães bobonas que ainda restam nesse mundo!


Hammock - Breathturn from David Altobelli on Vimeo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Vida que Segue


Nos últimos dias meu cérebro tem funcionado acima da velocidade que estava padronizado nos últimos meses de vida. A Sinapse das idéias tendem a atormentar o bom sono, mas quando sobra pouco tempo para si mesmo da nisso. E alguns teimam em achar que essa pressão sobre o tempo pode apagar amores, dores e problemas, não é verdade.

Envolto em minha gripe, numa tarde quente e nublada, jogo-me na cama, ligo o ar condicionado no máximo e vou escolher um filme para ocupar o tempo vazio. Escolho “Vida que Segue”, Vida que Segue (no Brasil) Sonhos Desfeitos (em Portugal) e Moonlight Mile (O original), que segundo as indicações dos usuários do MUBI é um filme desses que merecem todas as estrelas permitidas na pontuação.

A legenda estava dessincronizada e ainda por cima em português de Portugal. Sincronismo tem jeito, traduções com gírias e erradas, não. Mas, parecia ser um bom filme, e tentei usar meu fraco inglês de ouvido junto com as legendas meia boca. E foram inevitáveis os cochilos. Adormeci.

Quando enfermo, uma pessoa tente a misturar sonhos com a realidade, passando por momentos onde acorda, olha ao redor e volta a dormir. E minha pobre cabeça não parava de formular estratégias corporativas, tecnologias disruptivas, processadores, memórias, redes, e tudo quando é coisa ligada ao meu dia a dia. Finalmente o R.E.M passou a ser sossegado e apaguei.

Acordei por volta das 00:00h. Lembrei que não havia jantado, e gosto de levar a sério isso de ter todas as refeições. Liguei a TV (Péssimo vicio de comer vendo TV), e estava começando um filme que já vi por duas ou mais vezes. É um desses filmes que você aplaude o justiceiro, se sente vingado e aprecia ver a derrota dos bandidos, porém, como não é a primeira vez que vejo esse roteiro, fiquei me perguntando o quanto filmes afetam as pessoas, e se quem assiste isso, passa a acreditar que um cidadão comum pode, da noite para o dia matar outra pessoa (mesmo que o pior dos bandidos), e sair assobiando e comprar chicletes na esquina todo sorridente. Mesmo que eu tenha mudado muito nos últimos anos, achando que bandido bom é bandido na cova, sei que decidir sobre a vida ou pior, executar um ser vivo, não é algo que seja uma escolha fácil ou que o camarada leve isso até seu fim de vida como algo banal. Não, não é!

Ver em um mesmo filme a Jennifer Aniston e o Vincent Cassel é algo estranho. Uma, é bela e vem na cabeça o lado fofoca da vida publica de famosos: “Como diabos o Brad Pitt largou essa formosura por uma Angelina Jolie que nada mais é do que puro marketing (Ela pode fotografar bem, mas o que vale é nua, e ai nem tenho dúvidas que a Aniston ganha). O Vincent Cassel eu detesto há muito tempo, ele é o típico cafajeste sujo, ao mesmo tempo, me faz lembrar que mulheres se decompõem por caras assim, diga-se de passagem que ele (feioso como é) pega a gostosa da Monica Beluci.

O filme "Fora de Rumo" é basicamente a rotina de uma família normal, onde a filha que sofre de diabetes tenta ganhar um novo rim. O casamento já fraquejando, pinta a golpista sedutora da Jennifer Aniston. No final, o Clive Owen mata todos e vai na esquina comprar um chiclete. A historia acaba, e eu fico divagando sobre como o cinema e a TV tornam as pessoas burras e figurantes de uma pantomima voltada a vender produtos.

Após o filme, começa o programa do Serginho (Gayman) Groisman , que tem como atrações: O lutador top do momento Anderson Silva, o ator Diogo Vilela falando de sua peça Gaiola das Loucas, o cabeleireiro da Dilma e para não ficar só na boiolagem, a cantora que quer cuidar de idosos (por um belo salário e publicidade, claro) Paula Fernandes.

Ver Anderson Silva com sua voz de menina, que é patrocinado por outro sujeito estranho e papa travêco, Ronaldinho Tireóide... Diogo Vilela que é pelo menos uma boneca comportada, tudo bem... A gatinha da Paula Fernandes tem uma voz bonita... tudo bem...
Até que começa um show que faz parte da peça Gaiola da Loucas, ai pronto, meu limite de viadagem chegou ao máximo, fui dormir.
Meu irmão tem uma tese que os membros da família Marinho são todos boiolas, e eu tô começando a acreditar. Nada contra os bibas, mas pohha! Ainda existem héteros nesse mundo... Cadê os programas com garotas de camiseta molhada? “Cadê os pógrama pra macho pô?”

Como ainda não conseguia dormir sem pensar em specs, clock de cpus, nodes, renderfarm, algoritmos, dólares, garotas de biquine, etc... Usei o celular como reprodutor de musica, mesmo sabendo que a coletânea ali presente é de deixar o sujeito enterrado na lama até o pescoço.
Começou com Smiths, foi para Devics, Trespassers William, Band of Horses, Doves e mais um punhado de lamurias. E meu coração e mente fizeram uma triangulação com tudo de bom e ruim que vivi em 2010. Foi o suficiente para ir dormir do tamanho de um feijão.

Acordo com a sensação que ainda não me entreguei ao desleixo e a falta de sentimento que existe nesse mundo moderno onde só se fala em consumo e grana. Pensei na mesma hora: Tenho que ver aquele filme...
Após um café da manhã com chá e muito limão (tentativa de curar a gripe), volto ao filme que havia largado logo no inicio...



Moonlight Mile
Se você leu até aqui, é sinal que não tem muito o que fazer, e sendo assim, lhe aconselho a não continuar. Vá ler algum site de fofoca. Brincar de ver a vida (vida?) alheia de pessoas no Facebook ou Twitter. Nesse cantinho aqui, as coisas costumam serem verdadeiras ou quase isso, e quando se trata de filmes para fazer o sujeito dar um nó nos miolos, ou usar um lençol para enxugar as lágrimas, eu aviso logo, não leia. (Isso não é para proteger quem lê isso aqui, é para evitar que algum babaca venha comentar que o filme e ruim... E isso não me ofenderia, mas me deixa a brecha para chamar o sujeito de burro). Agora que você já descobriu que não sou flor-de-cheirar, vaitimbora!

Rammm rammm, hrummm, voltando... (Isso foi uma simulação de pigarro)

Quando você assiste um filme com o Jack Gyllenhaal já sabe que é história de bom moço que no final se ferra. Ou na melhor situação, ele é um alienado e excluído da sociedade por ter hábitos estranhos para o padrão (tudo bem que o padrão hoje é ter tatoo e usar drogas, mas esquece e pense em padrões antigos). E é quase isso mesmo o que acontece no filme, mas não vou contar detalhes é claro. Ele é um rapaz que ainda está meio perdido por um destino traçado, e que o leva a morar com os pais de sua noiva. O filme começa lento, muito lento. Não chega a ser um enigma, mas para os menos atentos pode ser difícil entender o que está acontecendo. E eu lhe aconselho, se você for uma pessoa que tem coração preparado para sentimentos nobres como o amor, não pare de ver o filme logo no inicio, dê uma chance.

Todos os filmes que entram na minha vida para marcar, tem algo em comum, são lotados de frases e diálogos muito bem construídos, e mais uma vez, para quem não tem paciência, o inicio do filme pode parecer insano, mas os sentimentos vão aflorando, transbordando e deixando o espectador com um ar de torcedor, querendo que tudo acabe bem, afinal, aquelas pessoas podem parecer estranhas, mas são lindas e poéticas.


Dustin Hoffman é um dos meus atores favoritos, muito comum eu adorar os filmes onde ele aparece. É como se o seu perfil fosse sempre igual, e que no lugar do casting escolhe-lo, ele que escolhe o filme. Sua atuação é como sempre complexa. Inclusive o  Jack Gyllenhaal parece ser a versão do Hoffman adolescente. Ele faz o papel do pai da noiva, e ninguém menos fantástica que a Susan Sarandon é a mãe.

A cena em que a Jojo (Susan Sarandon) descreve como consegue suportar um casamento de 31 anos é de fazer os pulmões tremularem como se você tivesse tomado todo um litro de xarope expectorante.
A preocupação do personagem Joe Nast (Jack Gyllenhaal) em proteger as pessoas, ser verdadeiro e guardar para si mesmo todas as dores, é de você pensar muito sobre a vida e como você trata quem te ama, e a quem você ama.

A Jojo é a típica mulher poderosa que conseguiu manter um casamento. Nada fácil, já que seu companheiro não poderia ser tachado de bunda mole, e ao mesmo tempo é preso em vários TOCs como atender telefone, trancar portas e o singelo vício de colocar adesivos com o nome das coisas em italiano, inclusive uma das palavras mais bonitas nessa língua surge de uma forma que une tudo, Cielo (Céu).



E se minha gripe, anexada a um sono ruim estão me atrapalhando... As musicas do meu celular me lembraram datas, pessoas, momentos, e de quem eu sou, e que caminho devo trilhar (já que andei desvirtuando um pouco meu trajeto).

Acordar e ver um filme como esse, me renovou, na verdade, renovou minhas esperanças. Tudo por conta de frases. Frases perfeitas. E se você gosta de filmes assim, não deixe de ver esse, pode mudar sua vida, ou relembrar quem você realmente é. Imperdível.

PS: Nos créditos começa a tocar “Song to the Siren” musiquinha já comentada mais de uma vez aqui (no blog), só que dessa vez na voz de ninguém menos que Robert Plant.

PS2: Tenho que procurar mais filmes com Ellen Pompeo  :)

PS3: Termino de escrever isso ao som de Kuduro, graças a um vizinho, que espero do fundo da minha bondade infinita, e ainda tocado pelo filme, que ele tenha um infarto desses que o sujeito chega no hospital todo cagado, ai ele vai entender o que é cuduro. Tô brincando, uma diarréia nível 5 já estaria de bom tamanho (desde que ele desligue essa mierda).

Abaixo vai a música citada e mais outras que se encaixam bem com o referido filme, ou pós filme... Porque a soundtrack do filme é só rock anos 70 (Moonlight Mile por acaso, é uma música dos Rolling Stones)

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Tudo se renova, mas deixa um espaço que nunca se fecha

Há duas semanas perdemos nossa querida Husky Siberiano, Flexa.
Hoje, perdemos nossa Tia Noêmia.
Foram tantas perdas em 2 anos, que eu poderia achar que isso é um teste.
Quem sabe não é?
Minha querida tia chegou na frente, vai tirar a dúvida, e saber se existe algo depois...
Flexa, viveu com tanto brilho e entusiasmo, que se existe um céu para cães, nesse momento já mandaram ela de volta a terra... Não iriam suportar as bagunças dela por lá. (Ela é esperta o suficiente para isso).

Minha Tia, não merece só um descanso, merece um paraíso inteiro só para ela, e novamente, se isso for um teste, tenho certeza que nesse instante ela já compartilha seu Eden com muitos.
Beijos minha queria Tia Noêmia.

O texto abaixo foi escrito em março de 2009.

O carnaval passou.

Ele passa todos os anos.
Uma das coisas que me marcou antes e durante o carnaval, foi uma frase repetida algumas vezes: _Que Mané de marchinha!?

Essa frase era algo que traduzia um conceito, o jeito de ver as coisas de uma pessoa com vinte e poucos anos. Uma ostentação a vitória de ser jovem e menosprezar aquilo que nem conheceu. Não era por falta de respeito, é só um pecado aceitável para quem ainda é jovem.

Infelizmente não sou do tempo das marchinhas, dos sambas poéticos ou das fantasias ricas de babados e poucas cores (Sim, nem sempre o carnaval foi multicolorido).
Se eu tivesse vinte e poucos anos na década de 20 do século passado, acredito que adoraria carnaval.

As pessoas “modernas” de hoje temem a velhice, a morte e a tristeza. Como se houvesse escolha ou saída para essas coisas que a meu ver deveriam até ser consideradas boas.
Meu carnaval foi mais que alegre, foi inusitado.

Só as pessoas que viveram comigo conhecem todas as historias por que já passei. Boa parte delas acham-me o maior dos mentirosos da terra. São tantas aventuras, tantos momentos que não foram provocados ou procurados... Tudo me pressionando a acreditar que existe algo maior, uma força acima do explicável. (E fico equilibrado entre o cético e o agnóstico – mais para agnóstico)
Na juventude eu até me divertia com essas coisas. Ser atirado por algo invisível que me salvou de um atropelamento. Desistir de lutar contra um pedaço de rede de pesca que me prendia a poucos centímetros do oxigênio e no ultimo instante ser solto já sem forças por ter lutado contra aqueles pedaços de nylon. A ultima grande intervenção inexplicável foi quando decidi há alguns anos atrás comprar uma moto.

Na semana que passei a procura de uma possante moto, um motoqueiro bateu na porta do meu carro e vi aquele estúpido piloto voar a mais de 3 metros de altura e uns 10 metros a frente, colidindo com galhos e arvores (ele não sofreu nada). No dia seguinte vi um homem com porte de halterofilista erguer metade do seu corpo com os braços, gritando e olhando suas pernas esmagadas (ele estava em uma moto). Antes que a semana findasse, no trajeto para casa também pude ver por dois dias corpos de motoqueiros, que para me deixar ainda mais chocado pareciam bonecos onde o asfalto agora fazia parte daquele amontoado de carne morta. Só para esclarecer, eu jamais paro para ver acidentes, não sou chegado a historias policiais, mas todos esses fatos ocorreram com um ângulo de câmera de cinema, e estou falando de uma visão privilegiada, como se tudo aquilo tivesse que fazer parte da minha mente.

Mesmo morando em uma cidade violenta, onde vejo todos os dias coisas abomináveis (você achou que o nome é Caos Urbanus por quê?) , tudo aquilo era demais para acreditar em coincidência. Desisti de ter uma moto.

Então, depois de muitos anos, sem nada que me fizesse acreditar em uma nova missão para essa vida. Começo a receber sinais de que ainda tenho muito a fazer.
Não vou revelar o que passei.
Até as pessoas envolvidas me achariam louco. Mas sei que agora já faço parte do destino de mais algumas vidas. E dessa vez, acredito que minha missão não será tão árdua e penosa. (A-rá... Como se eu ganhasse alguma coisa fácil nessa estrada).

E sobre os carnavais de outrora, eu digo, adoraria ter 80 anos hoje, ou mais... Eu teria vivido em um mundo com mais pobreza, com mais doenças incuráveis e com mais “tristeza”, mas seria um mundo de verdade, não essa matrix que vivemos.
Para os mais espiritualizados, posso falar que me vejo como um privilegiado. Não sei porque diabos, mas acho que passei a acreditar que todos temos missões. E se você aceitar sua importância, pequena ou grande para a mudança das coisas, passará a viver no mundo do “Efeito Borboleta”. E acredite, é muito bom saber que você tem um papel a cumprir.


Minha Tia Noêmia
E como hoje é dia das mulheres (tem até dia gay, mas macho não tem direito nem a um dia sequer... ), nada melhor que contar um pouco sobre essa mulher fantastica que é minha tia.

Amanhã irei a festa de aniversário da minha querida tia Noêmia.
Existe uma grande chance desse ser o ultimo aniversário dessa mulher que me inspirou desde minha primeira lembrança de vida.

Sem tia Noêmia eu não teria provado pela primeira vez Danone ainda quando criança.
Sim, minha família era pobre ao ponto de não ter dinheiro para supérfluos como iogurte.
Noêmia não era rica, pelo contrário. Vivia em uma casa muito simples, onde a parte frontal era de sapê, aquelas paredes feitas com barro recobrindo madeiras. A cozinha era toda feita em madeira, como uma daquelas casas de gente pobre do sul do Brasil.

Mas nem por esses traços a casa de minha tia era feia, pelo contrário. Ela sempre foi a pessoa de mais bom gosto que conheci na minha infância.
Minha tia nem imagina, mas é responsável pelo meu primeiro contato com a tecnologia. Eu tinha apenas 7 anos de idade, e ela me levou algumas vezes para a Aeronáutica, onde trabalhava perfurando cartões.

Explicação:
Cartão perfurado era um meio de armazenamento e transporte de dados que era usado nos primórdios da computação. Programadores escreviam programas em papel (maquina de escrever), esses textos eram enviados para digitadores, que escreviam tudo que estava ali, e uma maquina perfurava cartões de papel rígido, que eram levados a uma outra maquina que lia esses cartões de acordo com os furos, e daí executavam o programa, ou armazenavam tudo em fitas magnéticas.

Aos 7 anos eu não entendia aquele sistema, mas ficava intrigado com aquele senhor que passava o dia indo e vindo pegar pacotes de cartões perfurados que eram transportador em um carrinho de mão (Só para você ter idéia, acredito que mais de 100 carrinhos desses não possuíam dados suficientes para encher meio disquete... Só lembrando, um pendrive pode conter milhares de disquetes).

Na aeronáutica tive a oportunidade de me infiltrar em setores estratégicos, ver como funcionava a rotina de quartéis, cozinha industrial e salas de controle (Como eu iria imaginar que um dia projetaria e venderia salas de controle?).

Mas uma das coisas mais marcantes foi entrar nos aviões da segunda guerra e ver os primeiros aviões Tucano serem montados ou ainda os pilotos que brincavam com o “F-alguma coisa” e os russos Mig (Não sei o nome e modelos exato desses aviões).

Juntando as imagens da guerra do Vietnã e aqueles velhos aviões perfurados de balas e ainda com manchas de sangue e restos de roupa dos pilotos, aprendi muito cedo que guerra não era minha praia.
Minha tia era o que se poderia chamar de militar. Durona e nada chegada a afagos, ela era rígida. Tudo tinha que ser exatamente como ela planejava e ordenava em casa.

Criou três filhos homem sozinha (frase sempre repetida por minha mãe).

Cada um desses meus primos teve uma importância na minha vida.

Fernando, meu companheiro de mergulho, foi muito mais que um amigo. Foi um pai para mim.
Me ensinou a gostar de crianças, mesmo quando eu ainda era uma.
Eu ficava totalmente fascinado pelo carisma que ele despertava nas crianças.
Esse cara me ensinou tudo que tenho de bom dentro de mim, tudo mesmo.
E graças a sua mãe, me tornei durão, ou melhor, me mantive equilibrado ou sempre preparado para Guerra, mesmo sem gostar de brigas.

Fernando era o cara mais inteligente que eu conhecia. Um desenhista técnico primoroso. Perfeccionista. Ele me ensinou a manusear maquinas, que foram muito usadas em nossas criações para caça-submarina (As invenções eram ótimas, e éramos péssimos caçadores).
Foi também esse cara que me ensinou (ele não falava o que fazer, eu só o seguia) a ser cordial com mulheres, a tratá-las com respeito e carinho.

Aprendi com ele que não devo seguir pessoas como espelho.
Quando meu querido primo-amigo-pai, passou a beber além da conta, tive que me afastar.
Como observador, vi um cara maravilhoso mudar seu comportamento e mesmo ainda muito jovem, passei a tentar entender o gatilho que faz as pessoas perderem o rumo.

Meu primo era um apaixonado, e acredito que seu gatilho foi a frustração no amor.
Hoje, sei que esse é um dos grandes gatilhos que levam as pessoas a mudarem o rumo.
Como todos temem esse tipo de frustração, a sociedade vem impondo a retirada dessa armadilha pré-configurada. Particularmente admiro meu primo ainda hoje. Prefiro os frustrados e amargos aos seres sem alma.

Meu outro primo, Fábio, me levou ao primeiro emprego oficial.
Eu ainda não tinha feito 14 anos, e fui “jogado” ao mundo caótico do centro da cidade.
Era a boemia, lojas de discos alternativos, flyperamas, sebos, cheira-colas, ladrões, ônibus, almoço em quentinha, e outra infinidade de coisas que eu odiava na época, e que em pouco tempo passou a ser minha vida.

Trabalhar em um banco, e ter uma turma de beberrões formada já no primeiro dia de serviço, e o mesmo que receber um certificado de alcoólatra pré-aprovado aos 13 anos.
Mas novamente eu tinha exemplos, em primeiro lugar estava minha tia Noêmia.

Ela tinha a casa mais limpa da rua. Era a mais pacata e menos chegada a fofocas, e era impossível imaginar alguém mais idônea.
Era minha tia que muitas vezes enfrentava meu pai, alcoólatra de carteirinha, apesar de ser um homem idôneo também.
Eu não queria ser como meu pai, eu queria ser como minha tia.

Fábio também ajudou na minha formação. Aprendi com ele a ter paciência de esperar os resultados e a suportar as criticas que sempre se acumulam contra aqueles que tem objetivos.

O ultimo dos primos não me fez conhecer as maravilhas de um centro urbano em efervescência, mas também teve grande importância na minha vida. Foi Flávio que me levou as primeiras sessões de cinema, no magnífico Cinema São Luis, o cinema mais fantástico de todo o Brasil (Espero um dia ficar milionário, comprá-lo e deixá-lo exatamente como era).

Flávio também sem querer me ensinou... Ele teve um casamento conturbado (também passei por isso) e demorou demais para solucionar um problema sem cura simples.
Volto a lembrar da mãe dos meus primos. Ela sempre foi pratica, sim ou não, nada de enrolação, a vida é simples.

Minha tia também viajava sempre que podia para o Sudeste ou Sul do país, algo que era impensável para toda a família da minha mãe, que sempre foi pobre.

Provavelmente sem a existência da minha tia Noêmia eu não saberia o que foi a informática dos anos 70 (ainda mais vendo ao vivo), não teria passado parte da vida ligado ao mar (graças a Fernando). Não conheceria as malandragens e dureza de um centro urbano (que o Fábio e sua mulher Therezinha me propiciaram). Não teria assistido filmes de Renato Aragão na maior sala de cinema do país e comido pipoca com guaraná antes disso virá propaganda (Devo ao Flávio).

As pessoas normalmente avaliam suas vidas baseadas no que construíram de patrimônio, formação educacional ou quanto sexo fizeram e farras que participaram. Não existe regra para avaliar uma vida melhor ou pior. IDH não mete felicidade, nem extrato bancário ou virilidade aos 70 anos... Cada um tem sua receita, a minha é ser observador, aprender com as pessoas e com meus próprios erros, tentar mostrar o que parece um provável erro, e muitas vezes falar: 
Erre!
Dê uma chance!
Invista!
Acredite!
E não esqueça, tudo é “Efeito Borboleta”... Cedo ou tarde, situações do dia a dia, eventos pequenos ou grandes estão traçando sua vida e dos que estão próximos a você.

A idade e a doença não tiraram sequer por um dia toda a dignidade e dureza que minha querida tia possui. Ela é uma rocha. Ela me inspira.

Acho que falei isso no primeiro dos textos que escrevi no blog...
Na vida algumas pessoas só passam, e você aperta a mão, mas algumas você abraça.

Amanhã abraçarei minha tia, e como ela tem mal de Alzheimer, em 20 segundos esquecerá que a abracei, então acho que irei abraçá-la dezenas de vezes durante o dia.
Espero que toda essa energia sem explicação lógica, que vivo, sinto e me mostra sinais que nem tudo tem explicação, tenha um mundo particular reservado para essa mulher fantástica.
Uma só vida para pessoas assim é muito pouco.


(Isso foi escrito na sexta-feira, e sábado rolou a festinha que é sempre empolgada por um monte de primos bons de piadas. Com participação especial de Flexa e Lua, que agora moram com meu primo Fábio).

domingo, 19 de setembro de 2010

E se fosse verdade...

Ai passa na tarde de um domingo, E se fosse verdade, e noto que não faço parte do clube dos machões. Vou a procura de arte na Internet e acho isso:



Para completar, a trilha sonora é Future Of Forestry.
A Reese Witherspoon sabe muito.